Copom não deve cortar juros na reunião desta semana, entenda

Mercado acredita que a Selic será mantida nos atuais 10,50% devido ao aumento das incertezas.

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Publicado em 18/06/2024 às 07:22h - Atualizado 1 mês atrás Publicado em 18/06/2024 às 07:22h Atualizado 1 mês atrás por Marina Barbosa
Copom se reúne nesta terça e quarta-feira (Shutterstock)
Copom se reúne nesta terça e quarta-feira (Shutterstock)

O Copom (Comitê de Política Monetária) volta a se reunir nesta terça (18) e quarta-feira (19) para definir o rumo da taxa Selic. A expectativa do mercado, no entanto, é de que os juros continuem em 10,50%.

A taxa básica de juros da economia brasileira, conhecida como taxa Selic, foi cortada nas últimas sete reuniões do Copom. Com isso, passou de 13,75% em agosto de 2023 para os atuais 10,50%. 

🏦 A última reunião, no entanto, marcou uma mudança na postura do Copom. O comitê reduziu o ritmo de corte da Selic, de 0,50 ponto percentual para 0,25 ponto percentual, em uma decisão apertada. Além disso, abandonou o guidance que indicava a manutenção do corte dos juros. 

Sem guidance, o Copom ganhou liberdade para manter, mudar ou até mesmo interromper o ciclo de afrouxamento da política monetária. E o mercado acredita que o comitê decidirá pausar ou até mesmo encerrar os cortes da Selic na reunião desta semana. Afinal, as incertezas aumentaram nos últimos 45 dias.

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O racha do Copom levantou questões sobre o controle da inflação após o processo sucessório do Banco Central, que terá um novo presidente em 2025. Além disso, as dúvidas sobre a sustentabilidade fiscal se fortaleceram. Com isso, o dólar e as expectativas de inflação dispararam. 

💲 De acordo com o Boletim Focus, o mercado acredita que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) subirá 3,96% em 2024 e 3,80% em 2025. A meta perseguida pelo Banco Central, no entanto, é de 3%. 

Consequentemente, os analistas também elevaram as projeções para a Selic. Inicialmente, a expectativa era de que os juros terminassem o ano em um dígito. Agora, no entanto, o mercado acredita que a Selic será mantida nos atuais 10,50% até o fim de 2024.

Afinal, a taxa Selic é o instrumento mais usado pelo Banco Central para controlar o avanço da inflação. E o Copom ressaltou na última reunião que "a política monetária deve se manter contracionista até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas". 

"A extensão e a adequação de ajustes futuros na taxa de juros serão ditadas pelo firme compromisso de convergência da inflação à meta", enfatizou o comunicado do Copom.

O que diz o mercado

"O mercado deteriorou significativamente, especialmente no Brasil. Isso faz com que cheguemos a este momento de pausa na Selic com patamares muito mais altos do que outros bancos centrais da região", comentou o estrategista-chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz.

"O Copom adotará um tom mais cauteloso nesta reunião, evitando novos cortes de juros. É crucial restabelecer a credibilidade do mercado quanto ao controle da inflação antes que o Banco Central sinalize novos cortes", reforçou o sócio e analista buy-side da Fundamenta Investimento, Jonas Scorza Floriani.

Diante do entendimento de que a Selic não mudará nesta semana, a expectativa do mercado é pelo placar do Copom. Afinal, o Copom se dividiu na última reunião, entre os membros indicados pelo governo Lula (PT), que votaram em um corte de 0,50 ponto percentual da Selic, e os membros indicados no governo Bolsonaro (PL), que sustentaram o corte de 0,25 ponto percentual dos juros.

Economista-chefe da Constância Investimentos, Alexandre Lohmann explicou que o racha do Copom "gerou muitos ruídos e receios sobre o comprometimento do Banco Central na luta contra a inflação". "Caso haja uma decisão unânime ou uma maioria significativa a favor da manutenção dos juros, isso poderia diminuir parcialmente o risco associado à transição no comando do Banco Central", afirmou.

Além disso, lembra o Santander, é importante prestar atenção nas possíveis indicações sobre os próximos passos do Copom.

"Tão importante quanto a harmonia na decisão, será fundamental também avaliar se haverá indicação dos próximos passos, isto é, será uma pausa no ciclo de flexibilização monetária ou o ponto de partida de um novo ciclo de aperto? Entendemos que a primeira é a alternativa mais provável, mas passamos a palavra ao Copom", disse o Santander, em relatório.