Mercosul e União Europeia criam a maior zona de livre comércio do mundo

Acordo Mercosul-UE foi assinado neste sábado (17), como uma defesa do multilateralismo.

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Publicado em 17/01/2026 às 14:44h - Atualizado Agora Publicado em 17/01/2026 às 14:44h Atualizado Agora por Marina Barbosa
Na presidência rotativa do Mercosul, o Paraguai foi a sede para a assinatura do acordo (Imagem: Facebook/Santiago Peña)
Na presidência rotativa do Mercosul, o Paraguai foi a sede para a assinatura do acordo (Imagem: Facebook/Santiago Peña)
O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia foi assinado neste sábado (17), após 26 anos de negociação.
💲 O tratado cria a maior zona de livre comércio do mundo, com mais de 700 milhões de consumidores e aproximadamente US$ 22,4 trilhões de PIB (Produto Interno Bruto).
Por isso, é visto como uma peça fundamental para ampliar o fluxo de comércio e de investimentos entre os dois blocos econômicos.
"Os benefícios econômicos estão claríssimos", disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
E explicou: "A Europa é o segundo maior parceiro econômico e o maior investidor estrangeiro do Mercosul. E, a partir de agora, vamos diminuir tarifas e trabalhar para ter regras claras que vão estimular o investimento e o comércio. Isso vai beneficiar as empresas dos dois lados".
Com o acordo, Mercosul e União Europeia se comprometem a reduzir ou eliminar as tarifas de importação e exportação de forma gradual nos próximos anos, o que deve facilitar o comércio entre os blocos.
Além disso, o texto prevê regras comuns para temas como comércio de bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.

O impacto para o Brasil

🚢 Com isso, o Brasil projeta um aumento de US$ 7 bilhões nas exportações para a União Europeia, além de uma injeção de R$ 37 bilhões no PIB e de R$ 13,6 bilhões nos investimentos realizados no país até 2044.
"O acordo propiciará ganhos tangíveis: mais emprego, mais investimentos, maior integração produtiva, acesso ampliado a bens e serviços de qualidade, inovação tecnológica e crescimento econômico com inclusão social", disse o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, na assinatura do tratado.
Ele ainda destacou a importância da parceria na diversificação de parceiros comerciais, cadeias produtivas e fontes de suplemento, mas também na redução de vulnerabilidades e na garantia da previsibilidade necessária para o crescimento.

Quem ganha e quem perde 

🥩 No Brasil, a expectativa é ampliar as exportações de commodities para a Europa, sobretudo de carnes, café e celulose.
Por isso, as empresas do agronegócio e as companhias de logística que atuam no transporte dessas mercadorias devem ser as principais beneficiadas. Mas o setor de minerais também vê oportunidades.
Além disso, há uma expectativa de que produtos europeus como vinhos, azeites, chocolates e laticínios fiquem mais baratos no Brasil.
A indústria nacional ainda deve enfrentar uma maior concorrência dos produtos farmacêuticos, roupas, automóveis, máquinas e equipamentos europeus. Por isso, algumas empresas desse setor estão em alerta.

Lula não foi à assinatura

O acordo Mercosul-União Europeia foi assinado neste sábado (17) no Paraguai, que ocupa a presidência rotativa do Mercosul neste ano.
Apesar de ter trabalhado em prol do acordo nos últimos anos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não compareceu à cerimônia, diferente dos presidentes dos outros países fundadores do Mercosul (Argentina, Paraguai e Uruguai).
Lula reuniu-se na sexta-feira (16) com a presidenta da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, no Rio de Janeiro. Por isso, enviou o Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para o Paraguai.
Segundo Vieira, Lula destacou que o acordo entre o Mercosul e a União Europeia é "uma prova da força do mundo democrático e uma demonstração do compromisso com a ordem multilateral". Além disso, salientou que "é possível alcançar, por meio do livre comércio baseado em regras, prosperidade compartilhada e benefícios concretos".

Recados a Trump

Na assinatura do acordo, outros líderes sul-americanos e europeus destacaram a importância da cooperação e do multilateralismo e teceram críticas ao protecionismo, em um recado a Donald Trump.
"Este acordo envia uma mensagem muito forte ao mundo e reflete a nossa escolha clara e deliberada. Nós escolhemos o comércio justo no lugar de tarifas, uma parceria produtiva e de longo prazo e não o isolamento", afirmou Ursula von der Leyen, garantindo que o acordo trará benefícios reais aos países envolvidos.
"É uma aposta decisiva na abertura, troca e cooperação, em detrimento do isolamento e do uso do comércio como uma arma geopolítica", acrescentou o presidente do Conselho Europeu, António Costa, dizendo que o acordo chega no "momento mais oportuno".
"A União Europeia e o Mercosul estão trabalhando juntos para mostrar ao resto do mundo que haverá dias melhores e que o caminho começa aqui, com mais integração, cooperação, fraternidade e humanidade", reforçou o presidente do Paraguai, Santiago Peña, que tratou o acordo como algo essencial para o desenvolvimento regional.