Você conhece o Método Bazin para calcular o preço justo da ação de uma empresa na bolsa de valores? Você sabe como esse método funciona e se ele é eficiente de fato?

A questão é que, independentemente de você ser um investidor novato ou experiente, descobrir o valor ideal para investir no papel de uma empresa, continua um desafio.

Muitos investidores mundo afora já surgiram com soluções para esse problema. Algumas melhores do que outras. Hoje, o Investidor10 irá falar sobre o Método Bazin e o preço justo.

Definição de ação

Antes, no entanto, de falarmos sobre o método Bazin para calcular o preço justo de uma ação, é importante ter bastante cristalizado na mente o que é uma ação.

Em primeiro lugar, uma ação por si só não garante que o investidor seja dona da empresa. Ele precisará ter a maioria das ações, o que no caso podem ser milhões de reais.

Uma ação, por sua vez, trata-se apenas de uma parte da sociedade da companhia, que garante ao investidor voz na assembleia e o direito do recebimento de dividendos.

Inclusive, existe uma classe de investidores que adquire ações baseando-se no seu potencial de pagamento de dividendos. Outros não ligam para isso.

Saber isso é importante porque, quando falamos do preço justo, o pagamento de dividendos é um fator a ser considerado, ainda mais quando o valor de um papel pode ser muito volátil.

O que afeta o valor de uma ação?

O que afeta o valor de uma ação?
O que afeta o valor de uma ação? – Foto: Freepik

Toda ação tem um valor de mercado. A questão é que esse valor sofre muita flutuação por conta de uma série de fatores tanto internos quanto externos.

Em outras palavras, a eficiência da administração da empresa pode ser responsável pelo preço da ação estar alto ou baixo, tal como a situação econômica do país ou do mundo.

Por outro lado, outros fatores menos previsíveis e de difícil quantificação, como notícias negativas sobre a empresa, podem afetar muito o valor do papel.

O fato é que o mercado também trabalha muito com expectativas sobre o futuro de curto, médio e longo prazo. O método Bazin, por sua vez, procura considerar tudo isso.

O que é preço justo?

Mas o que é o tal preço justo, cujo Método Bazin promete ser uma ferramenta eficiente para definir? Essa é uma pergunta com uma resposta bastante variável.

Para começo de conversa, o preço de uma ação que é considerada justa, pode não ser o mesmo de um analista para o outro. Isso por causa de diferentes critérios de avaliação.

Sim, existem muitos critérios que podem ser usados para avaliar se uma ação está cara ou barata. O método Bazin, por sua vez, é apenas uma metodologia entre várias.

Todavia, quando se fala em preço justo de uma ação, o que se quer dizer é um preço pelo qual o investidor, ao pagar, nem estará perdendo dinheiro e nem tendo lucros exorbitantes.

Pode-se falar até em preço real, já que o preço justo representaria a realidade do que realmente vale pagar por uma ação. O problema é definir o que é justo.

Enquanto alguns analistas consideram apenas os resultados financeiros da companhia, outros fazem uma análise mais profunda da marca e o seu impacto social.

Naturalmente, quando se avalia algo que é, de certa forma, intangível e cujo valor não pode ser quantificado, o resultado obtido pode ser altamente variável e até mesmo discrepante.

Não obstante, o método Bazin busca mesclar essas duas formas de análise de ações. Inclusive, fazendo muito uso de ferramentas da análise fundamentalista.

3 formas de descobrir o preço justo de uma ação

3 formas de descobrir o preço justo de uma ação

Agora vamos falar especificamente sobre como descobrir o valor justo de uma ação. Para fazer isso, vamos falar um pouco sobre 3 métodos muito conhecidos e usados.

1. Cálculo do valor justo pelo método do fluxo de caixa descontado

Também conhecido como FDC, o cálculo do valor pelo fluxo de caixa descontado, é um método conhecido que tenta prever as probabilidades de um possível fluxo de caixa futuro.

O foco são os lucros e a estimativa de fortuna que uma empresa qualquer terá. Em suma, trata-se fundamental do investimento em empresas com maiores chances de crescer.

Alguma similaridade que pode ser traçada com o método Bazin, é o fato de que o FDC também considera fatores menos técnicos, como a análise de riscos.

2. Preço justo com valuation por múltiplos de mercado

Descobrir o preço justo de uma ação pelo valuation por múltiplos de mercado só é possível por meio de comparação entre indicadores de empresas parecidas de um segmento.

O cálculo também pode ser feito com indicadores diferentes, contanto que sejam dentro da mesma empresa. A questão é que esse método não é exatamente o mais confiável.

A razão disso é que ele pode apresentar ganhos ou perdas não recorrentes, o que, por sua vez, pode levar a uma interpretação equivocada da real situação do negócio.

A sua adoção pelos investidores ocorre em razão de ele ser uma técnica que é facilmente aplicada, possuindo fórmulas de uso facilitado. Sendo bastante diferente do método Bazin.

Os múltiplos utilizados são:

  • P/L;
  • P/VPA;
  • EV/EBITIDA.

3. Fórmula de Benjamin Graham para cálculo do valor justo

Quando falamos em investimentos em ações ou simplesmente no mercado financeiro, um nome que sempre vem à tona é o de Benjamin Graham. Muito conhecido por sua fórmula.

Esta fórmula, que se tornou muito popular e é usada até hoje por diversos investidores para calcular o preço justo de uma ação, se dá da seguinte forma:

VI = √ (22,5 x LPA x VPA)

Sendo:

  • VI: Valor Justo de uma Ação, a ser encontrado;
  • 22,5: Constante encontrada por Graham;
  • LPA: Lucro por ação;
  • VPA: Valor patrimonial da ação.

Vale ressaltar que uma das razões para essa fórmula ser tão popular, é o fato de que, assim como o valuation por múltiplos de mercado, ela é facilmente aplicável.

Entretanto, é importante mencionar o principal defeito e razão de crítica dessa fórmula, que é o fato de que ela se limita apenas a empresas com lucros constantes.

Para conferir um ranking com as ações mais descontadas da bolsa, segundo a fórmula de Graham, clique aqui.

Décio Bazin e o preço justo

Décio Bazin e o preço justo
Décio Bazin e o preço justo – Foto: Freepik

Em relação ao método Bazin, criado por Décio Bazin, é importante, antes de qualquer coisa, explicar um pouco a respeito de um dos maiores nomes do mercado financeiro brasileiro.

Décio nasceu na década de 30 e se formou em contabilidade nos anos 50. Depois, a partir dos anos 60 começou a atuar como corretor de investimentos e também a investir.

Ao longo dos anos, ele acumulou muita experiência dentro do mercado financeiro, o fazendo se tornar um dos grandes nomes do meio, desenvolvendo uma metodologia própria.

De forma geral, o que Décio pregava era sobre como ser capaz de encontrar as melhores ações de empresas para investir a longo prazo, comprando-as pelo preço justo.

A sua formulação a respeito de como se encontrava esse preço justo ele fez no seu primeiro livro, intitulado “Faça fortuna com ações antes que seja tarde demais”.

Neste livro, Décio Bazin compartilhava o Método Bazin de investimentos. Essa obra teve um grande impacto no cenário de investimentos brasileiro, sendo endossada até por Luiz Barsi, o maior investidor da bolsa de valores brasileira.

Os 5 fundamentos do Método Bazin

Vamos então começar a falar sobre como usar na prática o Método Bazin para descobrir o preço justo de uma ação. No geral, o método analisa métricas quantitativas.

Isso significa que ele dá prioridade para múltiplos de investimentos e outros dados no momento da filtragem. Em contrapartida, há um dado qualitativo importante: as notícias.

Vamos falar um pouco mais a fundo sobre isso. Em todo caso, veja agora os 5 principais fundamentos pregados pelo método Bazin para descobrir o preço justo de uma ação.

1. Liquidez

Em primeiro lugar, o Método Bazin recomenda que o investidor opte apenas pelas empresas que sejam bem negociadas na bolsa, o que automaticamente exclui empresas menores.

A razão disso se deve ao fato de que Bazin gostava de ter uma carteira de investimentos com um alto nível de giro, o que significa trocar os papéis sempre que necessário.

2. Cash Yield

O segundo fundamento é considerado por muitos como o mais importante do método Bazin, sendo imprescindível para escolher boas pagadoras de dividendos.

No caso, ao investir em uma empresa, o investidor deve apenas considerar as empresas que com um dividend yield dolarizado na casa de 6% ao ano nos últimos 3 pagamentos.

Para fazer esse cálculo, por sua vez, basta pegar o último dividendo pago, convertido para dólar na data do pagamento, e dividir pelo preço atual da ação, também convertido em dólar.

Lembre-se que a proporção de 6% não foi escolhida de forma arbitrária. Na realidade, ela é fruto de sua época, do tempo que Bazin vivia, no qual o mundo vivia com juros mais altos.

Tratava-se, então, de uma convenção de que esse valor era o mínimo que um investimento variável deveria pagar para que se considerasse um bom investimento.

3. Notícias

Em relação ao fator qualitativo mencionado das notícias, o Método Bazin defende explicitamente que qualquer notícia ruim sobre a empresa deve ser vista como alerta.

Na realidade, ele diz que se a empresa for alvo de notícias ruins, sejam verdadeiras ou não, ou mesmo se os seus sócios foram vítimas, a recomendação é a venda imediata.

A razão disso é porque se torna muito difícil prever como isso pode afetar o desempenho da empresa a curto, médio e longo prazo.

4. Endividamento

O método Bazin também possui uma grande preocupação com o endividamento das empresas. Esse é um dos seus fundamentos, prezar por um “endividamento moderado”.

Em contrapartida, vale esclarecer que Bazin não especificamente com exatidão, seja por meio de múltiplo ou indicador, qual seria o nível de endividamento adequado.

5. Rebalanceamentos

Por fim, o quinto fundamento do Método Bazin para calcular o preço justo de uma ação, é o rebalanceamento semestral da carteira de ações, feito por meio dos filtros anteriores.

Bazin estipula que se uma determinada empresa passar dois semestres seguidos com o dividend yield abaixo de 6% ao ano, ela deve ser vendida sumariamente.

Inclusive, Décio ainda diz que os melhores meses para fazer essa reciclagem da carteira são os meses de Abril e Outubro, pois a maioria das empresas já encerrou o pagamento de dividendos.

Mas qual é a eficácia do método bazin?

Mas qual é a eficácia do método bazin?

Agora que você já entendeu como o Método Bazin funciona dentro do processo de calcular o preço justo de uma ação, pode ser interessante saber se o método possui eficácia de fato.

Antes, no entanto, é importante deixar claro que qualquer metodologia de investimentos pode auferir bons resultados, já que existem muitos fatores incontroláveis e imprevisíveis.

Em todo caso, de acordo com algumas estimativas feitas por investidores, caso alguém tivesse aplicado 10 mil reais usando o método em 1996 nas seguintes ações:

Essa pessoa teria no ano de 2020 algo em torno de 1,4 milhões de reais corrigidos pela inflação. Em 24 anos ela teria se tornado milionária por ter comprado ações no preço justo.

Trata-se de um resultado maior do que o Ibovespa. No caso, estima-se que o método traria um retorno 10% maior em retorno composto do que o índice da bolsa brasileira.

Curiosamente, apesar de o resultado do método entregar uma carteira mais concentrada, as suas métricas de risco acabaram sendo semelhantes ao mais importante índice da B3.

Em especial se forem feitas as análises de dados como “Desvio Padrão”, “Worst Drawdown” e “Pior Queda”. Isso sem contar o ótimo pagamento de dividendos obtidos com a carteira.

Em média, teriam sido gerados anualmente por volta de 7,53% em dividendos. Um retorno bastante atraente para quem quer razões para usar o método Bazin para investir.

Para ver um ranking com as ações mais rentáveis da bolsa, segundo o método de Bazin, clique aqui.

Gostou de saber sobre o método bazin e como se faz para calcular o preço justo de uma ação? Então aproveite para ver aqui no Investidor10 um ranking com as melhores oportunidades da bolsa, segundo o método de Bazin.