ETFs de renda fixa: saiba como funciona e como investir

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Publicado em 20/02/2026 às 12:17h - Atualizado Agora Publicado em 20/02/2026 às 12:17h Atualizado Agora por Carlos Filadelpho
O que são ETFs de renda fixa - Imagem: Shutterstock
O que são ETFs de renda fixa - Imagem: Shutterstock

Se você é um investidor em busca de renda previsível, diversificação e praticidade, os ETFs de renda fixa podem ser uma alternativa de investimento para compor sua carteira. 

Negociados diretamente na bolsa de valores, esses fundos permitem acesso facilitado à renda fixa nacional e internacional, com custos reduzidos e benefícios relevantes.

Confira o artigo e descubra como essa modalidade de investimento pode se encaixar nos seus objetivos financeiros. 

O que é renda fixa?

Antes de falarmos dos ETFs, é importante relembrar o que caracteriza a renda fixa. Ela representa uma classe de investimentos em que as regras de remuneração são conhecidas desde o início da aplicação, mesmo que a rentabilidade final dependa de índices ou prazos.

Os títulos de renda fixa funcionam como empréstimos que você faz a governos, bancos ou empresas, em troca de juros. Existem três modelos de remuneração:

  • Prefixada: A taxa de retorno é definida no momento da aplicação e permanece constante até o vencimento.

  • Pós-fixada: A rentabilidade varia conforme um índice de referência, como CDI ou Selic.

  • Híbrida: Combina uma parte fixa e outra atrelada à inflação (ex: IPCA + 5% ao ano).

Entre os principais ativos de renda fixa disponíveis no Brasil estão:

  • Tesouro Direto (Tesouro Selic, Tesouro IPCA+, Tesouro Prefixado)

  • CDBs (Certificados de Depósito Bancário)

  • LCIs e LCAs (isentas de IR)

  • Debêntures

  • CRIs e CRAs

Apesar da segurança e previsibilidade, investir diretamente em alguns desses ativos pode exigir tempo, análise e esforço, especialmente se você deseja diversificar a carteira com títulos de diferentes prazos e emissores.

É nesse ponto que entram os ETFs de renda fixa.

O que são ETFs?

ETFs, ou Exchange Traded Funds, são fundos de investimento negociados na bolsa de valores, como se fossem ações. Na prática, ao comprar uma cota de ETF, o investidor adquire uma pequena participação em uma carteira de ativos que segue um determinado índice de mercado.

No Brasil, os ETFs mais conhecidos são aqueles que replicam índices da renda variável, como o BOVA11, que acompanha o Ibovespa. Porém, também existem ETFs focados na renda fixa, que replicam índices compostos por títulos públicos, privados ou internacionais.

Como funcionam os ETFs de renda fixa?

Os ETFs de renda fixa seguem um princípio simples: replicar o desempenho de um índice de renda fixa, por meio da compra de títulos públicos ou privados que compõem aquele índice.

Vamos a dois exemplos da B3:

  • NTNS11: Replica o Índice Teva Tesouro IPCA+ 0 a 4 Anos, composto por títulos do Tesouro IPCA+ com vencimento entre 0 e 4 anos.

  • LFTS11: Replica o Índice Teva Tesouro Selic, composto por títulos Tesouro Selic com vencimento acima de 2 anos.

Ao comprar cotas desses ETFs, o investidor tem exposição indireta a dezenas de títulos ao mesmo tempo, de forma prática, com custos reduzidos e liquidez diária na bolsa.

Alguns ETFs, como o BNDX11, investem em cotas de fundos internacionais, permitindo exposição à renda fixa global.

Vantagens de investir em ETFs de renda fixa

Existem diversas vantagens associadas com a decisão de investir em ETFs de renda fixa, dentre as quais, podemos destacar:

Diversificação com um único aporte: Com apenas uma cota de ETF, você tem acesso a uma carteira diversificada de títulos. Na prática, isso reduz o risco de concentração e aumenta a estabilidade da sua rentabilidade.

Praticidade: Você não precisa comprar cada título individualmente, acompanhar vencimentos, reinvestir manualmente ou pagar taxas separadas para cada ativo. O ETF faz tudo isso automaticamente.

Custos reduzidos: ETFs de renda fixa geralmente têm taxas de administração menores do que os fundos tradicionais, por serem de gestão passiva. Além disso, eles não sofrem com come-cotas, o que potencializa o efeito dos juros compostos.

Liquidez na bolsa: As cotas podem ser compradas e vendidas a qualquer momento durante o pregão da B3, oferecendo liquidez diária, o que não ocorre em muitos títulos de renda fixa que exigem carência até o vencimento.

Benefícios fiscais: Diferente de outros investimentos de renda fixa, os ETFs de renda fixa:

  • Não sofrem IOF, mesmo se vendidos antes de 30 dias.

  • Têm alíquotas de IR entre 15% e 25%, conforme o prazo de repactuação dos títulos da carteira.

  • Não têm cobrança semestral de IR (como nos fundos com come-cotas).

Acesso à renda fixa internacional: ETFs como BNDX11 e USDB11 permitem investir em títulos corporativos e soberanos dos EUA e de outros países, com exposição ao dólar e diversificação geográfica.

Pontos de atenção ao investir em ETFs de renda fixa

Pontos de atenção ao investir em ETFs de renda fixa - Imagem: Shutterstock

Apesar de suas vantagens, é importante considerar alguns fatores antes de investir em ETFs de renda fixa:

Marcação a mercado: O preço das cotas dos ETFs varia diariamente, conforme o valor de mercado dos títulos na carteira. Isso significa que o investidor pode ter prejuízo em caso de venda antecipada, especialmente se houver alta de juros.

Alíquota de IR definida pelo prazo da carteira: Diferente dos títulos individuais, cuja alíquota de IR depende do tempo de posse do investidor, nos ETFs de renda fixa a tributação é determinada pela duração dos títulos no fundo, e não pela data de compra/venda.

Risco de crédito e liquidez: Embora os ETFs normalmente invistam em ativos de baixo risco de crédito (Tesouro Direto ou títulos de alta qualidade), é fundamental conferir a composição da carteira e o índice de referência.

Além disso, apesar da negociação em bolsa, a liquidez real depende do volume de negociação do ETF. Alguns fundos podem ter baixa demanda.

Como investir em ETFs de renda fixa?

Investir em ETFs de renda fixa é uma das formas mais simples e acessíveis de se expor à renda fixa com diversificação e praticidade. 

Ao contrário da compra direta de títulos individuais (como CDBs, LCIs ou Tesouro Direto), os ETFs são negociados na bolsa de valores (B3), da mesma forma que ações.

Mesmo quem está começando no mercado pode dar os primeiros passos em poucos minutos. Veja abaixo o passo a passo detalhado de como investir com segurança:

1. Abra uma conta em uma corretora autorizada pela B3

O primeiro passo é ter uma conta ativa em uma corretora de valores que ofereça acesso ao home broker, a plataforma usada para negociar ativos na bolsa. 

Hoje, diversas corretoras digitais no Brasil oferecem abertura de conta gratuita, com taxa zero para custódia e até mesmo para corretagem.

Na hora de escolher a corretora, leve em conta:

  • Facilidade de uso da plataforma

  • Disponibilidade de ETFs de renda fixa

  • Custos (corretagem, custódia)

  • Recursos educacionais e suporte

Após abrir a conta, você precisará transferir recursos via TED ou Pix para o saldo da corretora.

2. Acesse o home broker e busque o ETF desejado

Com a conta ativa e saldo disponível, acesse o home broker da corretora e busque pelo código (ticker) do ETF de renda fixa que deseja adquirir. Alguns dos tickers mais populares da B3 incluem:

  • NTNS11: Tesouro IPCA+ de 0 a 4 anos

  • LFTS11: Tesouro Selic com vencimentos acima de 2 anos

  • IMAB11: Índice de todos os Tesouros IPCA+ da curva

  • BNDX11: Renda fixa internacional (global)

  • USDB11: Títulos do Tesouro americano (USD)

A página do ETF exibe o valor da cota, variação diária, volume negociado, taxa de administração, entre outras informações importantes. Avalie com atenção antes de comprar.

3. Defina o número de cotas e envie a ordem de compra

Depois de escolher o ETF, insira o número de cotas que deseja adquirir. A maioria dos ETFs permite a compra de frações de cota, o que facilita a entrada para quem tem pouco capital disponível.

Você pode escolher entre dois tipos de ordem:

  • Ordem a mercado: A compra será realizada imediatamente pelo melhor preço disponível.

  • Ordem limitada: Você define o preço máximo que aceita pagar por cada cota.

Após revisar as informações, confirme a operação. A ordem será executada em segundos (se houver liquidez no momento) e as cotas passarão a fazer parte da sua carteira.

4. Acompanhe e reinvista quando necessário

Assim como qualquer investimento em bolsa, os ETFs de renda fixa ficam disponíveis na sua custódia digital dentro da corretora. Você poderá acompanhar a valorização ou desvalorização das cotas diretamente na sua carteira.

Alguns ETFs reinvestem automaticamente os rendimentos obtidos pelos títulos que compõem o fundo, o que potencializa o efeito dos juros compostos. Outros podem distribuir proventos. Fique atento à política do fundo escolhido.

Caso deseje reforçar sua posição, basta comprar mais cotas a qualquer momento, da mesma forma como foi feito na compra inicial.

5. Planeje o resgate com estratégia

Apesar da liquidez diária, nem sempre vale a pena vender cotas no curto prazo, especialmente se o mercado estiver volátil ou se os juros subirem (o que pode reduzir o preço dos títulos na carteira do ETF).

Avalie o cenário econômico, a marcação a mercado e os seus objetivos financeiros antes de vender. Se o seu foco é rentabilidade no longo prazo, mantenha os aportes e aproveite o reinvestimento automático para potencializar os ganhos.

Para quem os ETFs de renda fixa são indicados?

Para quem os ETFs de renda fixa são indicados - Imagem: Shutterstock

Normalmente, os ETFs de renda fixa são indicados para:

  • Conservadores que querem diversificação com praticidade

  • Moderados que buscam equilibrar risco e retorno

  • Investidores que desejam expor parte do patrimônio ao dólar

  • Pessoas físicas que investem via home broker e querem liquidez

Por outro lado, quem busca rentabilidade fixa até o vencimento, com menor oscilação, pode preferir investir diretamente em títulos do Tesouro Direto ou em CDBs com garantia do FGC.

Conclusão: custos reduzidos e previsibilidade

Os ETFs de renda fixa unem o melhor dos dois mundos: segurança e previsibilidade da renda fixa, com a praticidade e liquidez da renda variável. Além disso, proporcionam acesso a carteiras diversificadas, nacionais ou internacionais, com menor custo e carga tributária.

Porém, é essencial analisar o índice replicado, a composição da carteira, a política de repactuação e os riscos associados ao fundo. Entenda sua estratégia de investimento, perfil de risco e objetivos antes de alocar seu capital.

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