EUA acusam China de operar instalações com potencial uso militar no Brasil

O relatório aponta que Pequim vem ampliando acordos de cooperação científica e estratégica na área espacial com países da região.

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Publicado em 05/03/2026 às 09:19h - Atualizado Agora Publicado em 05/03/2026 às 09:19h Atualizado Agora por Elanny Vlaxio
Pequim, segundo relatório, utiliza estruturas espaciais na América Latina para ampliar suas capacidades militares (Imagem: Shutterstock)
Pequim, segundo relatório, utiliza estruturas espaciais na América Latina para ampliar suas capacidades militares (Imagem: Shutterstock)
Um relatório divulgado nesta semana por uma comissão do Congresso dos Estados Unidos acusa a China de manter uma rede de instalações espaciais na América Latina que poderia ter utilização militar. Entre as estruturas citadas no documento estão duas localizadas no Brasil.
No relatório, intitulado “China em nosso quintal dos fundos: volume 2 – Puxando a América Latina para a Órbita da China”, os deputados, no documento, afirmam que Pequim vem ampliando acordos de cooperação científica e estratégica na área espacial com países da região. 
“Essas instalações não são simplesmente projetos científicos isolados”, afirma o texto. “Em vez disso, esses locais formam uma rede integrada de dupla utilização, fortalecendo a capacidade da China de monitorar, controlar e potencialmente interromper as operações espaciais e militares do adversário", diz o relatório.
O relatório também sustenta que Pequim utiliza estruturas espaciais na América Latina para ampliar suas capacidades militares. 
“Pequim utiliza infraestrutura espacial na América Latina para coletar informações sobre adversários e fortalecer as futuras capacidades de combate do Exército Popular de Libertação. Esses locais na América Latina são parte essencial da extensa rede de Defesa Espacial da República Popular da China, que fornece vigilância global quase contínua, apoia operações contraespaciais e permite o sistema de orientação terminal necessário para armamentos avançados.”
Entre as estruturas citadas pelos parlamentares estão duas localizadas no Brasil, sendo: a Estação Terrestre de Tucano, na Bahia, e um laboratório de radioastronomia instalado na Serra do Urubu, no sertão da Paraíba. A estação de Tucano foi criada a partir de um acordo firmado em 2020, durante o governo do então presidente Jair Bolsonaro.
Segundo o documento, a Beijing Tianlian será responsável por fornecer “dados de comunicação de voz de longa duração e alta cobertura entre espaço a Terra para voos espaciais tripulados e satélites de reconhecimento”.