Novos Master? Analistas pedem cautela para investimentos nestes bancos; veja lista

Oferta de 135% do CDI chama atenção por pagamento acima do padrão.

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Publicado em 25/02/2026 às 16:11h - Atualizado 1 minuto atrás Publicado em 25/02/2026 às 16:11h Atualizado 1 minuto atrás por Wesley Santana
Digimais é um banco digital que tem Edir Macedo como dono (Imagem: Shutterstock)
Digimais é um banco digital que tem Edir Macedo como dono (Imagem: Shutterstock)

Quem acessar o aplicativo de corretoras de investimentos nesta quarta-feira (25) pode se deparar com ofertas tentadoras. Há opções de CDBs que pagam até 135% do CDI, porcentagem que está bem acima da média do mercado.

Um levantamento feito pela reportagem do i10 mostra que há opções para diferentes estratégias de investimentos. Quem prefere os títulos prefixados, por exemplo, a lista traz ativos que pagam até 17% ao ano e que vencem apenas em 2027.

No geral, esses títulos são emitidos pelo Digimais, um banco digital que passou por uma tentativa de venda, mas o negócio não foi para frente por falta de interesse dos potenciais compradores. A aposta se mostra tão arriscada que o próprio aplicativo do banco de investimentos considera o investimento como de alto risco, oferecendo uma nota de 26, em uma escala que vai de 0 a 30.

O Digimais apresenta diversos problemas de governança e inconsistências relacionadas ao lastro de sua carteira de crédito. Além disso, pesa contra ele o fato de que é uma empresa de capital fechado; portanto, os documentos financeiros não são públicos, o que permitiria avaliar a situação de forma mais assertiva, conforme destacou uma reportagem do Valor.

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A oferta de títulos com remuneração acima do padrão foi o mesmo expediente pelo qual passou o Master, instituição que foi liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central no ano passado. Nesses casos, os produtos são comercializados no mercado secundário, oferecendo uma rentabilidade mais atrativa como forma de compensar a falta de segurança do produto.

Mesmo com tudo isso, os CDBs estão cobertos pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito), que ressarce os investidores na hipótese de falência. Investir apenas pensando nesse reembolso, porém, pode não ser a melhor estratégia, já que o tempo entre a liquidação do banco e o pagamento efetivo pode corroer os rendimentos da aplicação, como aconteceu no caso do Master.

É importante destacar que o Digimais não é o único que merece atenção por parte dos investidores na hora de adquirir novos CDBs. Analistas do mercado financeiro também citam nomes como Banco Paulista, Luso, Omni e Arbi como marcas que oferecem algum tipo de risco neste momento.

Quem é o dono do Digimais?

Antigo Banco Renner, o Digimais foi comprado pela holding do pastor evangélico Edir Macedo, fundador da Igreja Universal e dono da RecordTV. A operação foi realizada em 2013 com parte das ações, mas, posteriormente, foi totalmente repassada aos novos donos.

Desde a pandemia, o banco tem sofrido com aumento de inadimplência, o que fez com que a família controladora realizasse sucessivos aportes financeiros. No ano passado, a instituição passou por reestruturações, sob supervisão do BC, até a tentativa de ser vendida para Maurício Quadrado, ex-sócio do Master, o que não foi concluído.

O Nubank (ROXO34) também teria negociado a compra da fintech, depois de uma proposta do próprio BC, mas o negócio também não prosperou. A reportagem tentou contato com a companhia, mas não obteve retorno até a publicação deste texto.