BBA corta lucro do Banco do Brasil (BBAS3) para R$ 21 bi e aponta risco de queda

Para os analistas, a valorização recente não está ancorada nos fundamentos da instituição, mas sim no forte fluxo de capital estrangeiro.

Publicado em 20/03/2026 às 17:12h Publicado em 20/03/2026 às 17:12h por Matheus Silva
Nos cálculos do BBA, o BB negocia a 0,7x o valor patrimonial e a 6x o P/L  (Imagem: Shutterstock)
Nos cálculos do BBA, o BB negocia a 0,7x o valor patrimonial e a 6x o P/L (Imagem: Shutterstock)
🚨 As ações do Banco do Brasil (BBAS3) se aproximaram dos R$ 30, nível em que eram negociadas antes de resultados que comprimiram o lucro em 60%. 
O movimento, no entanto, acende um alerta no Itaú BBA, que atualizou o preço-alvo do papel para R$ 23, o que implica potencial de queda de 6% frente ao último fechamento, e cortou a projeção de lucro para R$ 21 bilhões, abaixo do próprio guidance do banco.
Para os analistas do BBA, a valorização recente não está ancorada nos fundamentos da instituição, mas sim no forte fluxo de capital estrangeiro para mercados emergentes. 
No ano, o investidor externo aportou R$ 40 bilhões na bolsa brasileira, beneficiando papéis que negociavam com desconto em relação ao valor patrimonial, como o BB.
"Recomendamos que os investidores priorizem a qualidade em busca de momentum e visibilidade nos lucros", afirmou o Itaú BBA, que mantém recomendação de compra para Bradesco (BBDC4) e Nubank (ROXO34) no lugar do BB.

Agronegócio segue como principal vetor de risco para o banco

O Itaú BBA avalia que as margens dos produtores rurais, apesar de um breve alívio recente, tendem a voltar a um cenário de pressão.
O excesso de oferta de grãos e a valorização do dólar no ano deterioram a rentabilidade do setor, afetando mais as receitas dos produtores do que seus custos, já que a maior parte dos insumos foi adquirida com câmbio depreciado.
O banco também aponta a queda nos preços da soja como preocupação crescente. As cotações saíram de R$ 120 por saca em outubro de 2025 para cerca de R$ 100 no mercado à vista. 
A disparada do petróleo e os juros ainda elevados, após o Copom reduzir a Selic em apenas 0,25 ponto percentual na última quarta-feira (18), representam pressões adicionais sobre o caixa dos agricultores.
"No geral, os lucros dos agricultores devem permanecer pressionados, gerando despesas adicionais com provisões para o BB. Os dados também apontam para baixas contábeis prolongadas por parte do banco, essencialmente adiando parte do que já poderia ter sido reconhecido em provisões", afirmaram os analistas.

Múltiplos parecem baratos, mas Itaú BBA vê armadilha no valuation

Nos cálculos do BBA, o BB negocia a 0,7x o valor patrimonial e a 6x o lucro por ação, com dividend yield de cerca de 5%. Para o banco, porém, os múltiplos aparentemente descontados escondem um cenário de risco-retorno desfavorável.
"Nossas estimativas estão 15% abaixo do que eram há seis meses, embora a ação esteja cerca de 8% mais alta, criando um cenário de risco-retorno desfavorável. Acreditamos na história de longo prazo do banco, mas reiteramos nossa visão cautelosa sobre suas ações", concluiu o Itaú BBA.

Bradesco é a preferência do BBA entre os bancões

Entre as alternativas, o Itaú BBA destaca o Bradesco como principal aposta no setor bancário, com projeção de R$ 29 bilhões em lucros e crescimento de 19% no LPA, além de expansão do spread entre ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido) e custo de capital. 
📈 "A recente transação com o Bradesco Saúde aumenta ainda mais as chances de uma reavaliação e/ou aumento de capital para crescimento e/ou pagamento de dividendos", avaliou o banco.

BBAS3

Banco do Brasil
Cotação

R$ 23,12

Variação (12M)

-16,24 % Logo Banco do Brasil

Margem Líquida

4,29 %

DY

3.53%

P/L

9,67

P/VP

0,70