Nova tabela do Imposto de Renda já está em vigor; veja o que muda em 2026

Com a atualização, quem ganha até R$ 5 mil por mês ficou livre do pagamento do imposto.

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Publicado em 06/01/2026 às 15:07h - Atualizado 12 horas atrás Publicado em 06/01/2026 às 15:07h Atualizado 12 horas atrás por Marina Barbosa
As novas regras do IR já serão aplicadas no salário de janeiro (Imagem: Shutterstock)
As novas regras do IR já serão aplicadas no salário de janeiro (Imagem: Shutterstock)

Com a virada do ano, entrou em vigor a nova tabela do IR (Imposto de Renda), que promete livrar milhões de brasileiros do pagamento do imposto.

Cumprindo uma promessa de campanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou a faixa de isenção do IR de R$ 3.036 para R$ 5 mil.

💵 Com isso, quem ganha até R$ 5 mil por mês deixará de pagar o imposto e quem recebe até R$ 7.350 terá um desconto no cálculo do tributo.

Neste caso, o desconto será maior para quem ganha R$ 5.001 e vai diminuindo até chegar a zero nos rendimentos a partir de R$ 7.350.

A mudança será aplicada a partir do salário de janeiro, que deve ser pago no final do mês ou no início de fevereiro. Com isso, quem ganha R$ 5 mil deve ter um ganho de R$ 312,89 na sua renda mensal.

A nova tabela do IR

Para garantir a nova isenção do IR, a Receita Federal criou uma nova tabela de dedução. Por isso, agora são duas as tabelas do Imposto de Renda. 

Veja os descontos que serão aplicados no cálculo do IR a partir de 2026:

Rendimentos tributáveis Redução do imposto
até R$ 5.000,00 até R$ 312,89, para que o imposto devido seja zero
de R$ 5.000,01 até R$ 7.350,00
R$ 978,62 - (0,133145 x rendimentos tributáveis sujeitos à incidência mensal)
O desconto diminui até zerar para rendimentos a partir de R$ 7.350,00

Já quem recebe acima de R$ 7.350 por mês continuará sujeito à tabela progressiva do IR, que começa em 7,5% e vai até 27,5%. Confira:

Base de cálculo Alíquota Dedução
Até R$ 2.428,80 Isento -
De R$ 2.428,81 até R$ 2.826,65 7,5% R$ 182,16
De R$ 2.826,66 até R$ 3.751,05 15,0% R$ 394,16
De R$ 3.751,06 até R$ 4.664,68 22,5% R$ 675,49
Acima de R$ 4.664,68 27,5% R$ 908,73

Vale ressaltar que os valores da tabela do Imposto de Renda dizem respeito à base de cálculo do IR. Isto é, do valor passível de tributação depois das deduções e abatimentos permitidos por lei.

O governo permite a dedução de mensal de R$ 189,59 por dependente, além de um desconto simplificado de R$ 607,20. Já os rendimentos previdenciários são isentos para maiores de 65 anos quando não passam de R$ 1.903,98.

Taxação de lucros e dividendos

As mudanças na tabela do Imposto de Renda devem reduzir o valor dos tributos pagos por 15 milhões de brasileiros. Contudo, deve custar R$ 25,8 bilhões para o governo só em 2026. Por isso, será compensada pelo aumento do imposto cobrado dos "super ricos" e também pelo retorno da taxação dos lucros e dividendos.

⚠️ De acordo com a Lei nº 15.270 de 2025, os dividendos serão taxados em 10% quando passarem de R$ 50 mil por mês por pessoa e quando esse valor for distribuído por uma mesma empresa. O governo diz, então, que a medida só deve afetar grandes investidores.

A taxação, contudo, só valerá para os dividendos declarados a partir de 1º de fevereiro de 2026. O governo havia permitido que os dividendos anunciados até o final do ano ficassem livres do pagamento do imposto, mesmo se forem efetivamente pagos até 2028. Contudo, o STF (Supremo Tribunal Federal) estendeu esse prazo por um mês.

Imposto mínimo para a alta renda

Além disso, a lei estabelece uma alíquota mínima de IR para quem ganha mais de R$ 50 mil por mês (ou seja, R$ 600 mil por ano).

A cobrança começa em 2,5% e chega a 10%, quando a renda anual passa de R$ 1,2 milhão (o equivalente a R$ 100 mil por mês). Veja as alíquotas:

  • Até R$ 600 mil/ano: Isento;
  • Até R$ 750 mil/ano: 2,5%;
  • Até R$ 900 mil/ano: 5%;
  • Até R$ 1,05 milhão/ano: 7,5%;
  • Acima de R$ 1,2 milhão/ano: 10%.

O cálculo será feito com base nos rendimentos recebidos em todo o ano calendário, incluindo lucros e dividendos. Mas não entram nessa conta rendimentos com ganhos de capital, heranças, doações, rendimentos recebidos acumuladamente, além de aplicações isentas, poupança, aposentadorias por moléstia grave e indenizações.

A ideia é que o contribuinte some todos os rendimentos tributáveis e veja quanto de imposto pagou no ano. Se o imposto tiver sido inferior à alíquota mínima estabelecida pelo governo, a diferença terá de ser paga. De acordo com o governo, cerca de 140 mil contribuintes serão atingidos pela mudança.

Declaração do IR

📅 Apesar de já começar a afetar os rendimentos mensais dos trabalhadores brasileiros, essa nova regra só será considerada na declaração do IR que será feita em 2027, com base nos rendimentos recebidos em 2926. 

Por isso, quem ganha até R$ 5 mil por mês ainda deve ter que declarar o Imposto de Renda neste ano. Afinal, a declaração será feita com base nos rendimentos recebidos em 2025 e de acordo com a tabela do IR que estava em vigor naquele ano.

As regras da Declaração do Imposto de Renda 2026 ainda serão divulgadas pela Receita Federal, que nos últimos anos recebeu o documento entre os meses de março e maio. Ainda assim, o Investidor10 explica aqui como o investidor já pode ir se preparando para prestar contas com o Leão.