Trump fala em petróleo, mas pode estar de olho em outro ativo da Venezuela; entenda

Gastos de energia com IA podem estar por trás do interesse dos EUA no país caribenho.

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Publicado em 08/01/2026 às 13:07h - Atualizado 15 horas atrás Publicado em 08/01/2026 às 13:07h Atualizado 15 horas atrás por Wesley Santana
Gas natural é crucial para o setor de inteligência artificial no mundo (Imagem: Shutterstock)
Gas natural é crucial para o setor de inteligência artificial no mundo (Imagem: Shutterstock)
Os Estados Unidos entraram na Venezuela, capturaram Nicolás Maduro e prometeram novos tempos no país latino. Um dia depois da operação militar, o presidente Donald Trump logo falou sobre as reservas de petróleo e, depois, até disse que a presidente em exercício concordou em enviar 50 milhões de barris do óleo para Washington.
No entanto, embora rica em petróleo, a Venezuela tem outros materiais que podem interessar aos EUA e suas empresas. Na era da tecnologia, minerais e terras raras podem ser ainda mais valiosos que o óleo — que até pouco tempo atrás estava cotado para entrar no esquecimento.
O país da América do Sul também tem grandes reservas de gás natural e surge como um potencial exportador do produto. Ainda mais neste momento em que o consumo de energia dispara por causa da expansão de data centers pelo mundo.
De acordo com um levantamento do Goldman Sachs, o uso da inteligência artificial deve alavancar o gasto com energia nos EUA em até 160% nos próximos cinco anos. O banco estima que o gás deve representar até metade do consumo ainda nesta década.
Muita gente deve pensar: mas a Venezuela é tão longe, então como o gás atravessaria todo o Mar do Caribe? A resposta é simples: o país norte-americano só precisaria construir um gasoduto de extensão curta que conectasse o gás de Caracas ao terminal de GNL de Trinidad, outro país da região caribenha.
"Excluindo o risco geopolítico, este projeto [Dragon] seria considerado de fácil implementação, já que o campo está localizado a 20 km de uma infraestrutura existente já conectada à [Atlantic LNG] ALNG", disseram pesquisadores da S&P Global Energy.
O gasoduto já estava em construção anteriormente, até que Maduro decidiu interromper o desenvolvimento por causa da relação de Trinidad com o governo dos EUA. Agora, com o suposto apoio da nova presidente, há possibilidade de que o projeto volte a andar.
"Estendemos um convite ao governo dos EUA para trabalharmos juntos em uma agenda de cooperação, voltada para o desenvolvimento compartilhado, no marco do direito internacional, e para fortalecer uma convivência comunitária duradoura", disse Delcy Rodríguez, que assumiu o governo depois da queda de seu chefe.
A construção do gasoduto levaria menos tempo e teria menos custo do que desenvolver a exploração de petróleo na Venezuela. Segundo cálculos de alguns analistas, o prazo da obra seria de 18 meses, o que poderia servir como palco político de Trump ainda em seu segundo mandato presidencial.