Fictor: Empresa que tentou comprar o Master pede recuperação judicial

Com cerca de R$ 4 bi em dívidas, grupo diz que sua reputação foi afetada pela crise do Master.

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Publicado em 02/02/2026 às 11:52h - Atualizado Agora Publicado em 02/02/2026 às 11:52h Atualizado Agora por Marina Barbosa
Fictor é patrocinador do Palmeiras (Foto: Palmeiras/Divulgação)
Fictor é patrocinador do Palmeiras (Foto: Palmeiras/Divulgação)
O Grupo Fictor pediu recuperação judicial no domingo (1º) para tentar reestruturar o pagamento de aproximadamente R$ 4 bilhões em dívidas, em um mais um desdobramento da crise envolvendo o Banco Master.
🏦 O grupo atua com serviços financeiros, infraestrutura e alimentos, por meio de empresas como Fictor Pay, Fictor Energia e Fictor Alimentos (FICT3). Além disso, é patrocinador do Palmeiras. 
O Fictor apresentou uma proposta para comprar o Master em conjunto com um consórcio de investidores árabes em novembro de 2025, um dia antes de a instituição ser liquidada pelo BC (Banco Central).
A proposta previa um aporte de R$ 3 bilhões para o fortalecimento da estrutura de capital do Master. Ainda assim, clientes do Fictor relataram atrasos no pagamento dos seus investimentos após esse episódio.

Fictor atribui crise ao Master

Ao pedir recuperação judicial, neste domingo (1º) o grupo alegou que a sua reputação foi atingida por especulações negativas que atingiram "duramente" a liquidez da Fictor Invest e da Fictor Holding depois da liquidação do Master, o que gerou os atrasos.
Diante desses problemas, o Fictor tentou implementar um plano de reestruturação que envolveu a diminuição da sua estrutura física e equipe de funcionários. Contudo, acabou pedindo recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo.
💲 Segundo a empresa, o objetivo é "equilibrar a operação e assegurar o pagamento dos compromissos financeiros, com foco nos sócios participantes - que representam a maior parte dos credores".
"A medida busca criar um ambiente de negociação estruturada e com tratamento isonômico, que possa garantir a continuidade das atividades de forma sustentável", afirmou o grupo, que fez questão de creditar a medida à crise envolvendo o Master.
"O pedido de recuperação judicial é consequência da crise de liquidez momentânea originada a partir de 18 de novembro do ano passado, quando o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master", declarou, em um comunicado.
A companhia disse ainda que pretende quitar as suas dívidas sem nenhum desconto, mas pretende renegociar os prazos e as condições de pagamento para preservar as suas operações e mais de 10 mil empregos diretos e indiretos. Para isso, a empresa pediu que a Justiça suspenda execuções e bloqueios por um prazo inicial de 180 dias.

Fictor Alimentos desaba na B3

O pedido de recuperação judicial abrange o braço financeiro do grupo, que inclui a Fictor Holding e a Fictor Invest. Porém, não inclui subsidiárias como a Fictor Alimentos.
À frente do processo, o advogado Carlos Deneszczuk ressaltou que os ativos operacionais do Fictor seguem funcionando. Segundo ele, o objetivo é que as empresas economicamente viáveis não sejam afetadas pelo processo e, por isso, possam manter as suas atividades em meio à reestruturação financeira do grupo.
📉 Ainda assim, as ações da Fictor Alimentos derretem na bolsa nesta segunda-feira (2). Às 12h, o papel recuava 28,07% e era cotado a R$ 0,82.
Esta é a principal subsidiária industrial do grupo, com unidades em Minas Gerais e Rio de Janeiro que geram cerca de 3,5 mil empregos diretos, além de 10 mil empregos indiretos.

FICT3

FICTORALIMEN
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