Chefe do mercado de capitais: Conheça o indicado de Lula para o comando da CVM

Otto Lobo já comandou interinamente a CVM em 2025, quando envolveu-se em polêmica da Ambipar.

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Publicado em 07/01/2026 às 17:15h - Atualizado 10 horas atrás Publicado em 07/01/2026 às 17:15h Atualizado 10 horas atrás por Marina Barbosa
A CVM é responsável pela regulação e fiscalização do mercado de capitais (Imagem: Shutterstock)
A CVM é responsável pela regulação e fiscalização do mercado de capitais (Imagem: Shutterstock)

Chefe do mercado de capitais brasileiro, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) terá seu comando atualizado em 2026.

📝 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) indicou Otto Lobo para a presidência da autarquia, além do advogado Igor Muniz para uma das diretorias da CVM.

A escolha de Lula foi anunciada nesta quarta-feira (7), mas os indicados precisam ser sabatinados e aprovados pelo Senado Federal antes de tomar posse.

Otto Lobo

Se aprovado pelo Senado, Otto Lobo voltará à CVM depois de uma breve pausa.

Ele era diretor da autarquia desde 2022 e chegou a comandar o órgão de forma interina nos últimos seis meses, depois que o então presidente João Pedro Nascimento renunciou por motivos pessoais. Seu mandato, no entanto, expirou no dia 31 de dezembro.

Nos quase seis meses em que ficou à frente da CVM, ele chamou atenção do mercado ao contrariar uma avaliação da área técnica do órgão e apresentar um voto que desobrigou a Ambipar (AMBP3) de realizar uma OPA (Oferta Pública de Ações).

A OPA havia sido recomendada depois que os papeis da empresa chegaram a subir 1.000%. Segundo a área técnica da CVM, a disparada foi registrada depois que a gestora Trustee, por meio dos fundos que estão sob sua gestão e têm Nelson Tanure como um dos cotistas, atuou em conjunto com o controlador da Ambipar, Tércio Borlenghi, na aquisição de ações de emissão da companhia.

Prioridades da CVM

Pouco antes de deixar o cargo, Otto Lobo também ajudou a traçar as prioridades da CVM para este ano. Na lista, estão a modernização das normas dos FIIs (Fundos de Investimento Imobiliário) e do crowdfunding de investimento, além de inovações nos instrumentos de captação do agronegócio.

Ao apresentar a Agenda Regulatória 2026 da CVM, Otto Lobo afirmou que a autarquia tem um "foco em modernização, previsibilidade, agilidade e dinamicidade, de modo a atrair investidores de maneira responsável e segura para contribuir para o desenvolvimento econômico do Brasil". 

"Nesse cenário, nossa pauta regulatória inclui temas como tokenização, redesenho dos papéis clássicos dos intermediários no mercado de capitais, reforço e avanço de regras e padrões contábeis, regulação do mercado de carbono e implementação das finanças sustentáveis assumem absoluto protagonismo", declarou, em dezembro.

A CVM ainda pretende lançar consultas públicas sobre temas como influenciadores de finanças, COEs (Certificados de Operações Estruturas) e FIDCs (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios).

Mestre em Direito, Otto Lobo é fundador da Lobo & Martin Advogados e possui experiência em questões de direito financeiro, societário, governança corporativa e arbitragem.

Diretoria 

Já o advogado Igor Muniz, indicado para uma das diretorias da CVM, é o atual presidente da Comissão de Direito Societário da OAB-RJ. Antes, foi advogado da Petrobras (PETR4).

A diretoria da CVM, contudo, ainda fica com outro assento vago depois dessa indicação -justamente o que era ocupado por Otto Lobo até dezembro. Por isso, o presidente Lula ainda poderá indicar outro nome para o órgão.