Guerra contra o Irã ameaça rota do Golfo; veja como isso afeta o petróleo

O Irã produz cerca de 3,3 milhões de barris de petróleo por dia e ocupa a quarta posição entre os maiores produtores da Opep.

Author
Publicado em 28/02/2026 às 09:44h - Atualizado 1 minuto atrás Publicado em 28/02/2026 às 09:44h Atualizado 1 minuto atrás por Matheus Silva
O principal foco do mercado está no Estreito de Ormuz (Imagem: Shutterstock)
O principal foco do mercado está no Estreito de Ormuz (Imagem: Shutterstock)
🚨 A decisão do presidente Donald Trump de lançar ataques contra o Irã adiciona novos riscos ao mercado global de petróleo, especialmente por envolver um dos principais produtores da Opep e uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo.
O Irã produz cerca de 3,3 milhões de barris por dia, aproximadamente 3% da oferta mundial, e é o quarto maior produtor da organização.
Apesar das sanções internacionais, o país elevou sua produção desde 2020, quando extraía menos de 2 milhões de barris diários.
Atualmente, cerca de 90% das exportações iranianas têm como destino a China, muitas vezes com descontos relevantes e transporte realizado por uma frota envelhecida de petroleiros que operam com sistemas de rastreamento desligados.

Ilha de Kharg e infraestrutura sob observação

O principal ponto de exportação do petróleo iraniano é a Ilha de Kharg, no norte do Golfo Pérsico, por onde passam mais de 2 milhões de barris por dia. 
A instalação conta com dezenas de milhões de barris em capacidade de armazenamento e múltiplos píeres de embarque.
Relatos da agência iraniana Mehr indicaram uma explosão na ilha neste sábado (28), embora não haja confirmação de danos ao terminal petrolífero. 
Um ataque direto à infraestrutura de Kharg representaria um golpe significativo para a economia iraniana e teria repercussão imediata nos preços internacionais.
Os principais campos petrolíferos do país, como Ahvaz, Marun e o cluster West Karun, ficam na província de Khuzistão. Já a refinaria de Abadan, com capacidade superior a 500 mil barris por dia, é uma das mais antigas e importantes do país.
Até o momento, não há confirmação de que os ataques tenham atingido diretamente ativos energéticos.

Estreito de Ormuz: o maior ponto de pressão

Mais do que a produção iraniana, o principal foco do mercado está no Estreito de Ormuz. Cerca de um quinto do petróleo bruto mundial transita por essa rota, que conecta o Golfo Pérsico ao restante do mundo.
Exportadores-chave como Arábia Saudita, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos dependem do estreito, assim como o Catar, grande fornecedor global de gás natural liquefeito.
Teerã já advertiu que poderia fechar totalmente o Estreito de Ormuz em caso de ataque.
Embora seja considerado um cenário extremo e improvável de ser mantido por longo período, a simples ameaça já representa um fator de forte volatilidade para os preços.
Mesmo com alguma capacidade de redirecionamento via oleodutos alternativos, um bloqueio parcial poderia gerar interrupção nas exportações e pressionar fortemente as cotações.

Histórico de retaliações e riscos regionais

🛢️ O Irã já demonstrou capacidade de atingir ativos energéticos de vizinhos. Em 2019, a Arábia Saudita atribuiu a Teerã um ataque com drones à unidade de processamento de Abqaiq, que afetou cerca de 7% da oferta global de petróleo à época.
Em conflitos recentes, o país também recorreu a bloqueios de sinal de GPS de embarcações e poderia utilizar medidas como assédio naval ou até minas marítimas para dificultar a navegação.
No entanto, uma retaliação que prejudique exportações do Golfo poderia afetar diretamente a China, maior compradora de petróleo da região e principal cliente do petróleo iraniano, o que impõe limites estratégicos às ações de Teerã.

Reação dos preços e cenário atual

Durante a guerra de junho do ano passado, o Brent chegou a superar US$ 80 por barril, registrando a maior alta em mais de três anos. Contudo, os ganhos foram revertidos quando ficou claro que a infraestrutura de energia não havia sido afetada.
Embora preocupações com excesso de oferta tenham dominado parte de 2025, os preços do petróleo já acumulam alta de cerca de 20% em 2026, impulsionados em parte pelo risco geopolítico envolvendo o Irã.
Segundo análise da Bloomberg Economics, historicamente os preços tendem a subir cerca de 4% para cada redução de 1% na oferta global.
Com os mercados fechados no fim de semana, a reação efetiva às novas tensões só será conhecida na reabertura das negociações. 
📈 O foco dos investidores deve estar na extensão dos danos, na eventual resposta iraniana e, sobretudo, na segurança do Estreito de Ormuz, um dos principais gargalos energético do planeta.