Brasil lidera endividamento entre emergentes, aponta relatório da OCDE

País concentra 15% do PIB em dívida e integra grupo que responde por 78% das emissões.

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Publicado em 04/03/2026 às 11:21h - Atualizado Agora Publicado em 04/03/2026 às 11:21h Atualizado Agora por Wesley Santana
Real brasileiro é uma das moedas que mais se valorizaram em 2026 (Imagem: Shutterstock)
Real brasileiro é uma das moedas que mais se valorizaram em 2026 (Imagem: Shutterstock)

O Brasil tem chamado a atenção dos órgãos internacionais pelo alto nível de endividamento público. Entre os países emergentes, a nação aparece com o maior grau de dívida, conforme o Relatório Global da Dívida, publicado nesta quarta-feira (4) pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Junto da China, Índia, Egito e Argentina, o país representa quase 78% de todas as emissões de dívidas feitas pelos países desta categoria. No entanto, o índice individual é de 15% do PIB (Produto Interno Bruto), o que estaria na média de outras nações e bem abaixo do indicador dos países desenvolvidos, caso dos Estados Unidos (84%) e da Holanda (126%).

Os países emergentes têm um perfil de dívida um pouco menos alongado, com a maioria dos títulos vencendo em até três anos. Enquanto isso, há países que fazem endividamento para 100 anos, mas isso esbarra na confiança do mercado em relação a cada economia.

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Nesta linha, o Brasil viu a perspectiva dos investidores mudar nos últimos meses, o que fez com que o spread caísse 53 pontos-base. O movimento só foi menor que o da Turquia, que registra recuo de 57 pontos-base.

O relatório apresenta um panorama dos países que compõem ou são parceiros da OCDE, que são apenas 38. Juntos, eles representam quase 80% do comércio internacional, portanto, são uma fatia importante e representativa da economia global.

Endividamento global cresce

O relatório também mostrou que o endividamento público global deve aumentar ainda mais em 2026, embora tenha permanecido estável no ano passado. No total, os países vão somar uma dívida bruta de US$ 109 trilhões, número que é equivalente a 93% do PIB global.

O valor projetado é bastante superior ao constatado há dez anos, quando o resultado era de 81% do PIB global. As tensões geopolíticas e disputas comerciais incentivaram a tomada de empréstimos pelos países, elevando o nível global de dívidas.

E esse número vem aumentando de forma exponencial, com os países emitindo dívidas de forma significativa. Em 2025, no cálculo que inclui as empresas, o mercado de crédito somou US$ 29 trilhões, aumentando em 17% o resultado do ano anterior.

Só os países que compõem a OCDE devem colocar mais de US$ 18 trilhões em títulos soberanos nas ruas até o próximo mês de dezembro. Com isso, a relação dívida/PIB deve avançar para 85%, ainda de acordo com o levantamento.

“Os mercados globais de dívida permaneceram resilientes, com os empréstimos atingindo níveis recordes, mas os custos do serviço da dívida estão aumentando e as necessidades de financiamento relacionadas à inteligência artificial crescem de forma acentuada”, disse o secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann.