Bancos vão repassar R$ 32,5 bi ao FGC para cobrir rombo do Master; veja impactos

Itaú, Bradesco e Banco do Brasil devem pagar a maior parte dessa conta, segundo analistas.

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Publicado em 06/03/2026 às 12:53h - Atualizado 1 minuto atrás Publicado em 06/03/2026 às 12:53h Atualizado 1 minuto atrás por Marina Barbosa
Objetivo é recompor o caixa do FGC após escândalo do Master (Imagem: Shutterstock)
Objetivo é recompor o caixa do FGC após escândalo do Master (Imagem: Shutterstock)
Os bancos brasileiros vão repassar R$ 32,5 bilhões para o FGC (Fundo Garantir de Crédito) no próximo dia 25 de março.
🏦 O repasse corresponde à antecipação das contribuições que seriam feitas ao longo dos próximos cinco anos e busca recompor o caixa do fundo após o escândalo do Banco Master.
"A medida tem por finalidade assegurar a solidez patrimonial do FGC e garantir a plena capacidade de cumprimento de suas obrigações, em estrita observância à legislação vigente e às disposições estatutárias", informou o FGC.

O efeito Master

O FGC garante o reembolso de depósitos e investimentos realizados em instituições financeiras que são alvo de intervenção ou liquidação pelo BC (Banco Central). 
💰 Por isso, precisou desembolsar bilhões de reais depois que o BC decretou a liquidação extrajudicial do Master e de outras instituições ligadas ao banco.
O fundo prevê o reembolso de R$ 40,6 bilhões apenas para correntistas e investidores do conglomerado do Master, o que inclui os aportes realizados nos CDBs da instituição. 
Além disso, deve liberar R$ 6,3 bilhões para os credores do Will Bank, o banco digital do Master, e R$ 4,9 bilhões, para os credores do Banco Pleno, que pertencia ao ex-sócio de Vorcaro, Augusto Ferreira Lima.
Os reembolsos somam cerca de R$ 52 bilhões. Por isso, devem consumir quase metade da liquidez do FGC, que era de R$ 121 bilhões ao final do primeiro semestre de 2025.

Bancos pagam a conta

O FGC é financiado por recursos das instituições financeiras associadas ao fundo e não com dinheiro público. Por isso, para recompor o seu caixa, costurou um acordo para a antecipação das contribuições feitas pelos bancos.
Ao todo, 187 instituições financeiras estavam associadas ao FGC no final de 2025, entre bancos e fintechs.
📊 Os grandes bancos, contudo, pagarão a maior parte da conta deixada pelo Master, pois o valor da contribuição é equivalente à base de clientes e aos recursos elegíveis à cobertura do FGC de cada instituição.
Projeções do Citi publicadas pelo "Broadcast" indicam que só o Itaú (ITUB4) deve repassar mais de R$ 8 bilhões ao FGC por meio dessa antecipação de contribuição. Já o Bradesco (BBDC4) deve custear outros R$ 7 bilhões.
Já o Banco do Brasil (BBAS3) projeta um impacto contábil imediato da ordem de R$ 5 bilhões.
A Caixa Econômica Federal deve efetuar um repasse similar, segundo o Citi. Ainda assim, o presidente da Caixa, Marcos Brasiliano, acredita que esses pagamentos terão um impacto limitado no balanço dos bancos.
Isso porque o BC (Banco Central) permitiu que os bancos deduzam essa contribuição dos seus depósitos compulsórios. Ou seja, dos recursos que os bancos precisam deixar retidos junto ao BC para garantir a segurança do sistema financeiro e o volume de dinheiro em circulação no mercado. Segundo o BC, essa medida pode liberar R$ 30 bilhões em 2026.