Nicolás Maduro está preso nos EUA; saiba quem assumirá a Venezuela
Ditador venezuelano está detido na sede da Agência Antidrogas, situada em Nova York.
As ações de petróleo dos Estados Unidos dispararam nesta segunda-feira (5), nas primeira horas de negociação após a intervenção americana na Venezuela.
🛢️ O governo de Donald Trump capturou no sábado (3) o líder venezuelano Nicolás Maduro e indicou que, com isso, passaria a controlar as reservas de petróleo do país.
"Nossas gigantescas companhias petrolíferas dos EUA, as maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura petrolífera que está em péssimo estado e começar a gerar lucro para o país", afirmou Trump.
A declaração renovou o interesse do mercado por essas empresas. Afinal, a Venezuela ostenta a maior reserva comprovada de petróleo do planeta. São cerca de 303 bilhões de barris, ou 17% do volume mundial, segundo a EIA (Administração de Informação Energética).
Segundo analistas, a Chevron (CVX) é a petrolífera mais bem posicionada para se beneficiar deste momento, pois já atua na Venezuela, por meio de 5 projetos de produção em terra e no mar.
📈 Por isso, as ações da Chevron chegaram a subir 10% no pré-mercado desta segunda-feira (5). E, vale lembrar, a companhia tem um BDR na B3: CVXH34.
ConocoPhillips (COP) e Exxon Mobil (XOM) também avançam, pois não apenas poderiam voltar a produzir na Venezuela, como poderiam recuperar bilhões em dólares neste cenário.
Empresas que prestam serviços no setor de petróleo, como SLB (SLB), Halliburton (HAL) e Baker Hughes (BKR), reagiram igualmente na bolsa, assim como a companhia de refino Valero Energy (VLO).
Antecessor de Maduro, Hugo Chávez decidiu nacionalizar o setor de petróleo venezuelano no começo dos anos 2000. Com isso, ConocoPhillips e Exxon Mobil deixaram o país e recorreram a tribunais internacionais para recuperar os investimentos realizados no país.
💵 Em 2019, o Centro Internacional para a Resolução de Disputas sobre Investimentos decidiu que o governo venezuelano deveria pagar US$ 8,7 bilhões em indenização para a ConocoPhillips pela expropriação dos ativos. O valor deve ser corrigido por juros e, por isso, pode chegar a US$ 12 bilhões. Já a Exxon teria US$ 1,65 bilhão a recuperar.
A Chevron, por outro lado, aceitou as condições impostas pelo governo e seguiu na Venezuela. Por isso, hoje produz cerca de 200 mil a 250 mil barris por dia no país. Isto é, cerca de um quinto da produção nacional. Contudo, apenas uma parte dessa produção segue para os Estados Unidos atualmente.
De acordo com analistas, esse fluxo pode crescer consideravelmente caso as empresas americanas estejam dispostas a ampliar os investimentos na Venezuela, como prometeu Trump. Contudo, este pode ser um processo demorado, já que levaria algum tempo para recuperar toda a infraestrutura do país.
Leia também: Maduro comparecerá a tribunal em Nova York nesta segunda-feira (5)
Em nota enviada à imprensa americana, a Chevron disse apoiar uma "transição pacífica e legal que promova a estabilidade e a recuperação econômica" na Venezuela. Além disso, mostrou-se disposta a trabalhar "de forma construtiva com o governo dos EUA durante esse período, aproveitando nossa experiência e presença para fortalecer a segurança energética dos EUA".
A companhia ainda garantiu que segue focada na segurança e no bem-estar dos seus funcionários, assim como na integridade dos seus ativos e no cumprimento de todas as leis e regulamentos aplicáveis.
Já a ConocoPhillips disse que "está monitorando os desdobramentos na Venezuela e suas potenciais implicações para o fornecimento e a estabilidade energética global" e que "seria prematuro especular sobre quaisquer atividades comerciais ou investimentos futuros".
Diante dessas incertezas, os preços do petróleo rondam a estabilidade na manhã desta segunda-feira (5).
Na avaliação de analistas, uma eventual alta momentânea do barril ainda pode ocorrer. Contudo, a ação dos Estados Unidos na Venezuela tende a pressionar ainda mais os preços, já que poderia elevar a oferta da commodity.
Ditador venezuelano está detido na sede da Agência Antidrogas, situada em Nova York.
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