Apesar do cenário exigir bastante paciência dos investidores, sobretudo dos brasileiros que aterrissaram na bolsa americana em busca de diversificação do patrimônio em
dólar, a renomada casa de análise Morningstar enxerga oportunidades em
REITs ainda descontados e com
bons dividendos projetados para o ano de 2026.
Não é segredo que o mercado imobiliário dos Estados Unidos é ditado pelos juros e que, consequentemente, os
REITs são sensíveis a um ambiente de taxas elevadas, como no caso atual.
Diferente dos fundos imobiliários aqui no Brasil, a alavancagem financeira é uma estratégia fundamental para que os nossos primos americanos coincidentemente apresentem potencial maior de valorização das cotas, uma vez que o dinheiro emprestado pode ser usado em novos projetos de crescimento.
Então, dando nomes aos bois, confira a seguir os 3
REITs, na visão da Morningstar, que apresentam descontos de até 25% e boas projeções de
dividendos em dólar para o próximo ano.
"Nos anos de inflação alta nos EUA, o Equity Residential conseguiu elevar suas receitas, uma vez que os contratos de aluguel geralmente têm duração de um ano. Só que, ao longo de 2025, a inflação diminuiu. Mesmo assim, o fluxo de caixa operacional por cota do
REIT EQR já está acima dos níveis pré-pandemia e esperamos crescimento contínuo no longo prazo", comenta o analista Kevin Brown, em relatório.
Segundo o analista da Morningstar, as cotas do
REIT EQR negociam na bolsa americana com desconto de 26% em relação ao seu preço justo de US$ 80 por cota. Fora que sua projeção de dividend yield é de 4,65% durante 2026.
Dados do
Investidor10 mostram que o
REIT EQR paga dividendos em dólar trimestralmente em janeiro, abril, julho e outubro. Seu último provento foi de US$ 0,69 por cota.
Realty Income
Bastante conhecido pelos brasileiros pelo fato de distribuir dividendos mensais em dólar, o
Realty Income (O) é um REIT que faz dinheiro ao cobrar aluguéis de grandes redes varejistas, possuindo cerca de 15,6 mil imóveis comerciais.
Todavia, muitos cotistas do
REIT O já notaram que a estabilidade dos dividendos tem um alto custo: o lucro econômico, algo que o especialista da Morningstar é capaz de explicar.
"Os termos dos contratos de arrendamento incluem aumentos anuais de aluguel muito baixos, em torno de 1%, o que ajuda a manter o índice de cobertura elevado, mas limita severamente o crescimento interno do
REIT O. Portanto, para crescer, a Realty Income precisa recorrer a aquisições", alerta Brown.
Desde 2021 até agora, o Realty Income realizou mais de US$ 28 bilhões em aquisições, com taxas de capitalização médias próximas a 7%, que foram bastante afetadas pelos patamares recordes de juros nos EUA. Mas, com o Federal Reserve implementando o atual ciclo de cortes de juros, o custo da dívida deve melhorar bastante.
Para o analista da Moringstar, o
REIT O está negociando com desconto de 25%, sendo que seu valor justo é de US$ 75 por cota. O último provento pago pelo REIT foi de US$ 0,26 por cota.
SBA Communications
A
SBA Communications (SBAC) é um REIT que atua no setor de telecomunicações, sendo um dos principais rivais da
American Tower (AMT), que é mais conhecida pelos brasileiros. Seu portfólio conta com 45 mil torres de conexão sem fio (wireless) espalhadas pela América do Norte, América do Sul e África.
Por sua vez, o relatório da Morningstar aponta que o
REIT SBAC também ostenta desconto de 25%, ao passo que seu preço justo é de US$ 265 por cota. A SBA Communications acumula baixa de -32% nos últimos cinco anos, muito por conta de seu agressivo programa de recompra de cotas, que acabou pagando por preços inflacionados.
"Cerca de 40% das torres da SBA Communications estão nos EUA, representando aproximadamente 75% da receita de locação de sites. O mercado americano é altamente lucrativo e de baixo risco em comparação com outros países, além de ser maduro. Só que o
Brasil continua sendo o maior mercado do
REIT SBAC fora dos EUA, responsável por quase 15% da receita", considera o analista Michael Hodel, no relatório.
Conforme dados do
Investidor10, o
REIT SBAC paga dividendos em dólar trimestralmente em março, junho, setembro e dezembro. Seu último provento foi de US$ 1,10 por cota.