Estreito de Ormuz: Como a guerra no Irã atrapalha a circulação global de navios?

Fechamento do Estreito de Ormuz afeta cruzeiros, cargueiros e rotas internacionais; seguro para navios sobe 50%.

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Publicado em 02/03/2026 às 12:05h - Atualizado 2 minutos atrás Publicado em 02/03/2026 às 12:05h Atualizado 2 minutos atrás por Wesley Santana
Estreito de Ormuz conecta economias árabes e persas com o Oceano Índico (Imagem: Shutterstock)
Estreito de Ormuz conecta economias árabes e persas com o Oceano Índico (Imagem: Shutterstock)

Imagine um beco minúsculo que liga vários bairros às principais avenidas de uma cidade. É mais ou menos esse o papel do Estreito de Ormuz, uma via marítima no Oriente Médio que conecta o Golfo de Omã ao Golfo Pérsico, rota de vários navios petrolíferos.

O Estreito é controlado pelo Irã, que anunciou o seu fechamento no final de semana, depois de ser atacado pelos Estados Unidos e Israel. Cerca de 150 navios já foram retidos na região, sendo que quatro deles foram danificados por militares iranianos.

A via é muito importante porque é por onde trafega quase 20% do petróleo global, além de outros combustíveis, como o gás. Diante disso, a circulação dos navios cargueiros foi praticamente interrompida, elevando os custos do óleo ao redor do mundo.

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Mas a região também recebe outros tipos de embarcações, como os cruzeiros que saem de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. A MSC Cruises, uma das principais operadoras de embarcações desse modelo, tem um cruzeiro parado no porto de Dubai, esperando que a situação se acalme para seguir viagem, conforme informações enviadas pela embaixada dos EUA.

A embarcação chegou a Dubai na última sexta (27) e estava programada para seguir viagem até Doha, no Catar, no sábado. Antes da saída, começaram os ataques das forças israelenses e norte-americanas, com posterior retaliação de Teerã, o que impediu que a embarcação continuasse o trajeto.

“Estamos em contato ativo com embaixadas e ministérios das Relações Exteriores para garantir que tenham as informações relevantes sobre seus cidadãos a bordo e para entender quaisquer planos de repatriação que estejam sendo desenvolvidos”, afirmou o porta-voz da MSC.

Diversas seguradoras estão informando seus clientes que os seguros que cobrem embarcações não vão atuar nas embarcações que passarem pelo Estreito e sejam interceptadas. (Repetição de “embarcações” na mesma frase.) Além disso, os seguros para viagens nesta região devem ser reajustados nos próximos dias, podendo sofrer acréscimo de até 50% sobre o valor original, conforme destacou a Dylan Mortimer, uma das maiores companhias do setor em todo o mundo.

Cabo da Boa Esperança

Algumas empresas estão reajustando a rota para um caminho mais longo na travessia. As embarcações estão sendo desviadas para o Cabo da Boa Esperança, na África do Sul, tendo que cruzar praticamente todo o continente africano.

“Devido à deterioração da situação de segurança na região do Oriente Médio após a escalada do conflito militar, decidimos suspender temporariamente as futuras travessias trans-Suez pelo estreito de Bab el-Mandeb”, afirmou o grupo dinamarquês de transporte de contêineres Maersk em comunicado no domingo. A mudança na rota representa um acréscimo de dias ou até meses, dependendo do destino da embarcação.

Preço do petróleo

Na manhã desta segunda, como já era esperado, o preço do petróleo no mercado internacional disparou. O preço do barril de Brent, um dos mais negociados, acumulou até 15% de variação em relação ao fechamento da última sexta.

No fechamento desta reportagem, o ativo tentava não superar a casa de US$ 80, conforme mostram os monitores do mercado. No entanto, já há quem projete o patamar de US$ 100, considerando que não há no horizonte uma solução rápida para o conflito.

"Eu diria que, sabendo hoje que é improvável que esse conflito se encerre nas próximas uma ou duas semanas, não temos muito como saber o impacto da duração nos mercados de energia e de transporte marítimo", pontuou Subitha Subramaniam, economista-chefe e chefe de estratégia de investimento da Sarasin & Partners, em entrevista à BBC News.