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Copom (Comitê de Política Monetária) inicia nesta terça-feira (27) a primeira reunião de 2026. E, na avaliação do mercado, deve manter a
taxa Selic em 15% mais uma vez, adiando para março o início do ciclo de corte de juros.
🏦 O comitê mantém a Selic em 15% desde junho de 2025. E, na sua última reunião, em dezembro de 2025, não deu nenhum sinal de que pretende fazer alguma mudança nos juros neste início de ano.
O tom foi de cautela mesmo diante da recente melhora da
inflação, já que as expectativas de inflação seguem acima da meta de 3%, a inflação de serviços ainda exibe certa pressão e o mercado de trabalho continua forte -um cenário que não mudou muito desde então.
"Desde dezembro, o cenário macroeconómico pouco se alterou. A desinflação progrediu, a inflação dos serviços e o mercado de trabalho mantêm-se firmes, e a atividade mostra moderação heterogênea, consistente com a manutenção de uma postura contracionista", avaliou o Santander.
O que espera o mercado?
📅 Diante das poucas mudanças no cenário, o Santander não vê espaço para um corte de juros nesta primeira reunião do ano do Copom, que começa nesta terça (27) e termina na quarta-feira (28), após o fechamento do mercado.
"Os indicadores econômicos recentes não foram suficientes para deixar os membros do Copom mais confiantes sobre o início do ciclo de flexibilização monetária nesta reunião", reforça a XP.
Recentemente, alguns analistas que projetavam para esta semana o início do ciclo de corte de juros também adiaram o ajuste para março. É o caso do Itaú BBA e da Monte Bravo.
Para o Itaú BBA, a desaceleração da atividade econômica e a melhora da inflação permitiriam um corte da Selic, mas a inflação de serviços ainda recomenda cautela. Por isso, a avaliação é de que o Copom ainda está ganhando confiança de que a atual estratégia de política monetária está surtindo efeito.
O Bradesco também vê condições para o início imediato de um ciclo de redução do aperto monetária, mas reconhece que os cortes devem ficar para março devido ao tom do Copom.
"Na ausência de um forward guidance mais explícito, nossa interpretação da comunicação do Banco Central ao longo do período entre reuniões é de que a autoridade monetária parece revelar certa preferência por um início mais cauteloso, apenas em março", afirmou.
O Bank of America, no entanto, vai na contramão e diz que o Copom deve cortar a Selic em 0,50 ponto percentual nesta quarta-feira (28), levando os juros para 14,50%.
O que esperar do comunicado do Copom?
🧾 Com a maior parte do mercado projetando para março o início dos cortes da Selic, a maior expectativa para esta reunião é pelo comunicado do Copom.
Afinal, o comitê costuma preparar o terreno para eventuais cortes ou aumentos de juros nas suas comunicações oficiais. Logo, já pode indicar se de fato vê espaço para juros menores em março.
A XP, por exemplo, espera que o Copom mantenha um tom duro, para evitar a percepção de que o corte de juros já está dado. Contudo, deixe alguma margem para o ajuste.
"Acreditamos que o Comitê deixará mais clara a possibilidade de iniciar um ciclo de cortes de juros em março, uma vez que as perspectivas de inflação melhoraram desde a elevação da Selic para 15,00%", diz.
A casa, contudo, reconhece que "a comunicação não deve oferecer sinalização clara para a próxima reunião, mantendo a ênfase na abordagem "dependente dos dados'".
O Santander também acredita que o Copom não fará grandes mudanças no seu comunicado, mas pode abrir caminho para um corte de juros, sem necessariamente se comprometer com isso.
Ou seja, introduzir uma "flexibilidade limitada para reuniões futuras, sem sinalizar explicitamente um ciclo de afrouxamento iminente".
As projeções para a Selic
💲 De acordo com o
Boletim Focus, o consenso do mercado é de que o Copom vai manter a Selic em 15% nesta semana, mas levará os juros para 14,50% em março e para 12,25% até o final de 2026.
Alguns analistas, no entanto, acreditam que o ajuste pode ocorrer de forma mais gradual. O Santander e o Itaú BBA, por exemplo, projetam uma redução de apenas 0,25 ponto percentual da Selic em março.