Raízen (RAIZ4) volta a ser “ação de centavos”, com mercado de olho na dívida

Um dos principais gatilhos para a queda foi a confirmação da aquisição da participação da japonesa Sumitomo na Raízen Biomassa.

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Publicado em 02/02/2026 às 16:54h - Atualizado Agora Publicado em 02/02/2026 às 16:54h Atualizado Agora por Matheus Silva
Por volta de 16h40, os papéis recuavam 9,71%, cotados a R$ 0,93 (Imagem: Divulgação/Raízen)
Por volta de 16h40, os papéis recuavam 9,71%, cotados a R$ 0,93 (Imagem: Divulgação/Raízen)
🚨 As ações da Raízen (RAIZ4) registraram forte queda nesta sessão e voltaram a ser negociadas abaixo de R$ 1, retomando o status de penny stock
Por volta de 16h40, os papéis recuavam 9,71%, cotados a R$ 0,93, refletindo uma combinação de fatores financeiros, estratégicos e de governança que voltou a pressionar a percepção de risco da companhia no mercado.
O movimento negativo ocorre poucos dias depois de um rali relevante dos papéis e reforça a volatilidade elevada que acompanha a ação desde o agravamento do quadro de endividamento e das incertezas em torno da execução da estratégia de desalavancagem.

Compra da fatia da Sumitomo

Um dos principais gatilhos para a queda foi a confirmação de que a Raízen concluiu a aquisição da participação da japonesa Sumitomo na Raízen Biomassa, passando a deter 100% da subsidiária. 
A operação decorre do exercício de uma opção de venda prevista em contrato firmado em 2016, quando a parceira asiática ingressou no negócio.
Embora contratualmente prevista, a transação ocorre em um momento delicado para a companhia. 
Na prática, a Raízen deixa a posição de potencial vendedora para se tornar compradora de um ativo intensivo em capital, o que aumenta a percepção de pressão adicional sobre caixa e estrutura financeira no curto prazo. O valor da operação não foi divulgado, mas o mercado reagiu de forma negativa ao timing da aquisição.

Endividamento elevado segue como principal risco

A leitura mais cautelosa dos investidores está diretamente ligada ao nível de alavancagem. No segundo trimestre da safra 2025/26, a dívida líquida da Raízen alcançou R$ 53,4 bilhões, um salto de 48,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. 
O número reforça o desafio da companhia em equilibrar investimentos, estrutura de capital e geração de caixa em um ambiente ainda pressionado por margens mais apertadas no setor.
Esse quadro torna a ação especialmente sensível a qualquer notícia que envolva novas obrigações financeiras, aquisições ou atrasos no processo de desalavancagem, ampliando a volatilidade no curto prazo.

Mudanças no conselho aumentam ruído

Além do fator financeiro, o mercado também digeriu mudanças na governança. Na sexta-feira (30), a Raízen comunicou a renúncia de Brian Paul Eggleston ao cargo de membro do Conselho de Administração. 
Para a vaga, a acionista Shell Brazil Holding BV indicou Jorrit Jan Witte Van Der Togt como novo conselheiro efetivo.
Embora substituições em conselhos não sejam incomuns, o anúncio ocorre em um momento sensível para a empresa, contribuindo para o aumento do ruído e da cautela entre investidores, sobretudo em um papel já pressionado.

O que esperar do 3T26 segundo os analistas

Apesar do mau humor recente, parte do mercado ainda mantém uma visão construtiva para os resultados operacionais. O Banco Safra avalia que, no terceiro trimestre da safra 2025/26, os volumes de distribuição de combustíveis no Brasil e as vendas de açúcar ficaram acima das estimativas, compensando parcialmente o desempenho mais fraco do etanol.
Segundo os analistas Conrado Vegner e Vinícius Andrade, o segmento de distribuição de combustíveis deve novamente ser o principal destaque do trimestre, sustentando a geração de resultados mesmo em um cenário mais desafiador para o negócio de renováveis.
A moagem de cana-de-açúcar somou 10,6 milhões de toneladas no trimestre, abaixo da estimativa inicial de 14,4 milhões de toneladas e inferior às 13,8 milhões de toneladas registradas no mesmo período da safra anterior.
Ainda assim, o Safra manteve recomendação de compra para o papel, com preço-alvo de R$ 1,40, o que implica potencial de valorização de 30% frente às cotações atuais.
Outro ponto de atenção foi o mix de produção. No trimestre, a Raízen direcionou 56% da produção para etanol e 44% para açúcar, estratégia que reflete condições específicas de mercado e margens no período. 
No acumulado dos nove meses da safra 2026, no entanto, o perfil segue mais equilibrado, com 53% da produção voltada ao açúcar e 47% ao etanol.
Esse mix ajuda a suavizar parte da volatilidade operacional, mas não elimina as preocupações de curto prazo relacionadas ao balanço e à necessidade de reforço na disciplina financeira.
📊 Com isso, a Raízen permanece em um ponto de inflexão. De um lado, há expectativa de melhora operacional e valuation bastante descontado. De outro, o nível elevado de endividamento, a volatilidade dos resultados e decisões estratégicas em momentos sensíveis seguem pesando sobre a confiança do mercado.

RAIZ4

Raízen
Cotação

R$ 0,92

Variação (12M)

-51,58 % Logo Raízen

Margem Líquida

-3,89 %

DY

0%

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-1,02

P/VP

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