BC decreta liquidação extrajudicial da Reag, por suspeita de fraudes

A gestora é investigada por ligações com o Banco Master e com o crime organizado.

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Publicado em 15/01/2026 às 09:01h - Atualizado Agora Publicado em 15/01/2026 às 09:01h Atualizado Agora por Marina Barbosa
Reag agora é chamada de CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (Imagem: Facebook/Reprodução)
Reag agora é chamada de CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (Imagem: Facebook/Reprodução)
O BC (Banco Central) decretou nesta quinta-feira (15) a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, a antiga Reag.
🚨 Segundo o BC, a decisão foi motivada por "graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional".
Entre as maiores gestoras de ativos independentes do país, a Reag tornou-se alvo de investigações nos últimos meses por causa de supostas ligações com o crime organizado.
A gestora foi um dos alvos da Operação Carbono Oculto, que em agosto de 2025 revelou o envolvimento de fintechs, fundos de investimentos e empresas de combustíveis em um esquema de fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.
Depois disso, também foi citada nas investigações sobre o Banco Master. A suspeita era de que o Master concedia empréstimos suspeitos a determinadas empresas e que parte desse dinheiro foi para fundos da Reag, que, com isso, multiplicaram seu patrimônio em poucos dias.
Diante da suspeita, o fundador da Reag, João Carlos Mansur, foi um dos alvos da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na quarta-feira (14) pela PF (Polícia Federal) para "apurar a prática dos crimes de organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de capitais".
Depois que as primeiras suspeitas vieram à tona, Mansur vendeu a sua participação na Reag Investimentos -gestora listada na bolsa de valores, que passou a se chamar Arandu Investimentos (ARND3) depois da troca de comando.
A Reag Capital Holding também chegou a abrir tratativas para a venda da Ciabrasf (Companhia Brasileira de Serviços Financeiros), a CBSF. Contudo, não apresentou mais informações sobre o negócio até a sua liquidação, nesta quinta-feira (15).

O que acontece agora?

🏦 A liquidação é decretada quando o BC avalia que a situação financeira da empresa é irrecuperável ou quando são cometidas graves infrações às normas que regulam sua atividade.
Com isso, a instituição tem suas atividades interrompidas e é retirada do sistema financeiro nacional. Ou seja, deixa de funcionar.
Além disso, os controladores e ex-administradores da Reag ficaram com seus bens bloqueados a partir da liquidação, nesta quinta-feira (15). 
Em nota, o BC disse que "continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais". 
"O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis", acrescentou.

Outra liquidação

💵 O BC também decretou nesta quinta-feira (15) a liquidação extrajudicial da Advanced Corretora de Câmbio Ltda.
A decisão foi motivada por "graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional", mas também considerou o "comprometimento da situação econômico-financeira da corretora".

BC afasta risco

Apesar do aumento do número de liquidações nos últimos meses, o BC tentou garantir a estabilidade do Sistema Financeiro Nacional.
Em nota, a autoridade monetária destacou que a Reag respondia por menos de 0,001% do ativo total ajustado do sistema e que a Advanced operacionalizou apenas 0,081% do volume financeiro e 0,14% da quantidade de operações de câmbio registradas em 2025.
O presidente do BC, Gabriel Galípolo, também já chegou a dizer que o Banco Master não representava uma ameaça à saúde do sistema financeiro brasileiro.
A liquidação, no entanto, foi questionada pelo TCU (Tribunal de Contas da União), que deve realizar uma inspeção no BC sobre o assunto.
Diante do imbróglio, o FGC (Fundo Garantidor de Crédito) ainda aguarda a lista de credores do Master para poder dar início ao reembolso de quem investiu nos CDBs do banco.