Bazin e Graham, ambos criaram uma fórmula para definir qual seria o preço justo a se pagar por uma ação de uma empresa. Cada uma das fórmulas tem as suas qualidades.

Conhecer ambas metodologias pode ser muito útil para o investidor iniciante que precisa de conhecimento para balizar os seus investimentos de forma mais lógica.

Pensando nisso, hoje o Investidor10 decidiu escrever este artigo comparando ambas as formas de se definir o preço justo das ações, e identificar a melhor para você. Vamos lá?

Preço justo de acordo com Benjamin Graham

Vamos começar falando sobre o preço justo de uma ação de acordo com Benjamin Graham. Já vale destacar que ele não gostava de empresas desorganizadas.

Na realidade, para Benjamin, uma empresa só possui valor se ela gera valor real. Em outras palavras, os seus números devem ser condizentes com a realidade da estrutura.

Em todo caso, saber escolher uma empresa é apenas parte do processo que Benjamin e Bazin tratam. O mais importante é saber o momento de comprá-la.

Nesse momento vemos a fórmula de Benjamin como uma forma de responder a esse dilema. Veja:

VI = √ (22,5 x LPA x VPA)

Sendo:

  • VI: É o valor justo da ação a ser encontrado;
  • 22,5: Constante encontrada por Graham;
  • LPA: Lucro por ação;
  • VPA: Valor patrimonial da ação.

Lembre-se, contudo, que não se trata de uma fórmula perfeita. Aliás, nenhuma fórmula é, nem o método Bazin. Inclusive, a indicação é usá-la em empresas com lucros constantes.

Que constante de “22,5” é essa?

Um comentário válido também é a respeito da origem da constante de 22,5. Basicamente, ela se baseia na multiplicação do ativo circulante da empresa pelo seu P/L.

No caso, o ativo circulante deve ser 1,5 vezes maior do que o passivo circulante. Já o P/L deve ser, no máximo, 15 vezes. Ao multiplicar ambos, (15 x 1,5), obtemos o resultado 22,5.

Em outras palavras, o investidor pode adquirir empresas com um P/L caro, contanto que a relação ativo e passivo seja menor, de no máximo 1,5x.

Os três pilares de investimento de Benjamin Graham

Os três pilares de investimento de Benjamin Graham
Os três pilares de investimento de Benjamin Graham – Foto: Freepik

Benjamin também possui três pilares de investimento que ele seguia à risca para sempre ter certeza de que estava estipulando o preço justo da ação de uma boa empresa.

São eles:

  • Investir com margem de segurança: Significa que todo investimento deve ser feito com um valor o qual não deixará o investidor descapitalizado;
  • Lucrar com a volatilidade do mercado: Significa saber analisar o bull market e o bear market e adquirir boas empresas por valores abaixo do que elas valem;
  • Conhecer bem o seu perfil de investidor: O investidor que não conhece o seu perfil, invariavelmente acaba fazendo os investimentos errados e perdendo dinheiro.

De modo geral, podemos ver estes pilares como a base para qualquer investidor conservador que não gosta de se alavancar e arriscar além do necessário.

Veja um ranking com as ações mais baratas da bolsa, segundo a fórmula de Graham.

Preço justo de acordo com Décio Bazin

Agora que você já entende como Benjamin Graham calcula o preço justo, vamos ver como Décio Bazin o faz. No caso, o método Bazin se calca em 5 pilares. São eles:

  1. Liquidez;
  2. Cash Yield;
  3. Notícias;
  4. Endividamento;
  5. Rebalanceamentos.

Veja um ranking com as ações mais rentáveis da bolsa, segundo o método de Bazin.

Vamos ver um pouco mais a fundo cada um deles.

1.Liquidez

O primeiro pilar é a liquidez. Para que o método Bazin funcione, o investidor deve apenas comprar ações de empresas que possuam alta liquidez na bolsa de valores.

As razões para isso são duas. Primeiro, geralmente essas empresas são mais consolidadas. Segundo, o método pressupõe uma alta reciclagem de ativos.

2.Cash Yield

O segundo pilar é o Cash Yield. Usado especificamente para encontrar o preço justo, porém tomando como base empresas que são pagadoras de dividendos regulares.

Então, para comprar o papel de uma empresa, é preciso se certificar que o dividend yield dos últimos três pagamentos de dividendos esteja na casa de 6% ou mais ao ano.

Em seguida, divida 100 por 6 e o resultado é de 16,66, e então multiplique este resultado pelo valor do último pagamento de dividendo. O resultado será o preço justo.

Observação: Os 6% eram a taxa básica de juros na época que Décio definiu a fórmula, portanto este dado pode ser atualizado.

3.Notícias

O terceiro pilar estipula que qualquer empresa da carteira que seja alvo da mídia de notícias ruins, independente da sua natureza, devem ser vendidas imediatamente.

A razão por trás disso é porque, o impacto de uma notícia ruim é muitas vezes imprevisível. Não é possível saber o quanto a empresa será afetada por isso.

4.Endividamento

O método Bazin também se preocupa muito com o nível de endividamento das empresas. Por isso que um dos seus pilares é buscar um “endividamento moderado”.

Todavia, vale esclarecer que Bazin não específica com exatidão o que ou qual seria o nível de endividamento adequado ao qual ele se refere.

5.Rebalanceamentos

Então, o quinto pilar é o rebalanceamento. Isso significa, em outras palavras, que a carteira de ações deve ser analisada e atualizada semestralmente, usando os filtros anteriores.

O método recomenda que os melhores meses para fazer essa reciclagem de ativos são Abril e Outubro.

Preço justo de ações: Graham ou Bazin? Qual é melhor?

Preço justo de ações: Graham ou Bazin? Qual é melhor?
Preço justo de ações: Graham ou Bazin? Qual é melhor? – Foto: Freepik

O conceito de “preço justo”, que Bazin e Graham defendem, trata-se do valor ideal pelo qual uma ação de uma empresa qualquer deve ser adquirida.

No caso, enquanto Graham escolhe as suas ações baseando-se no ativo circulante e no P/L, Bazin opta por fazer o cálculo do valor com base no pagamento dos dividendos.

Para Graham, uma ação poderia ter um P/L alto, contanto que a relação do passivo/ativo fosse menor. Para Décio, uma ação só valia se ele pagasse mais do que a taxa de juros.

Ambas as metodologias têm a suas qualidades e limitações e, hoje, podem acabar não atendendo a expectativa de alguns investidores. Em todo caso, conhecê-las é importante.

Por fim, nenhuma das duas pode ser considerada a melhor. O ideal é usar aquela metodologia que mais lhe agradar e fizer sentido em seu contexto de investidor.

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