Dólar apaga ganhos do "Flávio Day": O mercado "comprou" a candidatura?

Rejeição caiu após Flávio avançar nas pesquisas, mas cenário externo contou mais para o dólar.

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Publicado em 25/01/2026 às 09:43h - Atualizado Agora Publicado em 25/01/2026 às 09:43h Atualizado Agora por Marina Barbosa
Dólar disparou quando Flávio anunciou a candidatura à presidência (Imagem: Shutterstock)
Dólar disparou quando Flávio anunciou a candidatura à presidência (Imagem: Shutterstock)
O dólar voltou a ser negociado abaixo dos R$ 5,30 nesta semana, devolvendo os ganhos registrados no "Flávio Day".
💵 A moeda disparou quando Flávio Bolsonaro (PL) anunciou a candidatura à presidência da República, em 5 de dezembro.
Saltou de R$ 5,30 para R$ 5,43 em um único pregão e chegou a ser negociada por R$ 5,59 na reta final de 2025.
Afinal, o mercado esperava que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), fosse o candidato da direita nas eleições presidenciais de 2026.
Já neste início de 2026, o dólar segue uma tendência de queda. Tanto que fechou a semana cotado a R$ 5,28, deixando para trás os efeitos do "Flávio Day".

O que mexeu com o dólar?

O recuo do dólar ocorre em meio ao fortalecimento do nome do senador e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nas pesquisas eleitorais e depois de Tarcísio negar a candidatura ao Palácio do Planalto.
⚠️ Contudo, especialistas dizem que esse movimento não é um reflexo do cenário eleitoral, mas do renovado interesse dos investidores estrangeiros pelos ativos brasileiros. 
Especialista e sócio da Valor Investimentos, Daniel Teles observou que o dólar vem em um momento de desvalorização global, devido às incertezas sobre o cenário internacional. E isso leva os investidores estrangeiros a ampliar a aposta em mercados emergentes, como o Brasil. Tanto que o Ibovespa bateu recordes sucessivos nos últimos dias.
"O investidor institucional está olhando para vários emergentes e está menos receoso de aplicar aqui porque a bolsa brasileira está barata quando se olha em dólar", afirmou Teles.
"O mercado teve um alívio depois da tensão envolvendo a Venezuela e a Groenlândia. Por isso, a busca por ativos de risco aumento", reforçou o estrategista-chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz.
🔎 Ele reconheceu, no entanto, que a candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência já não parece mais assustar tanto o mercado.
"O mercado reteve uma rejeição inicial, porque viu que era um nome difícil de voltar atrás e que tem uma chance de vitória menor que alguns dos governadores. Mas, conforme o nome vai sendo colocado como candidato e sobe nas pesquisas, isso ajuda, porque o que o mercado não gostaria de ver é um novo mandato de Lula", afirmou Cruz.

Flávio avança nas pesquisas

Segundo a última pesquisa Genial/Quaest, Flávio Bolsonaro tem a maior rejeição entre os pré-candidatos à presidência, mas Lula não está muito atrás. Entre os entrevistados, 55% disseram que conhecem e não votariam em Flávio e 54% em Lula.
Além disso, o levantamento mostrou que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro avançou e já tem mais intenções de voto que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
Caso o primeiro turno das eleições presidenciais fosse hoje, Flávio levaria 23% dos votos, contra 9% de Tarcísio. Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sairia na frente, com 36% dos votos.
No segundo turno, Lula ganharia de Flávio, por 45% a 38% dos votos válidos. Contudo, a distância entre os dois ficou menor.
Segundo a pesquisa, a parcela dos eleitores que votaria em Flávio no segundo turno teve um aumento de 6 pontos percentuais nos últimos seis meses, subindo de 32% em agosto de 2025 para 38% em janeiro de 2026.
Diante do crescimento, Flávio reforçou nos últimos dias que a candidatura "não tem volta".