Sabesp (SBSP3): Privatização não deve ser afetada por caso Enel, diz presidente

Presidente da Sabesp disse que está pronto para prestar esclarecimentos, se necessário

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Publicado em 10/11/2023 às 16:49h - Atualizado 8 meses atrás Publicado em 10/11/2023 às 16:49h Atualizado 8 meses atrás por Marina Barbosa
Governo de São Paulo quer privatizar Sabesp (Shutterstock)
Governo de São Paulo quer privatizar Sabesp (Shutterstock)

A demora no restabelecimento da luz após o apagão em São Paulo reforçou os questionamentos sobre a privatização da Sabesp (SBSP3). Porém, não deve afetar o processo de desestatização da Companhia de Saneamento Básico. Pelo menos, é o que acredita o presidente da Sabesp, André Salcedo.

"É natural haver esse tipo de questionamento após o evento, que realmente impactou todos nós. A própria Sabesp sofreu com falta de luz em algumas instalações e isso acabou impactando a falta de água. Nesse sentido, gera um debate se o processo de privatização é benéfico ou não. Mas, no nosso entendimento, é benéfico", disse André Salcedo, sexta-feira (10).

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Segundo ele, a Sabesp e o Governo de São Paulo estão prontos para prestar esclarecimentos em relação ao modelo de privatização da companhia. Além disso, ele disse haver diferenças entre a concessão de energia elétrica e a concessão dos serviços de saneamento. Por isso, acredita que "o processo vai andar após esse esclarecimento acontecer".

Oposição questiona privatização

O apagão da última sexta-feira (3) em São Paulo ampliou o debate sobre a privatização e o modelo de regulação dos serviços públicos que são concedidos à iniciativa privada. Afinal, algumas áreas do Estado passaram quase uma semana para ter a energia restabelecida. O serviço é fornecido pela multinacional Enel (E1NI34). Agora, o governo do Estado também pretende privatizar a concessionária de água e saneamento.

O presidente da Sabesp disse, contudo, que a companhia conta com uma regulação robusta e tem trabalhado para garantir segurança hídrica para a população, em momentos atípicos. Ademais, considerou a possibilidade de revisar a regulação para garantir a tempestividade no atendimento da população e evitar qualquer tipo de interrupção do fornecimento dos serviços de água e saneamento.

Ele foi questionado sobre o assunto ao apresentar os resultados da Sabesp no terceiro trimestre de 2023, nesta sexta-feira (10). A companhia registrou um lucro líquido de R$ 846,3 milhões no período. O resultado é 21,7% menor que o do mesmo período de 2022, quando o lucro alcançou R$ 1,08 bilhão.

Governo se movimenta

A privatização da Sabesp foi proposta pelo governo do Estado de São Paulo. O projeto prevê a emissão de ações, a manutenção do poder de veto do Estado e a criação de um fundo para a redução da tarifa de água e esgoto. Porém, precisa ser aprovado pela Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo).

Com o apagão da última sexta-feira (3), os deputados contrários à proposta endureceram as críticas à privatização. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), por outro lado, reuniu deputados da base do governo para tratar do assunto e tentar acelerar a tramitação do projeto. Tarcísio quer aprovar a privatização da Sabesp ainda em 2023.