Banco Central segura Selic em 1ª decisão em 2026, mas já sinaliza cortes nos juros

Taxa básica de juros da economia brasileira permanece rendendo 15% ao ano por enquanto.

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Publicado em 28/01/2026 às 18:37h - Atualizado Agora Publicado em 28/01/2026 às 18:37h Atualizado Agora por Lucas Simões
Saiba como o Banco Central do Brasil pode agir nas próximas reuniões do Copom (Imagem: Alexandre Boiczar/Banco Central)
Saiba como o Banco Central do Brasil pode agir nas próximas reuniões do Copom (Imagem: Alexandre Boiczar/Banco Central)
A taxa Selic segue em 15% ao ano, por ora, neste início de 2026, conforme decisão dos membros do Banco Central que compõem o Comitê de Política Monetária (Copom). Trata-se da primeira decisão do colegiado neste ano, que também coincidiu neste dia 28 de janeiro com a manutenção da taxa básica de juros dos Estados Unidos, daí vem o apelido de Super Quarta.
Com isso, a taxa básica de juros da economia brasileira conserva o seu nível mais alto desde 2016, consolidando a quinta manutenção consecutiva. A decisão unânime do Copom era amplamente esperada pelos investidores.
Todavia, a diretoria do Banco Central, sob a liderança do presidente Gabriel Galípolo, já deu o tom ao mercado financeiro de que os cortes da taxa Selic virão em breve.
O comunicado do Banco Central nesta Super Quarta deixa a porteira aberta para cortes nos juros a partir da próxima decisão do Copom, marcada para o dia 18 de março de 2026. A XP já cantava essa bola da postergação para a redução da Selic só a partir de março, mesmo diante do recente IPCA-15 mais comportado.
Embora não há clareza sobre a velocidade a ser aplicada no ciclo de cortes da taxa Selic que se avizinha, o qual impacta diretamente a rentabilidade dos investimentos na renda fixa, sobretudo, os títulos indexados ao CDI, além do próprio Tesouro Selic, único título do governo brasileiro com liquidez diária.
Para Marcelo Freller, estrategista de produtos de investimento do C6 Bank, o caminho mais provável a ser adotado pelo Copom na próxima decisão em março será cortar a Selic em 25 pontos-base, trazendo a taxa para 14,75% ao ano, ou aplicar redução de 50 pontos-base, o que implicaria no patamar de 14,50% ao ano.

Comunicado do Compom em 2026 na íntegra:

O ambiente externo ainda se mantém incerto em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por tensão geopolítica.
Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores segue apresentando, conforme esperado, trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra sinais de resiliência. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes seguiram apresentando arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta para a inflação.
As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 4,0% e 3,8%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,2 % no cenário de referência.
Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, seguem mais elevados do que o usual. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se:
  • (i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado;
  • (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; e
  • (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada.
Entre os riscos de baixa, ressaltam-se:
  • (i) uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação;
  • (ii) uma desaceleração global mais pronunciada decorrente do choque de comércio e de um cenário de maior incerteza; e
  • (iii) uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.
O Comitê segue acompanhando os impactos do contexto geopolítico na inflação brasileira, e como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza. O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho.
O Copom decidiu manter a taxa básica de juros em 15,00% a.a., e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.
O cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução da política monetária. O Comitê avalia que a estratégia em curso tem se mostrado adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. Em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros.
O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. O compromisso com a meta impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo, que dependerão da evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária.
Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira.