Do dólar à Petrobras (PETR4): Como o ataque ao Irã pode mexer com o Brasil?

Petroleiras como Petrobras, PRIO e PetroRecôncavo podem ganhar com alta do petróleo, embora o Brasil siga relativamente protegido.

Author
Publicado em 28/02/2026 às 10:49h - Atualizado Agora Publicado em 28/02/2026 às 10:49h Atualizado Agora por Matheus Silva
Analistas projetam que o petróleo pode subir entre 5% e 10% na abertura dos mercados (Imagem: Shutterstock)
Analistas projetam que o petróleo pode subir entre 5% e 10% na abertura dos mercados (Imagem: Shutterstock)
📊 O ataque dos Estados Unidos ao Irã neste sábado (28) inaugura um novo capítulo de tensão no Oriente Médio e deve provocar forte reação nos mercados globais na abertura da semana. Analistas já projetam aumento da aversão a risco, valorização de ativos considerados seguros e possível disparada do petróleo.
Segundo instituições internacionais, o impacto tende a ser mais relevante do que crises recentes envolvendo outros países produtores. O Irã produz cerca de 3,3 milhões de barris de petróleo por dia e exporta majoritariamente para a China, mesmo sob sanções.
Mais do que o volume produzido, a principal preocupação é geográfica. O país está localizado ao lado do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do consumo global diário de petróleo e grande parte do gás natural liquefeito transportado por via marítima. Em 2025, aproximadamente 13 milhões de barris por dia transitaram pelo estreito, segundo dados da Kpler.

Petróleo pode disparar no curto prazo

Analistas projetam que o petróleo pode subir entre 5% e 10% na abertura dos mercados. Durante a guerra de junho de 2025, o Brent chegou às máximas de seis meses, fechando fevereiro próximo de US$ 72 por barril.
O principal risco seria qualquer restrição ao Estreito de Ormuz. Em episódios passados, bloqueios ou ameaças de bloqueio elevaram a inflação na Europa e nos Estados Unidos, pressionando bancos centrais e alterando expectativas de cortes de juros.
Kenneth Goh, da UOB Kay Hian, afirma que o padrão esperado é abertura negativa das bolsas, fortalecimento do dólar, do iene japonês e corrida ao ouro. Na mesma linha, Goh avalia que as curvas de juros tendem a subir com o aumento da percepção de risco inflacionário.

Impacto no Brasil e nas petroleiras

No Brasil, a atenção deve se concentrar no desempenho das empresas ligadas ao setor de energia. A Petrobras (PETR4), além de PRIO (PRIO3) e PetroRecôncavo (RECV3), pode se beneficiar de uma eventual alta do petróleo no curto prazo.
Em fevereiro, ações do setor subiram entre 7% e 12% impulsionadas pela valorização da commodity em meio às tensões geopolíticas.
Segundo relatório do JPMorgan, o Brasil aparece relativamente protegido de um choque energético, por ser exportador líquido de energia. As exportações equivalem a 2,6% do PIB, enquanto as importações representam 1,6%. Ainda assim, o país não está imune a efeitos indiretos, como maior volatilidade financeira e pressão cambial.

Cenário de médio prazo pode mudar

Apesar do risco imediato de alta do petróleo, o cenário pode se inverter no médio prazo. Em 2017, o Irã produzia 4,1 milhões de barris por dia. Atualmente, a produção gira em torno de 3,2 milhões.
Caso haja mudança política ou flexibilização das sanções, a produção poderia voltar a superar 4 milhões de barris por dia até o segundo semestre de 2026, ampliando a oferta global e pressionando os preços para baixo.
Esse movimento poderia ter efeito desinflacionário no médio prazo, reduzindo custos energéticos e beneficiando economias importadoras.

Foco na resposta iraniana

O comportamento dos mercados dependerá principalmente da resposta do Irã e da eventual escalada regional. Se o Estreito de Ormuz permanecer aberto e a infraestrutura energética não for atingida, o padrão pode repetir o observado em 2025, com forte aversão inicial seguida de recuperação.
Se houver interrupção relevante na oferta ou bloqueio marítimo, o choque pode ser mais duradouro, afetando petróleo, inflação global, juros e ativos de risco.
📈 A abertura de segunda-feira deve refletir esse equilíbrio delicado entre risco geopolítico imediato e expectativa de manutenção do fluxo energético global.

PETR4

Petrobrás
Cotação

R$ 39,33

Variação (12M)

18,23 % Logo Petrobrás

Margem Líquida

15,77 %

DY

8.25%

P/L

6,54

P/VP

1,20