Copom reduz Selic para 10,75% e indica mais um corte de 0,5 p.p.

Comitê ajustou o guidance, em função do cenário incerto e da necessidade de maior flexibilidade na condução da política monetária.

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Publicado em 20/03/2024 às 18:41h - Atualizado 2 meses atrás Publicado em 20/03/2024 às 18:41h Atualizado 2 meses atrás por Marina Barbosa
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O Copom (Comitê de Política Monetária) voltou a cortar a taxa Selic nesta quarta-feira (20). Com isso, a taxa básica de juros da economia brasileira caiu de 11,25% para 10,75%.

💲 O corte de 0,5 ponto percentual era esperado pelo mercado e levou a Selic para o menor patamar em praticamente dois anos. A última vez que a taxa esteve neste nível foi entre fevereiro e março de 2022.

A taxa básica de juros atingiu 13,75% em agosto de 2022, mas vem caindo desde agosto de 2023 em meio à desaceleração da inflação. Já foram seis cortes consecutivos de 0,5 ponto percentual desde então, contando com o desta quarta-feira (20).

Para o Copom, o novo corte é "compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante, que inclui o ano de 2024 e, em grau maior, o de 2025".

"Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego", acrescentou.

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Mais 1 corte de 0,5 p.p.

O Copom, no entanto, alterou o trecho do comunicado que traz a sua perspectiva para as próximas decisões de política monetária. Nas reuniões anteriores, o guidance era manter o ritmo de corte da Selic "nas próximas reuniões", no plural. Mas, desta vez, o Copom usou o singular ao antecipar um novo corte de 0,5 ponto percentual dos juros.

🏦 "Em função da elevação da incerteza e da consequente necessidade de maior flexibilidade na condução da política monetária, os membros do Comitê, unanimemente, optaram por comunicar que anteveem, em se confirmando o cenário esperado, redução de mesma magnitude na próxima reunião", diz o comunicado do Copom desta quarta-feira (20). 

Para o Copom, "a conjuntura atual, caracterizada por um estágio do processo desinflacionário que tende a ser mais lento, expectativas de inflação com reancoragem apenas parcial e um cenário global desafiador, demanda serenidade e moderação na condução da política monetária". 

Além disso, o comitê reforçou a "necessidade de perseverar com uma política monetária contracionista até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas" e a importância da "firme persecução" das metas fiscais, dizendo que essas metas são relevantes para a ancoragem das expectativas de inflação e, consequentemente, para a condução da política monetária.

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Inflação

A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 7 e 8 de maio. Se a previsão de um novo corte de 0,5 ponto percentual se confirmar, a Selic chegará a 10,25%. A expectativa do mercado, no entanto, é de que a Selic siga caindo e termine o ano em 9%.

O mercado, contudo, também vem elevando as projeções para a inflação de 2024. No Boletim Focus desta semana, por exemplo, a projeção para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) subiu de 3,77% para 3,79%. Por isso, havia dúvidas se o Copom manteria a perspectiva de novos cortes de 0,5 ponto percentual da Selic.

O BC (Banco Central) ajusta a taxa básica de juros de olho na meta anual de inflação. E a meta de inflação é de 3%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, em 2024 e em 2025.

Na avaliação do Copom, a inflação cheia ao consumidor tem mantido uma trajetória de desinflação no Brasil, mas as "medidas de inflação subjacente se situaram acima da meta para a inflação nas divulgações mais recentes".

O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) avançou 0,42% em janeiro e 0,83% em fevereiro, acima do esperado. Com isso, já acumula uma alta de 1,25% em 2014.

O Copom acredita que a inflação será de 3,5% em 2024, mas projeta uma alta de 4,4% para os preços administrados e ainda vê riscos, tanto de alta, quanto de baixa, para o índice de preços.

"O Comitê avalia que as conjunturas doméstica e internacional estão mais incertas, exigindo cautela na condução da política monetária", afirmou.