Petrobras (PETR4) já subiu mais de 20% no ano; ainda vale a pena investir?

A disparada levantou dúvidas entre os investidores sobre quanto dessa alta já está precificada e o que ainda pode sustentar o papel em 2026.

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Publicado em 30/01/2026 às 14:38h - Atualizado Agora Publicado em 30/01/2026 às 14:38h Atualizado Agora por Matheus Silva
Segundo o Goldman Sachs, a valorização reflete a combinação de três fatores (Imagem: Shutterstock)
Segundo o Goldman Sachs, a valorização reflete a combinação de três fatores (Imagem: Shutterstock)
🚀 As ações da Petrobras (PETR4) acumulam uma valorização surpreendente ao longo do ano e já figuram entre os maiores destaques do mercado brasileiro. 
Com ganhos superiores a 20% na B3 e desempenho ainda mais forte nos ADRs negociados em Nova York, o movimento levanta dúvidas entre os investidores sobre quanto dessa alta já está precificada e o que ainda pode sustentar o papel em 2026.
Segundo análises do Goldman Sachs, a valorização recente reflete principalmente a combinação de três fatores. O primeiro é a alta do petróleo no mercado internacional, com o Brent acumulando avanço relevante no ano. 
O segundo é a elevada exposição da Petrobras ao segmento de exploração e produção, que amplia a sensibilidade da empresa às oscilações da commodity. 
O terceiro fator é o fluxo consistente de capital estrangeiro para o Brasil, que impulsionou o desempenho do MSCI Brazil e beneficiou ações de grande liquidez, como a estatal.

Dividendos seguem como principal pilar da tese

Do ponto de vista de fundamentos, o Goldman estima que a Petrobras deve entregar um dividend yield entre 9% e 10% em 2026 e 2027, considerando um cenário de preços do Brent ao redor de US$ 67 e US$ 65 por barril, respectivamente. 
O banco destaca que, mesmo antes da recente alta das ações, o rendimento implícito já era elevado, o que sugere que boa parte do movimento recente está ligada à valorização do petróleo, e não a uma reprecificação estrutural profunda da companhia.
Ainda assim, um yield próximo de 10% é visto como razoável para a estatal, especialmente se combinado com uma execução operacional sólida. 
Caso os preços do petróleo se mantenham nos níveis atuais, a Petrobras pode continuar oferecendo um retorno atrativo ao acionista, com espaço para surpresas positivas ligadas à produção e à eficiência operacional.

Petróleo no centro das atenções e riscos no radar

O principal risco para o cenário construtivo, na avaliação do Goldman, seria uma correção no preço do petróleo. 
A equipe de commodities do banco estima que o Brent carrega atualmente um prêmio geopolítico entre US$ 5 e US$ 7 por barril, associado a tensões internacionais e restrições pontuais de oferta. Se esses fatores perderem força, em um contexto de excesso de oferta global, os preços podem ceder, pressionando tanto os resultados quanto as ações da Petrobras.
Por outro lado, novos episódios de tensão geopolítica ou um dólar globalmente mais fraco poderiam sustentar o petróleo em patamares elevados por mais tempo, reduzindo o risco de uma correção mais acentuada no papel.

Produção deve crescer e sustentar resultados

Outro ponto central para 2026 é a trajetória de produção. O Goldman projeta um crescimento de cerca de 10% na produção de petróleo da Petrobras no próximo ano, após um avanço estimado de 11% em 2025. 
Esse desempenho seria impulsionado pela entrada de novos FPSOs, pelo ramp-up de plataformas recém-inauguradas e pela maior eficiência operacional no pré-sal.
A estimativa do banco fica acima do consenso de mercado e do ponto médio do guidance da companhia, o que indica potencial de revisões positivas caso os cronogramas sejam antecipados ou a execução supere as expectativas. 
Ainda que existam riscos operacionais, como paradas para manutenção, o balanço de riscos segue relativamente equilibrado.

Eleições e governança entram no jogo

O Goldman não faz projeções eleitorais, mas avalia que uma eventual mudança para uma administração mais pró-mercado em 2026 poderia ser bem recebida pelos investidores, especialmente se vier acompanhada de maior previsibilidade na política de preços e na alocação de capital.
Ao mesmo tempo, o banco destaca que a governança da Petrobras tem se mostrado resiliente nos últimos anos, limitando interferências mais severas tanto na política de preços de combustíveis quanto nas decisões estratégicas. 
Desde 2023, a estatal tem mantido preços alinhados, em média, às referências internacionais, enquanto investimentos fora do core business seguem representando parcela marginal do capex.

Comparação com pares e visão do mercado

Na comparação com outras estatais e petroleiras globais, o Bradesco BBI avalia que a Petrobras já começa a parecer menos barata quando observada pelo prisma do dividend yield, especialmente frente a algumas petroleiras privadas internacionais. 
Ainda assim, a estatal segue oferecendo um retorno atrativo em termos absolutos, apoiado pela geração de caixa robusta e pela escala dos seus ativos.
Apesar disso, o Goldman mantém recomendação de compra para a Petrobras, com preços-alvo de R$ 35,00 para PETR3 e R$ 32,80 para PETR4, sustentados por um múltiplo de 3,4 vezes EV/Ebitda. 
A tese se apoia em quatro pilares principais: dividendos elevados, desempenho operacional sólido, governança resiliente e uma visão construtiva de longo prazo para a demanda global por petróleo.

O que fica no radar para 2026

Em síntese, a Petrobras entra em 2026 com boa parte das notícias positivas já refletidas no preço, mas ainda sustentada por fundamentos robustos. Dividendos elevados, crescimento da produção e governança relativamente sólida seguem como âncoras da tese. 
📊 Por outro lado, o comportamento do petróleo, o cenário político e o câmbio serão determinantes para definir se a ação terá fôlego adicional ou passará por um período de acomodação após o rali recente.

PETR4

Petrobrás
Cotação

R$ 37,77

Variação (12M)

9,58 % Logo Petrobrás

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DY

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P/VP

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