Quais empresas ganham e perdem com o acordo Mercosul-União Europeia?

A União Europeia avançou com o acordo nesta sexta-feira (9), após 25 anos de negociação.

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Publicado em 09/01/2026 às 12:52h - Atualizado Agora Publicado em 09/01/2026 às 12:52h Atualizado Agora por Marina Barbosa
O agronegócio brasileiro é apontado como um dos grandes favorecidos pelo acordo (Imagem: Shutterstock)
O agronegócio brasileiro é apontado como um dos grandes favorecidos pelo acordo (Imagem: Shutterstock)

Após 25 anos de negociação, o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia pode enfim estar prestes a sair do papel.

Isso porque a União Europeia deu aval ao tratado, que cria a maior zona de livre comércio do mundo, com mais de 720 milhões de consumidores.

O acordo precisava do apoio de ao menos 15 dos 27 Estados-membro do bloco e obteve essa maioria qualificada nesta sexta-feira (9), apesar da resistência da França e dos protestos de agricultores europeus.

Os próximos passos

Com essa aprovação, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deve assinar o acordo já na próxima segunda-feira (12), no Paraguai, que está na presidência rotativa do Mercosul.

O tratado, no entanto, ainda precisará ser analisado pelo Parlamento Europeu e pelos Congressos dos países fundadores do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) para entrar em vigor.

Impactos para o Brasil

Esse rito ainda deve levar algumas semanas ou meses. Ainda assim, o mercado já faz as contas de quais setores ou empresas devem ganhar ou perder neste novo cenário.

💲 Afinal, com o acordo, Mercosul e União Europeia devem reduzir ou eliminar suas tarifas de importação e exportação de forma gradual nos próximos anos, o que deve facilitar o comércio entre os blocos.

Além disso, o texto prevê regras comuns para temas como comércio de bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.

"O acordo favorece o Brasil principalmente ao ampliar o acesso ao mercado europeu, um dos maiores e mais sofisticados do mundo, com redução relevante de tarifas para produtos brasileiros. Isso aumenta a competitividade das exportações, estimula investimentos estrangeiros e ajuda o país a diversificar parceiros comerciais", comentou o head de Renda Variável da AVIN, Gustavo Gomes.

Quem ganha com isso?

🌱 O agronegócio brasileiro é apontado como o grande beneficiado do acordo Mercosul-União Europeia.

Afinal, os europeus já estão entre os principais compradores das carnes, do café e da celulose brasileira e esses produtos vão ficar ainda mais baratos no Velho Continente com a redução das tarifas comerciais.

Analistas também veem espaço para maiores vender de açúcar, etanol e grãos, como soja, além de benefícios para o setor de mineração e siderurgia.

Por isso, quando olham para as empresas listadas na B3, dizem que nomes como JBS (JBSS32), Minerva (BEEF3), MBRF (MBRF3), SLC Agrícola (SLCE3)BrasilAgro (AGRO3), Suzano (SUZB3), Raízen (RAIZ4) e São Martinho (SMTO3) podem se beneficiar.

🚚 Caso isso se confirme, as companhias que fazem o transporte dessas mercadorias também devem sentir um aumento de demanda. É o caso de empresas como EcoRodovias (ECOR3), Rumo (RAIL3)Motiva (MOTV3), a antiga CCR.

"Em anos em que o agronegócio e a mineração vão bem, quem faz a infraestrutura também se beneficia. Dá para imaginar que também vai ter uma demanda maior", explicou o estrategista-chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz.

"A previsibilidade regulatória ainda tende a abrir investimentos estratégicos para setores como infraestrutura, logística e serviços", acrescentou especialista em renda variável da Davos Investimentos, Marcelo Boragini.

O especialista também vê oportunidades para empresas de serviços como engenharia, tecnologia e finanças, como bancos com atuação em câmbio.

E quem perde?

O acordo Mercosul-União Europeia, no entanto, também pode representar um peso para certas empresas brasileiras.

Os maiores impactos são esperados nos setores em que os europeus são referência, como vinhos, espumantes, farmacêuticos e laticínios.

🏭 Contudo, a indústria também está em alerta, principalmente nos setores de máquinas e equipamentos, automóveis, têxtil e vestuário, metalurgia e indústria química.

"A indústria europeia é mais produtiva e mais tecnológica nessas áreas. E, com tarifas menores, esses produtos tendem a entrar no Brasil com preços mais competitivos, pressionando a indústria nacional", explicou Boragini.

Diante disso, Cruz recomenda ficar de olho sobretudo na Weg (WEGE3), nas farmacêuticas e nas empresas de vestuário.

"Grandes empresas de moda são europeias e passarão a ter um preço mais competitivo aqui. Então, é possível que mais marcas europeias desembarquem no Brasil", comentou.

A XP, por outro lado, destacou que, "apesar do avanço, o tratado continua enfrentando resistências internas, sobretudo ligadas ao setor agrícola europeu".

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