O que esperar do 4T25 das construtoras após venda de imóveis bater recorde?

O BTG Pactual projeta resultados distintos para as construtoras de baixa, média e alta renda.

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Publicado em 24/02/2026 às 06:55h - Atualizado Agora Publicado em 24/02/2026 às 06:55h Atualizado Agora por Marina Barbosa
Recorde foi puxado pelo Minha Casa, Minha Vida, favorecendo empresas voltadas à baixa renda (Imagem: Shutterstock)
Recorde foi puxado pelo Minha Casa, Minha Vida, favorecendo empresas voltadas à baixa renda (Imagem: Shutterstock)
O lançamento e a venda de imóveis bateram recorde no Brasil em 2025, impulsionados sobretudo pelo programa Minha Casa, Minha Vida.
🏠 Foram 453 mil lançamentos e 426,26 mil vendas, com um valor geral de vendas também inédito de R$ 264,2 bilhões.
A informação é da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) e eleva a expectativa pelos resultados das construtoras listadas na B3.
As construtoras já apresentaram as prévias operacionais do quarto trimestre de 2025, mas vão divulgar os resultados financeiros a partir da próxima semana. Veja aqui a agenda de balanços do 4T25.

O que esperar do 4T25 das construtoras?

Diante do conjunto de dados já disponíveis, a expectativa dos analistas é de dados fortes, sobretudo no segmento de baixa renda.
📈 O BTG Pactual, por exemplo, diz que o setor como um todo teve um bom desempenho operacional. Por isso, espera que o lucro líquido combinado das construtoras da B3 cresça 76% na comparação com o quarto trimestre de 2024.
O banco, porém, tem projeções bem distintas no que diz respeito aos diferentes segmentos habitacionais.
A expectativa é de que o lucro líquido do segmento de baixa renda dispare 315% na comparação anual, favorecido pelo Minha Casa, Minha Vida, mas também pela melhora dos resultados da MRV (MRVE3) e da Tenda (TEND3), que sofreram pressão em 2024.
Já o resultado do segmento de média e alta renda deve crescer 20%, pelos cálculos do BTG. E o banco diz que essa alta deve ser puxada sobretudo pela Cyrela (CYRE3), que deve ter um maior reconhecimento de receitas no trimestre
⚠️ O BTG antevê uma retração nos lucros das outras construtoras de média e alta renda da B3, como a Eztec (EZTC3). E explica: as vendas líquidas desse segmento recuaram 16% em relação ao quarto trimestre de 2024.
"Esperamos que as empresas de baixa renda continuem a brilhar no 4º trimestre, enquanto as empresas de médio/alto padrão devem apresentar alguma desaceleração (apesar de um desempenho ainda decente)", resumiu o BTG.

As projeções do BTG para o 4T25 das construtoras

Diante desse cenário, o BTG avalia que Cury (CURY3) e Cyrela serão os destaques do trimestre da construção civil.
Voltada às faixas mais altas do Minha Casa, Minha Vida, a Cury pode registrar um lucro líquido 54% maior que o do quarto trimestre de 2024. Já no segmento de alto padrão e luxo, o resultado da Cyrela deve crescer 37%, pelos cálculos do BTG.
Veja as projeções do BTG para o lucro líquido das construtoras no 4T25:
Even (EVEN3) e MRV devem reverter o prejuízo observado no quarto trimestre de 2025, ainda de acordo com as projeções do BTG.

O que esperar de 2026?

Apesar da desaceleração das vendas observada pelas construtoras de média e alta renda na reta final de 2025, a expectativa é de que o setor tenha mais um ano positivo em 2026.
💲 Isso porque metade das famílias brasileiras que ganham mais de R$ 2,5 mil por mês quer comprar um imóvel neste ano, segundo pesquisa da CBIC. E a venda de imóveis ainda pode ser favorecido pela possível queda da taxa Selic, que promete reduzir o custo dos financiamentos imobiliários.
No segmento de baixa renda, a perspectiva também é positiva, já que o governo tem a meta de chegar à marca das 3 milhões de moradias contratadas no programa neste ano.
Diante desse cenário, a XP vê um cenário positivo para o setor, mas diz que as empresas de médio e alto padrão têm o desafio de equilibrar corretamente a oferta e a demanda.
A Cyrela e a Cury despontam como as preferidas da XP, mas os analistas também destacaram o potencial de crescimento da Lavvi em um relatório recente.