Invasão na Venezuela faz empresa da B3 disparar 6%; veja se ainda vale a pena
Se as petroleiras sofrem com o medo, a Aura Minerals colhe os frutos de ser uma das principais exposições ao ouro na bolsa brasileira.
O setor de petróleo não é o único potencial afetado pela ação dos Estados Unidos na Venezuela.
Após capturar Nicolás Maduro e assumir a comercialização do petróleo venezuelano, o governo americano disse ter um plano que envolve a abertura comercial do país.
Segundo o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, a ideia é inicialmente controlar a situação, para depois abrir o mercado venezuelano para empresas estrangeiras e fazer a transição política.
🗣️ "A segunda fase será a chamada recuperação, que consiste em garantir que empresas americanas, ocidentais e de outros países tenham acesso ao mercado venezuelano de forma justa", contou, na quarta-feira (7).
Se confirmado, esse processo pode, então, beneficiar não apenas as empresas de petróleo americanas que já estão de olho nas reservas venezuelanas, mas também companhias de outros países e de outros setores.
Na avaliação do BTG Pactual, empresas com presença anterior na Venezuela e exportadoras de itens como cimento, bens de consumo e carne poderiam se beneficiar no médio prazo.
"Uma Venezuela ressurgente poderia ter implicações positivas para algumas ações regionais que ainda operam no país, para o setor de petróleo e gás da região e para algumas de suas empresas de materiais de construção", afirmou o BTG.
📊 Para dar uma ideia desse potencial, o BTG lembra que a atual produção de petróleo venezuelano, de 900 mil barris por dia, é apenas um quarto do que já foi.
Da mesma forma, o PIB (Produto Interno Bruto) do país, estimado em US$ 80-85 bilhões em 2025 pelo FMI (Fundo Monetário Internacional), está 70-80% abaixo do nível de 2014.
O BTG lembra, porém, que uma "normalização" exigiria "uma reforma política e institucional significativa, juntamente com investimentos maciços". Por isso, este deve ser um plano de longo e não de curto prazo.
Prova disso é que, nesta quinta-feira (8), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reforçou o plano de "reconstruir a Venezuela de uma forma muito lucrativa". Contudo, disse que os americanos podem seguir "administrando" o país "por muitos anos".
Apesar de toda a incerteza sobre o futuro da Venezuela, o BTG elencou um grupo de empresas que poderia se beneficiar dessa situação.
Para os analistas, empresas de petróleo e materiais de construção se destacam nesse cenário, mas companhias de logística, alimentação e bebidas também podem colher alguns ganhos.
🛢️ As ações de petróleo americanas já dispararam nos últimos dias, depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que essas companhias voltariam ao país sul-americano.
Contudo, o BTG vê espaço para que outras empresas também façam parcerias com o setor de petróleo venezuelano, sobretudo fornecendo expertise em exploração e produção de petróleo.
Embora não cite nenhum ticker específico, o banco cita as empresas da Colômbia, Argentina e Brasil como players potenciais.
"Parceiros regionais podem ser uma boa maneira de diluir o risco e o ônus do investimento", explicou.
⚒️ Companhias que se envolvam diretamente na reconstrução da Venezuela também estão na mira do BTG, como as produtoras de cimento Cementos Argos e Cemex (CX).
Os analistas do banco explicaram que, assim como ocorreu com o petróleo, o setor de cimento da Venezuela era dominado por empresas estrangeiras, mas foi nacionalizado em 2008. A Cementos Argos, por sinal, ainda aguarda o pagamento da indenização referente a esse processo.
A empresa, junto com a Cemex, entrou no radar do BTG justamente porque já operou na Venezuela e, por isso, tem conhecimento do mercado local. Além disso, ambas também têm capacidade ociosa que poderia ser direcionado para o país.
Além de cimenteiras, siderúrgicas poderiam atuar nesse processo de reconstrução. E, neste setor, a aposta do BTG é a Ternium (TXSA34), a nova controladora da Usiminas (USIM5). Afinal, também já atuou no país.
A reabertura da Venezuela ainda poderia favorecer empresas de transporte e entregas ou logística.
✈️ A Copa Airlines, por exemplo, opera voos para o país, mas já teve uma participação bem maior no mercado local.
São menos de 20 voos por semana no momento, mas esse número já foi de 44. Tanto que a Venezuela já chegou a representar 15% da receita da Copa, segundo o BTG.
O mercado venezuelano também já entregou cerca de 4% da receita líquida do Mercado Livre (MELI34), antes da big tech desativar sua subsidiária local, em 2017. Um retorno, contudo, poderia ser pensado em uma eventual recuperação econômica.
Os analistas do BTG também veem oportunidades para empresas de alimentação e bebidas.
Neste caso, o destaque é da Nutresa, que ainda opera uma fábrica de frios no país, mas o BTG lembrou que o país também consome uma quantidade significativa de Coca-Cola (COCA34) e McDonald’s (MCDC34), o que favorece as franquias Coca-Cola FEMSA (KOF) e Arcos Dorados (ARCO).
A recuperação da Venezuela, contudo, ainda é um processo incerto e de longo prazo. Por isso, o BTG lembra que ativos de proteção como o ouro também costumam ganhar nesse cenário.
É possível, então, investir diretamente na commodity ou em empresas com exposição ao metal, como é o caso da Aura Minerals (AURA33).
Para o BTG, as ações da Aura estão sendo negociadas com um desconto significativo, mas poderiam passar por uma reavaliação caso os prêmios de risco geopolítico aumentem e o ouro recupere um papel mais central nos portfólios como uma proteção contra a incerteza política e macroeconômica. De fato, os papeis dispararam nos primeiros pregões após a captura de Nicolás Maduro.
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