Tesouro Direto não dá lucro após 1º Copom em 2026, tendo outro risco no radar

Banco Central manteve a taxa Selic em 15% ao ano, mas não é isso que limita ganhos com marcação a mercado.

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Publicado em 29/01/2026 às 15:13h - Atualizado Agora Publicado em 29/01/2026 às 15:13h Atualizado Agora por Lucas Simões
Gestora vê quadro fiscal ainda desafiador no Brasil (Imagem: Shutterstock)
Gestora vê quadro fiscal ainda desafiador no Brasil (Imagem: Shutterstock)
A taxa Selic permanece em 15% ao ano por mais um tempinho em 2026, já que o Comitê de Política Monetária (Copom) deixou o início do ciclo de cortes de juros para a próxima decisão em meados de março. O natural seria nesta quinta-feira (29) as taxas no Tesouro Direto caírem diante da ressaca da Super Quarta, mas não pintaram fortes lucros na marcação a mercado.
Prova disso é a trajetória do Tesouro Renda+ 2065 nas últimas 24 horas, cuja remuneração permaneceu em IPCA+ 6,92% ao ano, o que manteve o seu preço unitário praticamente estabilizado em R$ 191.
Olha que estamos falando do título de renda fixa do governo brasileiro mais volátil, dado que ostenta o maior prazo de vencimento e é mais suscetível às oscilações de lucro ou de prejuízo na marcação a mercado. 
Para o analista Rafael Passos, da gestora Ajax Asset, o motivo para as taxas do Tesouro Direto seguirem elevadas, sobretudo os títulos públicos de maior prazo de vencimento, se deve ao quadro fiscal ainda desafiador. 
"O Tesouro Nacional estima a necessidade de R$ 14 bilhões adicionais em 2026 e de R$ 46 bilhões até 2027 para o cumprimento das metas fiscais. Ao mesmo tempo, decisões judiciais aliviam parcialmente o teto de gastos ao liberar receitas do Ministério Público da União", salienta o especialista.
Quando o mercado enxerga maior dificuldade do governo brasileiro em gerir as contas públicas, cujo custo médio da dívida federal subiu de 11,69% ao ano para 11,85% ao ano em 2025, os investidores exigem juros compostos maiores para financiar a máquina pública. Tudo isso atrasa a estratégia de quem busca especular na marcação a mercado, apostando na queda rápida das taxas no Tesouro Direto.

Acompanhe a seguir os preços e as rentabilidades dos títulos públicos no Tesouro Direto na tarde do dia 29 de janeiro de 2026:

Títulos pré-fixados

  • Tesouro Prefixado 2028 = Aporte mínimo de R$ 7,96 (Rentabilidade: 12,66% ao ano)
  • Tesouro Prefixado 2032 = Aporte mínimo de R$ 4,79 (Rentabilidade: 13,31% ao ano)
  • Tesouro Prefixado com juros semestrais 2035 = Aporte mínimo de R$ 8,44 (Rentabilidade: 13,41% ao ano)

Títulos pós-fixados

  • Tesouro Selic 2028 = Aporte mínimo de R$ 182,79 (Rentabilidade: Selic + 0,0453% ao ano)
  • Tesouro Selic 2031 = Aporte mínimo de R$ 182,02 (Rentabilidade: Selic + 0,0988% ao ano)

Títulos indexados à Inflação

  • Tesouro IPCA+ 2029 = Aporte mínimo de R$ 36,17 (Rentabilidade: IPCA + 7,62% ao ano)
  • Tesouro IPCA+ 2040 = Aporte mínimo de R$ 16,72 (Rentabilidade: IPCA + 7,24% ao ano)
  • Tesouro IPCA+ 2050 = Aporte mínimo de R$ 9,08 (Rentabilidade: IPCA + 6,87% ao ano)
  • Tesouro IPCA+ 2035 (com juros semestrais) = Aporte mínimo de R$ 42,36 (Rentabilidade: IPCA + 7,45% ao ano)
  • Tesouro IPCA+ 2045 (com juros semestrais) = Aporte mínimo de R$ 41,26 (Rentabilidade: IPCA + 7,17% ao ano)
  • Tesouro IPCA+ 2060 (com juros semestrais) = Aporte mínimo de R$ 41,16 (Rentabilidade: IPCA + 7,08% ao ano)

Títulos para aposentadoria extra

  • Tesouro Renda+ 2030 = Aporte mínimo de R$ 18,95 (Rentabilidade: IPCA + 7,22% ao ano)
  • Tesouro Renda+ 2035 = Aporte mínimo de R$ 13,70 (Rentabilidade: IPCA + 7,08% ao ano)
  • Tesouro Renda+ 2040 = Aporte mínimo de R$ 10,01 (Rentabilidade: IPCA + 6,95% ao ano)
  • Tesouro Renda+ 2045 = Aporte mínimo de R$ 7,27 (Rentabilidade: IPCA + 6,89% ao ano)
  • Tesouro Renda+ 2050 = Aporte mínimo de R$ 5,24 (Rentabilidade: IPCA + 6,88% ao ano)
  • Tesouro Renda+ 2055 = Aporte mínimo de R$ 3,75 (Rentabilidade: IPCA + 6,89% ao ano)
  • Tesouro Renda+ 2060 = Aporte mínimo de R$ 2,66 (Rentabilidade: IPCA + 6,92% ao ano)
  • Tesouro Renda+ 2065 = Aporte mínimo de R$ 1,91 (Rentabilidade: IPCA + 6,92% ao ano)

Títulos para custear estudos

  • Tesouro Educa+ 2027 = Aporte mínimo de R$ 35,94 (Rentabilidade: IPCA + 7,69% ao ano)
  • Tesouro Educa+ 2028 = Aporte mínimo de R$ 33,49 (Rentabilidade: IPCA + 7,61% ao ano)
  • Tesouro Educa+ 2029 = Aporte mínimo de R$ 31,21 (Rentabilidade: IPCA + 7,56% ao ano)
  • Tesouro Educa+ 2030 = Aporte mínimo de R$ 29,08 (Rentabilidade: IPCA + 7,53% ao ano)
  • Tesouro Educa+ 2031 = Aporte mínimo de R$ 27,12 (Rentabilidade: IPCA + 7,49% ao ano)
  • Tesouro Educa+ 2032 = Aporte mínimo de R$ 25,30 (Rentabilidade: IPCA + 7,46% ao ano)
  • Tesouro Educa+ 2033 = Aporte mínimo de R$ 23,61 (Rentabilidade: IPCA + 7,43% ao ano)
  • Tesouro Educa+ 2034 = Aporte mínimo de R$ 22,08 (Rentabilidade: IPCA + 7,39% ao ano)
  • Tesouro Educa+ 2035 = Aporte mínimo de R$ 20,66 (Rentabilidade: IPCA + 7,35% ao ano)
  • Tesouro Educa+ 2036 = Aporte mínimo de R$ 19,31 (Rentabilidade: IPCA + 7,32% ao ano)
  • Tesouro Educa+ 2037 = Aporte mínimo de R$ 18,09 (Rentabilidade: IPCA + 7,28% ao ano)
  • Tesouro Educa+ 2038 = Aporte mínimo de R$ 16,98 (Rentabilidade: IPCA + 7,23% ao ano)
  • Tesouro Educa+ 2039 = Aporte mínimo de R$ 15,95 (Rentabilidade: IPCA + 7,18% ao ano)
  • Tesouro Educa+ 2040 = Aporte mínimo de R$ 15,00 (Rentabilidade: IPCA + 7,13% ao ano)
  • Tesouro Educa+ 2041 = Aporte mínimo de R$ 14,12 (Rentabilidade: IPCA + 7,08% ao ano)
  • Tesouro Educa+ 2042 = Aporte mínimo de R$ 13,28 (Rentabilidade: IPCA + 7,04% ao ano)
  • Tesouro Educa+ 2043 = Aporte mínimo de R$ 12,50 (Rentabilidade: IPCA + 7,00% ao ano)