Haddad critica gestão anterior do BC e fala em herança do caso Master

Ministro da Fazenda comenta atuação de Galípolo em entrevista que comenta sobre eleições e fundos de investimentos.

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Publicado em 19/01/2026 às 13:37h - Atualizado Agora Publicado em 19/01/2026 às 13:37h Atualizado Agora por Wesley Santana
Haddad é ministro da Fazenda desde 2023 (Imagem: Shutterstock)
Haddad é ministro da Fazenda desde 2023 (Imagem: Shutterstock)

Em entrevista nesta segunda-feira (19), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, voltou a comentar sobre o caso do Master. Desta vez, ele disse que o atual presidente do Banco Central herdou o problema do líder anterior, no que classificou como um “abacaxi”.

“Eu acredito que ele herdou um problema que é o Banco Master, todo ele constituído na gestão anterior. Neste ano, o Galípolo descascou o abacaxi com a responsabilidade de ter, ao final, um processo robusto para justificar as decisões duras que teve que tomar. Mas foi uma herança. O Galípolo herdou esse enorme problema. Não era da diretoria dele, ele estava em outra diretoria, e ele herdou um grande abacaxi”, disse ele, durante programa do UOL News.

Segundo Haddad, o atual presidente do Bacen tem conseguido resolver o problema da instituição financeira, que teria começado com a expansão das fintechs pelo país. Ele ainda lembrou das últimas ações da Polícia contra lavagem de dinheiro usando esses bancos digitais.

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“O Banco Central inventou essa figura (fintechs) e disse, olha só, eu vou começar a fiscalizar vocês em 2029. Lá atrás, na gestão anterior. Está aí o pepino todo, que até a oposição explorou, quando a gente quis trazer para dentro da fiscalização da Receita Federal, começaram a inventar aquela coisa de taxação de Pix que não tinha nada a ver”, pontuou.

O chefe da Fazenda também voltou a afirmar que não tem planos de disputar as próximas eleições gerais e que estará focado na campanha de reeleição do presidente Lula. No entanto, disse que tem tido conversas com Lula e que ainda não há uma definição sobre o seu papel no pleito.

“Eu disse em todas as ocasiões que não pretendia me candidatar em 2026. Isso vale para qualquer cargo”, afirmou. "Tenho relação pessoal com Lula, o presidente convive com a minha família. Eu tenho ouvido o presidente. Começamos a conversar sobre a minha saída do governo na semana passada e levei as minhas considerações a ele".

Fundos de investimentos no Banco Central

Na mesma entrevista, o ministro da Fazenda voltou a dizer que o Bacen deveria ser responsável pela fiscalização dos fundos de investimentos. Atualmente, isso está sob responsabilidade da Comissão de Valores Mobiliários.

"Apresentei uma proposta, que está sendo discutida no âmbito do Executivo, para ampliar o perímetro regulatório do BC. Tem coisa que deveria estar no BC, e que está na CVM. O Banco Central tem de passar a fiscalizar os fundos, há intersecção grande hoje entre fundos e finanças. Isso tem impacto sobre a contabilidade pública, a conta remunerada, as compromissadas", afirmou.

Ele afirmou, porém, que esse é um entendimento pessoal e que não está atrelado ao governo Lula. Sua análise se sustentaria no formato de autarquias monetárias de países desenvolvidos.