Canetas emagrecedoras já valem R$ 10 bilhões no Brasil, aponta Itaú BBA

Queda de patentes pode ampliar ainda mais o mercado até 2030, com resultado de US$ 8 bilhões.

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Publicado em 08/01/2026 às 16:30h - Atualizado 11 horas atrás Publicado em 08/01/2026 às 16:30h Atualizado 11 horas atrás por Wesley Santana
Ozempic e Monjauro são os mais usados no Brasil (Imagem: Shutterstock)
Ozempic e Monjauro são os mais usados no Brasil (Imagem: Shutterstock)
As chamadas canetas emagrecedoras já fazem parte da economia brasileira, conforme mostra um levantamento publicado pelo Itaú BBA. No ano passado, esses medicamentos foram responsáveis por movimentar cerca de R$ 10 bilhões no país, um número que representa quase 5% do mercado farmacêutico nacional.
O impacto disso é visto tanto nas importações quanto na receita das fabricantes e das companhias do ramo de farmácias. Entre janeiro e dezembro de 2025, a entrada das canetas cresceu em até 70% nos portos e aeroportos do país, contribuindo para elevar o faturamento de marcas como a RD Saúde, controladora das drogarias Raia e Drogasil.
Atualmente, dois medicamentos são os mais procurados no Brasil, dividindo quase todo o market share: Ozempic, fabricado pela Novo Nordisk, e Mounjaro, da Eli Lilly. Há, ainda, outras alternativas como Saxenda, Trulicity e Contrave, todos na mira dos consumidores que querem emagrecer.
As canetas são produzidas com base na semaglutida, um princípio ativo que, anteriormente, era usado apenas no tratamento de diabetes. No entanto, pesquisas científicas revelaram que ele também poderia ser usado para o controle de peso e, então, caiu nas graças dos consumidores que buscam mais rapidez para perder peso.
O mesmo estudo do Itaú mostra que, até 2027, o mercado pode crescer ainda mais, considerando a queda da patente desses medicamentos. Isso vai influenciar a redução do preço das canetas e, consequentemente, o aumento da procura por parte do público consumidor.
Olhando para um horizonte mais amplo, a projeção é de que a demanda alcance o patamar de US$ 9 bilhões em 2030. Isso seria possível graças a um número de clientes que pode chegar a 5,5 milhões nos próximos quatro anos.
“O Brasil está prestes a se tornar um mercado global chave para GLP-1. A matemática é simples: alta prevalência de obesidade e indivíduos acima do peso (70% da população), amplificada por fatores culturais, os brasileiros se importam profundamente com a estética. Nossa pesquisa classifica o Brasil como o 2º maior mercado mundial para procedimentos estéticos — e 1º quando ajustado para a população adulta”, destaca trecho de relatório assinado por Rodrigo Gastim, Vinicius Figueiredo e Gustavo Troyano.

Hypera no radar

Uma das apostas do Itaú para surfar na onda das canetas é a Hypera (HYPE3), que, desde o ano passado, teve recomendação de compra imputada pelos analistas da instituição. A companhia é uma das candidatas a aproveitar a queda da patente para lançar seu próprio medicamento à base de semaglutida no mercado interno.
“Resumidamente, acreditamos que a combinação de uma retomada no crescimento dos lucros, uma avaliação ainda descontada (mesmo sob premissas conservadoras para 2026) e uma potencial valorização significativa com a caneta do emagrecimento representa um ponto de entrada atrativo para a ação HYPE3 nos níveis atuais”, escreveram Vinicius Figueiredo, Lucca Generali Marquezini e Felipe Amancio, na época.
Já o Bank of America enxerga outras avenidas de potenciais valorizações para os papéis da companhia, por isso projeta uma valorização de 37% para os papéis. Na análise do banco, as ações da companhia podem alcançar o patamar de R$ 33 nos próximos trimestres.
“Diante de um ‘patent cliff’ [momento em que patentes expiram] importante em 2026, da estratégia de extensões de produtos, de novas oportunidades de licenciamento e joint ventures e da abertura de novos canais de distribuição — como varejistas de alimentos e plataformas online —, o banco vê oportunidade de alta para as projeções e reitera a recomendação de compra para as ações”, escreve o banco.

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