Ao todo, R$ 40,6 bilhões serão reembolsados a cerca de 800 mil investidores -a metade do que havia sido estimado após a liquidação do Master.
Investidores precisam pedir reembolso
O reembolso do FGC, no entanto, não é automático. Quem investia ou mantinha recursos nas contas do Master precisa solicitar a devolução das garantias. Depois disso, o pagamento é feito em até dois dias úteis.
📱 O pedido deve ser feito por meio do aplicativo do FGC, no caso de pessoas físicas, ou do site da instituição, no caso de pessoas jurídicas. Segundo o FGC, os pedidos começaram a ser recebidos a partir das 9h30 deste sábado (17).
"A partir deste momento os credores já podem dar continuidade ao processo de solicitação da garantia utilizando o aplicativo do FGC. Concluída esta fase, o credor receberá o pagamento em até dois dias úteis, em uma conta de sua titularidade", informou o presidente do FGC, Daniel Lima.
Ele pediu ainda que as pessoas estejam atentas às tentativas de golpe. Isso porque, nos últimos dias, foi identificada a criação de sites e aplicativos falsos sobre o reembolso do Master, além do envio de e-mails, mensagens e comunicações que simulam o FGC.
Diante disso, o FGC ressaltou que não realiza contato com credores por WhatsApp, SMS ou outros aplicativos de mensagens, não cobra qualquer tipo de taxa para o pagamento da garantia, não utiliza intermediários para a realização de pagamentos e não oferece atendimento presencial.
Maior reembolso da história
💰 O FGC vai pagar R$ 40,6 bilhões para cerca de 800 mil credores do Banco Master.
Este será o maior reembolso da história do FGC. Antes disso, a maior liquidação havia sido a do Banco Bamerindus, que em 1997 movimentou cerca de R$ 20 bilhões, em valores corrigidos pela inflação.
O FGC ressaltou, então, que possui R$ 125 bilhões de liquidez. E garantiu que, por isso, permanecerá com "reservas robustas, suficientes para suportar cenários severos de estresse de mercado" mesmo após o pagamento das garantias do Master.
Lista de credores caiu pela metade
📉 Já o número de credores caiu pela metade em relação ao que havia sido projetado logo após a liquidação do Master, em novembro de 2025.
Inicialmente, o FGC projetava que 1,6 milhão de pessoas teriam direito ao reembolso. Contudo, esse número caiu para 800 mil após a consolidação das informações das instituições liquidadas (o Banco Master, o Banco Master de Investimento e o Banco Letsbank).
Em nota, o FGC informou que a estimativa inicial considerava as informações enviadas mensalmente pelas instituições, antes da liquidação.
"Esses dados refletem os depósitos e aplicações elegíveis à garantia no âmbito do conglomerado, mas são apresentados de forma agregada, sem a individualização dos clientes", explicou.
2 meses de espera
O FGC só pôde dar início ao reembolso após a consolidação da lista de credores do Master, um processo capitaneado pelo liquidante do banco que se arrastou por dois meses.
⏰ Foi a maior espera desde 2013, quando o fundo precisou de 98 dias para dar início ao reembolso. Naquele caso, no entanto, o início dos pagamentos foi atrasado por causa de uma medida judicial.
Nesse período, os
CDBs do Master pararam de render. Por isso, muitos investidores vão receber um retorno bem menor do que o que havia sido oferecido pelo banco liquidado.
Em nota, o presidente do FGC, Daniel Lima, disse que "o porte, os modelos operacionais e a qualidade dos processos e controles praticados pelas instituições liquidadas" afetaram o andamento do processo.
Ele lembrou ainda que "a consolidação de informações, conduzida pelos liquidantes, exige análises técnicas para garantir a consistência e a integridade da relação de credores necessária para o pagamento da garantia".
E garantiu que "a equipe do liquidante, com apoio do time do FGC, trabalhou incansavelmente, dias, noites e finais de semana, para gerar os arquivos no menor tempo possível".
Master sob investigação
Esta medida é adotada quando o BC avalia que a situação financeira da empresa é irrecuperável ou quando são cometidas graves infrações às normas que regulam sua atividade e leva à interrupção das atividades da instituição.
O Master já apresentava dificuldades de liquidez há algum tempo, sobretudo depois de oferecer CDBs com taxas bem superiores ao praticado no mercado, chegando até a 150% do CDI em algumas situações.
Além disso, o banco passou a ser investigado pela PF (Polícia Federal) por suspeitas de irregularidades.
A
Operação Compliance Zero revelou, no mesmo dia da liquidação do Master, a emissão de títulos de crédito falsos que teriam sido vendidos para instituições como o
BRB (BSLI4).
Na última quarta-feira (14), a PF deflagrou uma
segunda fase da operação, para "apurar a prática dos crimes de organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de capitais".