Vale (VALE3): MPF pede novo bloqueio de recursos após vazamentos em MG

Em ação cautelar, o MPF elevou para R$ 1,2 bilhão o pedido de bloqueio de recursos da Vale.

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Publicado em 04/02/2026 às 13:37h - Atualizado Agora Publicado em 04/02/2026 às 13:37h Atualizado Agora por Marina Barbosa
Água com sedimentos minerais transbordou de minas da Vale em MG em janeiro (Imagem: Prefeitura de Congonhas/Divulgação)
Água com sedimentos minerais transbordou de minas da Vale em MG em janeiro (Imagem: Prefeitura de Congonhas/Divulgação)
A Vale (VALE3) terá que enfrentar uma nova ação cautelar do MPF (Ministério Público Federal) por causa dos vazamentos registrados neste início de ano em Minas Gerais.
💲 O MPF já havia solicitado o bloqueio de R$ 1 bilhão da mineradora por causa do transbordamento registrado na Mina de Fábrica. E, agora, pediu que mais R$ 200 milhões sejam bloqueados em decorrência do incidente observado na Mina de Viga.
As minas registraram vazamentos de água com sedimentos minerais no dia 25 de janeiro, depois que chuvas fortes atingiram a área. 
O material atingiu rios da região, causando assoreamento de córregos e danos à vegetação. Além disso, inundou áreas da CSN Mineração (CMIN3).
Com isso, a prefeitura de Congonhas (MG) suspendeu os alvarás de funcionamento da Vale na região, até o cumprimento de medidas emergenciais de controle, monitoramento e compensação ambiental. 
Já o governo de Minas Gerais aplicou uma multa de R$ 3,3 milhões à mineradora e o MPF decidiu levar o caso à Justiça.

O que diz o MPF

⚖️ Ao apresentar a nova ação, o MPF argumentou que o episódio revelou falhas no controle da operação de estruturas de contenção de efluentes das minas da Vale e afirmou que a companhia não comunicou o fato imediatamente às autoridades, o que contraria deveres legais de transparência e dificultou a resposta da Defesa Civil.
Além do bloqueio de R$ 1,2 bilhão, o MPF pediu que a Vale realize as obras necessárias para garantir a segurança dos seus reservatórios, apresente um relatório sobre a situação de estruturas semelhantes situadas em Minas Gerais e analise o material vazado, de forma a dimensionar o impacto ambiental do incidente.
"A falha nas instalações da Mina de Viga, em conjunto com o ocorrido na Mina de Fábrica, inaugura mais um cenário de insegurança acerca da integridade e estabilidade dos complexos minerários da Vale", declarou o procurador da República Lauro Coelho Junior, autor da ação.

O que diz a Vale

Em comunicados publicados após os incidentes, a Vale disse que os extravasamentos de água já haviam sido contidos e que "não houve carreamento de rejeitos de mineração, apenas água com sedimentos (terra)".
A companhia também ressaltou que os episódios não deixaram feridos, nem afetaram as comunidades próximas, apesar dos danos ambientais relatados pelas autoridades.
Além disso, garantiu que apresentaria os esclarecimentos necessários e que iria apresentar a sua defesa na ação do MPF, para evitar o bloqueio de recursos.
Ainda assim, a Vale precisou suspender as atividades nas minas de Fábrica e Viga, devido à suspensão dos alvarás. Segundo a companhia, o contratempo não afeta o seu guidance.

CSN também está na mira do MPF

⚠️ O MPF também instaurou um procedimento para investigar se um terceiro vazamento ocorreu em uma estrutura de responsabilidade da CSN (CSNA3)
A suspeita é de que sedimentos vazaram de uma estrutura conhecida como Dique de Fraile, chegando ao Rio Maranhão. E deve ser investigada a partir de dados da própria CSN, além de informações da Agência Nacional de Mineração e da Fundação Estadual do Meio Ambiente de Minas Gerais.
Segundo o MPF, "o objetivo é verificar se houve falha nos sistemas de drenagem e garantir que a empresa tome as providências necessárias para correção de estruturas danificadas e reparação de eventuais danos causados".

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