“Nunca vi uma era dourada sem um crash” — e a da IA não será diferente

Quem faz o diagnóstico é a economista e historiadora venezuelana Carlota Perez, referência mundial em estudos sobre ciclos tecnológicos.

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Publicado em 28/08/2025 às 20:24h - Atualizado 7 horas atrás Publicado em 28/08/2025 às 20:24h Atualizado 7 horas atrás por Matheus Silva
Apesar da empolgação, investidores começam a questionar o retorno real sobre o capital (Imagem: Shutterstock)
Apesar da empolgação, investidores começam a questionar o retorno real sobre o capital (Imagem: Shutterstock)

🚨 Um alerta vem chamando a atenção dos mercados: a atual euforia em torno da inteligência artificial (IA) e das criptomoedas, somada ao crescimento acelerado da dívida global, pode estar criando a maior bolha financeira da história moderna.

Quem faz o diagnóstico é a economista e historiadora venezuelana Carlota Perez, referência mundial em estudos sobre ciclos tecnológicos e autora do clássico “Technological Revolutions and Financial Capital: The Dynamics of Bubbles and Golden Ages” (Revoluções Tecnológicas e Capital Financeiro).

Segundo Perez, todos os ciclos de inovação — da Revolução Industrial ao boom da internet — foram marcados por fases de investimento excessivo, especulação e, inevitavelmente, crashes. O que vivemos hoje, afirma, não é diferente.

O tamanho da aposta em IA

Os números impressionam. O JP Morgan estima que apenas nos Estados Unidos os investimentos em infraestrutura de IA podem alcançar US$ 3 trilhões até 2030.

Amazon (AMZO34), Google (GOOGL34), Meta (M1TA34) e Microsoft (MSFT34) devem gastar US$ 750 bilhões até 2026 em data centers capazes de treinar modelos de linguagem e aplicações generativas.

Essa corrida é estratégica. Recentemente, o governo americano desembolsou US$ 8,9 bilhões para adquirir 10% da Intel, numa rara aliança entre Estado e setor privado para fortalecer a indústria de chips em meio à disputa tecnológica com a China.

O impacto é direto sobre os mercados: segundo estimativas, esse movimento pode adicionar até US$ 16 trilhões à capitalização do S&P 500, principal índice da bolsa americana.

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A bolha da IA já dá sinais?

Apesar da empolgação, investidores começam a questionar o retorno real sobre o capital. O caso da Nvidia (NVDC34) é emblemático: a companhia reportou receita recorde de US$ 46,7 bilhões no segundo trimestre, mas suas ações caíram 5% logo após o anúncio.

O próprio Sam Altman, CEO da OpenAI, já admitiu: “alguns investidores provavelmente vão perder muito dinheiro”.

Isso porque a OpenAI, dona do ChatGPT, continua deficitária, dado o alto custo de infraestrutura para manter e treinar seus modelos, apesar de já ter 700 milhões de usuários semanais.

Perez alerta: “Nunca vi uma era dourada acontecer sem um crash.”

Criptomoedas e dívida global adicionam combustível

A ascensão das criptomoedas, com valorizações exponenciais de ativos como Bitcoin e Ethereum, reforça o componente especulativo do ciclo atual.

Paralelamente, a dívida global já ultrapassa três vezes o PIB mundial, ampliando a vulnerabilidade do sistema financeiro.

A combinação de excesso de liquidez, especulação tecnológica e endividamento cria o que Perez chama de “gatilho para uma instabilidade gigantesca”.

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O lado positivo das bolhas

Apesar dos riscos, Perez destaca que bolhas financeiras têm um papel crucial, elas forçam o capital a financiar a infraestrutura necessária para a difusão tecnológica. Foi assim na construção de ferrovias no século XIX e da internet nos anos 2000.

A diferença agora é a velocidade da adoção da IA e a concentração de poder nas big techs, o que pode gerar desequilíbrios sociais e políticos mais profundos, além do risco de manipulação digital em escala inédita.

📊 Segundo a historiadora, caberá à regulação e às escolhas sociais garantir que a próxima “era dourada” não seja apenas das empresas de tecnologia, mas da sociedade como um todo.

NVDC34

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