'Índice do medo' dispara 21% e atinge o maior nível desde novembro de 2025

O índice de volatilidade do S&P 500 acumula altas consecutivas desde o início da semana, pressionado pelo conflito no Oriente Médio.

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Publicado em 05/03/2026 às 18:57h - Atualizado 8 horas atrás Publicado em 05/03/2026 às 18:57h Atualizado 8 horas atrás por Matheus Silva
Durante a sessão, o índice alcançou 25,84 pontos, o maior patamar desde novembro de 2024 (Imagem: Shutterstock)
Durante a sessão, o índice alcançou 25,84 pontos, o maior patamar desde novembro de 2024 (Imagem: Shutterstock)
📈 O VIX (CBOE Volatility Index), indicador que mede as expectativas de volatilidade no mercado americano e é conhecido como o "termômetro do medo" de Wall Street, disparou nesta quinta-feira (5) em meio à escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Durante a sessão, o índice alcançou 25,84 pontos, o maior patamar desde novembro de 2024. Por volta das 16h40 (horário de Brasília), o VIX registrava alta de 21,13%, aos 25,66 pontos.
O patamar acima de 25 pontos é considerado elevado e indica "turbulência" no mercado, comum em cenários de incerteza geopolítica intensa.

O que está por trás da disparada do VIX

O índice, que mede as expectativas de volatilidade por meio de opções de ações do S&P 500, acumula uma sequência de altas desde o início da semana, em reação ao conflito no Oriente Médio.
No último sábado (28), os EUA e Israel atacaram o Irã, com a confirmação da morte do líder supremo aiatolá Ali Khamenei e o fechamento do Estreito de Ormuz, rota responsável pelo escoamento de cerca de um quinto do comércio mundial de petróleo.
Em reação, o petróleo opera acima de US$ 80 o barril, acendendo alertas sobre possíveis impactos inflacionários nas principais economias do mundo em um cenário de juros ainda elevados, especialmente nos EUA, onde a taxa de referência está na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano.
A próxima decisão do Fomc (Comitê Federal do Mercado Aberto) do Fed (Federal Reserve), o banco central americano, está prevista para 18 de março.

Irã rejeita cessar-fogo e nega ter fechado o estreito

As declarações iranianas desta quinta (5) aprofundaram o clima de incerteza. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que Teerã não pediu um cessar-fogo aos EUA ou a Israel.
A missão iraniana na ONU (Organização das Nações Unidas) classificou como "infundada e absurda" a alegação de que o país teria fechado o Estreito de Ormuz.
As declarações vieram um dia após o New York Times noticiar que agentes do Ministério da Inteligência iraniano teriam entrado em contato indiretamente com a CIA (Central Intelligence Agency) para discutir os termos de um possível encerramento do conflito, segundo autoridades a par da situação.
A agência semioficial iraniana Tasnim negou a informação na véspera (4), classificando a notícia como "uma mentira absoluta."
Segundo o Axios, o presidente Donald Trump manifestou interesse em participar da escolha do próximo líder do Irã, assim como já sinalizou em relação à Venezuela. 
O The Washington Post informou ainda que o governo americano iniciou contatos com líderes da minoria curda no Irã para fomentar uma revolta contra o regime.

Wall Street em queda e dados de emprego no radar

As bolsas de Wall Street operavam em queda nesta quinta (5). O Dow Jones perdia mais de mil pontos, enquanto o S&P 500 e a Nasdaq registravam recuos de cerca de 1%.
Em segundo plano, os investidores acompanharam os dados do mercado de trabalho americano. Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego ficaram estáveis em 213.000 na semana encerrada em 28 de fevereiro, em dado ajustado sazonalmente, segundo o Departamento do Trabalho dos EUA.
📊 Para esta sexta-feira (6), o mercado aguarda o payroll, relatório oficial de empregos dos EUA. As projeções compiladas pelo Investing.com apontam para a criação de 65 mil postos de trabalho não-agrícolas em fevereiro, após a abertura de 172 mil vagas no mês anterior.