❌ A forte queda das ações da
Totvs (TOTS3) nos últimos pregões reacendeu o interesse de analistas e investidores. Para o Safra, o movimento de baixa foi exagerado e criou uma oportunidade clara de compra no curto prazo.
Nesta quinta-feira (5), o banco passou a recomendar a compra das ações da empresa de tecnologia, após uma desvalorização de cerca de 20% desde o pico registrado em janeiro de 2026.
Segundo os analistas Cauê Pinheiro, Yves Adam e Luana Nunes, a queda levou o papel a um nível considerado atrativo do ponto de vista técnico. “Consideramos a correção recente excessiva, o que trouxe a ação para um patamar de buy opportunity”, afirmam no relatório Trade Idea.
Medo da IA é “sem fundamento”, diz Safra
Na avaliação do Safra, o principal gatilho para o sell-off (o aumento do receio global com o impacto da
inteligência artificial sobre empresas de software) não encontra respaldo nos fundamentos da companhia.
Para o banco, não há risco iminente ao modelo de negócios da Totvs, que segue bem posicionada em seu mercado principal.
Outro ponto relevante é que o potencial de valorização estimado pelo Safra, de cerca de 25% até o fim do ano, ainda não incorpora os efeitos da aquisição da Linx, aprovada pelo Cade na última sexta-feira (30).
Para o horizonte mais longo, o banco mantém recomendação neutra e preço-alvo de R$ 47 para o fim de 2026.
Resultados no radar e gatilhos de curto prazo
Além do aspecto técnico, o Safra espera continuidade de resultados consistentes. A Totvs divulga o balanço do quarto trimestre de 2025 (4T25) na próxima quarta-feira (11), após o fechamento do mercado, com teleconferência marcada para o dia seguinte.
Na visão do banco, a proximidade do balanço, somada ao excesso de pessimismo já precificado, reforça a assimetria positiva para quem busca uma entrada tática no papel neste momento.
Sob a ótica técnica, a analista Luana Nunes destaca que o papel esticou o movimento de baixa e começa a dar sinais de possível reversão no curto prazo.
A recomendação é de compra, com alvo em R$ 44,10, o que representa um ganho relevante frente às cotações atuais.
Itaú BBA também vê exagero do mercado
A leitura de que o mercado pode ter ido longe demais na correção é compartilhada pelo Itaú BBA. Após a queda abrupta, o banco saiu em defesa da Totvs, argumentando que o movimento foi muito mais técnico e ligado a fluxo do que a uma deterioração real dos fundamentos.
O estopim para a aversão global foi o lançamento de novas soluções da Anthropic, dona do Claude, que reacendeu o debate sobre o impacto da IA na camada de aplicações corporativas.
Isso levantou temores de desintermediação em áreas como jurídico, marketing, vendas e análise de dados, segmentos relevantes para empresas de software.
Fundamentos seguem intactos, dizem analistas
Para o Itaú BBA, no entanto, esse receio não altera a tese estrutural da Totvs. “Os fundamentos não mudaram. O que mudou foi o sentimento global e o posicionamento dos investidores”, afirmam os analistas liderados por Maria Clara Inantozzi.
O banco destaca que o papel vinha negociando com prêmio de valuation e que a correção também reflete um ajuste técnico em meio a maior aversão a risco.
Além disso, cerca de 90% da base acionária da Totvs é composta por investidores estrangeiros, o que torna o papel mais sensível a mudanças abruptas de fluxo global.
Mesmo com o ruído recente, o Itaú BBA mantém visão construtiva. A casa vê uma assimetria positiva de risco-retorno nos níveis atuais e reforça que a Totvs tende a ser menos vulnerável aos ventos contrários da IA, devido aos altos custos de troca de sistemas ERP e à força de sua distribuição.
📈 O banco mantém recomendação outperform para a ação, com preço-alvo de R$ 60. Para os analistas, o mercado pode estar superestimando os riscos e subestimando a capacidade da Totvs de capturar valor justamente a partir da própria evolução da inteligência artificial.