Trump indica Kevin Warsh para presidência do Fed e aposta em corte de juros

Se aprovado pelo Senado, o novo chairman cumprirá mandato de quatro anos a partir de 1º de fevereiro, no lugar de Stephen Miran.

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Publicado em 04/03/2026 às 17:00h - Atualizado Agora Publicado em 04/03/2026 às 17:00h Atualizado Agora por Matheus Silva
Warsh deverá substituir Jerome Powell após o encerramento de seu mandato em 15 de maio (Imagem: Shutterstock)
Warsh deverá substituir Jerome Powell após o encerramento de seu mandato em 15 de maio (Imagem: Shutterstock)
🚨 O presidente dos EUA, Donald Trump, enviou nesta quarta-feira (4) ao Senado americano a indicação formal de Kevin Warsh para assumir a presidência do Fed (Federal Reserve), o banco central dos EUA. A indicação foi confirmada em comunicado publicado no site da Casa Branca.
Warsh deverá substituir Jerome Powell após o encerramento de seu mandato em 15 de maio. Em caso de aprovação pelo Senado, o novo chairman cumpriria um mandato de quatro anos a partir de 1º de fevereiro, ocupando a vaga atualmente preenchida pelo membro do Conselho de Governadores do Fed, Stephen Miran.
Miran também indicado por Trump em setembro do ano passado e possui um posicionamento igualmente favorável ao corte de juros.

Quem é Kevin Warsh

Warsh não é um nome novo no Fed. O economista integrou o Conselho de Governadores da instituição entre 2006 e 2011, período que incluiu o colapso do Lehman Brothers, os resgates ao sistema bancário e o início das políticas não convencionais de estímulo monetário.
Durante a crise financeira de 2008, atuou diretamente nas negociações entre o Tesouro americano, o banco central e grandes instituições financeiras, consolidando reputação como operador técnico com trânsito em Washington e em Wall Street.
Após deixar o cargo, manteve presença em círculos financeiros e acadêmicos, além de ocupar posições em conselhos corporativos e think tanks.

Um crítico do próprio Fed

Nos anos seguintes à sua saída, o perfil público de Warsh mudou de tom. Ele passou a criticar de forma recorrente o tamanho do balanço do Fed e o prolongamento de políticas ultraexpansionistas, posicionando-se como defensor do aperto quantitativo.
Em discursos e entrevistas, Warsh defendeu o que chama de "mudança de regime" na autoridade monetária, uma revisão do arcabouço que orienta decisões de juros, comunicação e atuação nos mercados.
Na sua avaliação, parte dos problemas atuais, incluindo distorções nos preços de ativos e perda de credibilidade institucional, seria "autoinfligida" pelo próprio banco central.
📊 Essa postura coloca Warsh em uma posição particular no debate econômico. Ao mesmo tempo em que defende juros mais baixos no curto prazo, alinhando-se à agenda da Casa Branca, ele é crítico da expansão contínua do balanço do Fed e da tentativa de suprimir artificialmente os juros de longo prazo.