Lula promete autonomia no BC e não descarta novos ajustes fiscais
Dólar aprofundou queda após a declaração do presidente.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta sexta-feira (20) que não vai interferir no trabalho que Gabriel Galípolo fará na presidência do BC (Banco Central) a partir de 2025.
🗣️ "Quero que você saiba que jamais haverá, por parte da presidência, qualquer interferência no trabalho que você tem que fazer no Banco Central", disse Lula a Galípolo, ao lado dos ministros Fernando Haddad (Fazenda), Simone Tebet (Planejamento e Orçamento) e Rui Costa (Casa Civil).
Lula disse ainda que Galípolo "será certamente o mais importante presidente do Banco Central que esse país já teve, porque vai ser o presidente com mais autonomia que o Banco Central já teve".
Além disso, afirmou que está "mais convicto do que nunca de que a estabilidade econômica e o combate à inflação são as coisas mais importantes para proteger o salário e o poder de compra da família brasileira".
Leia também: Governo nega desidratação do pacote fiscal e acena para novas medidas
Com essa declaração, o presidente tenta afastar os receios do mercado financeiro de interferência nas próximas decisões do Banco Central, sobretudo em relação aos juros. Afinal, Lula é um crítico ferrenho dos juros altos, mas a perspectiva é de que a taxa Selic continue em alta.
📈 O Copom (Comitê de Política Monetária) elevou a Selic para 12,25% neste mês e indicou que os juros devem sofrer mais duas altas de 1 ponto percentual, chegando a 14,25% em março de 2025. A alta foi contratada devido ao aumento das perspectivas de inflação e de riscos como o dólar elevado.
Indicado por Lula para a presidência do BC, Gabriel Galípolo disse nessa quinta-feira (19) que é "bem apegado ao guidance". Por isso, avisou que "a barra é alta" para que o Copom faça qualquer mudança nessa previsão de alta da Selic.
Galípolo assume a presidência do Banco Central de forma oficial em 2025. Contudo, já estará interinamente à frente da autoridade monetária a partir desse fim de semana, pois o atual presidente do BC, Roberto Campos Neto, vai entrar de férias.
Em live de despedida, Campos Neto destacou nesta sexta-feira (20) a autonomia do Banco Central, implementada durante a sua gestão. Ele disse ainda que o modo como vem sendo realizada a transição com Galípolo reforça a independência da autoridade monetária.
Ajuste fiscal
💲 Além de prometer autonomia para o Banco Central, Lula indicou nesta sexta-feira (20) que está disposto a fazer novos ajustes nas contas públicas se necessário.
"Tomamos as medidas necessárias para proteger a nova regra fiscal e seguiremos atentos à necessidade de novas medidas", afirmou.
A declaração, publicada nas redes sociais, é vista como um aceno ao mercado. Afinal, os investidores têm dúvidas sobre a sustentabilidade fiscal e esse receio fiscal pressionou fortemente os ativos brasileiros nas últimas semanas, levando o dólar a patamares recordes.
A princípio, a estratégia parece ter funcionado. Isso porque o dólar, que já operava em queda devido ao avanço do pacote fiscal e às intervenções do BC, aprofundou a queda após o vídeo de Lula.
Às 16h30, o dólar caia 1,47% e era negociado por R$ 6,06. Já o Ibovespa avançava 0,79%, aos 122.147 pontos.
Veja a declaração de Lula:

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