Ministro da Justiça pede demissão e governo deve perder outros 20 nomes

Chefes de pastas pretendem se candidatar nas eleições gerais, o que exige afastamento dos cargos.

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Publicado em 07/01/2026 às 10:37h - Atualizado 18 horas atrás Publicado em 07/01/2026 às 10:37h Atualizado 18 horas atrás por Wesley Santana
Esplanada dos Ministérios, em Brasília, é onde estão os principais nomes do governo federal (Imagem: Shutterstock)
Esplanada dos Ministérios, em Brasília, é onde estão os principais nomes do governo federal (Imagem: Shutterstock)

O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, conversou com o presidente Lula e pediu demissão do cargo que ocupa. Segundo informações de interlocutores, ele apresentou o desejo de deixar o comando da pasta até o fim desta semana.

O ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) já havia sinalizado o desejo de deixar o Executivo, mas decidiu antecipar sua saída. Um dos motivos pode ser a janela que vai ser aberta nos próximos meses para os ministros que vão concorrer às eleições de 2026.

Além de seu chefe, Lewandowski também teria avisado toda a sua equipe que deve deixar o ministério nos próximos dias. No entanto, há um pedido para que ele permaneça pelo menos até o fim de janeiro, como forma de abrir caminho para uma substituição menos acelerada.

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Há, ainda, quem defenda a permanência do ministro até a aprovação da PEC da Segurança Pública, que foi um dos seus principais projetos durante a gestão.

Enrique Ricardo Lewandowski chegou ao Ministério da Justiça em fevereiro de 2024, depois de uma longa carreira na principal corte do país. Aos 78 anos, sua nomeação após a aposentadoria foi para substituir Flávio Dino, indicado ao STF por Lula.

Ele é advogado por formação, com mestrado e doutorado em Direito pela Universidade de São Paulo. Ele ingressou na vida pública em 1990 como juiz, depois foi promovido a desembargador. Foi nomeado por Lula para o STF no fim do seu primeiro mandato, em 2006, onde permaneceu por mais de 20 anos.

Haddad na fila

Outro ministro que já tem prazo de validade no governo é Fernando Haddad, da Fazenda, que pretende colaborar na campanha de reeleição de Lula. Ele afirmou que deve deixar o comando da pasta “no mais tardar até fevereiro”.

"Eu manifestei o desejo de colaborar com a campanha do presidente, e isso é incompatível com o cargo de ministro da Fazenda", afirmou em café com jornalistas. "Não é prazo de desincompatibilização, porque eu não sou candidato. O debate é qual é o momento", afirmou. "No mais tardar em fevereiro", acrescentou.

Neste caso, o nome mais cotado para assumir a cadeira é o de Dario Durigan, atual secretário-executivo do Ministério da Fazenda. Aos 41 anos, além de ter a confiança do Planalto, em ocasiões de férias de Haddad, foi ele quem tocou a pasta.

Mais 22 baixas no governo federal

Mas as próximas semanas prometem ser ainda mais desafiadoras para o governo Lula, que deve receber o pedido de demissão de diversos ministros. A maioria dos que comandam pastas em Brasília deve concorrer às eleições gerais marcadas para outubro deste ano, seja como deputados, senadores e até governadores. 

Pela legislação eleitoral, os candidatos a cargos públicos que não sejam o mesmo que ocupam devem se afastar em até seis meses antes das eleições. Por isso, segundo informações do G1, ao menos 20 vão precisar de substituição na Esplanada dos Ministérios até abril. São eles:

  • Casa Civil - Rui Costa deve ser candidato ao Senado pela Bahia.
  • Relações Institucionais - Gleisi Hoffmann será candidata à reeleição como deputada federal pelo Paraná.
  • Secretaria de Comunicação da Presidência - Sidônio Palmeira deve deixar o governo para fazer o marketing da campanha de reeleição do presidente Lula.
  • Fazenda - Fernando Haddad avalia se será candidato ao Senado ou ao governo de São Paulo.
  • Educação - Camilo Santana deve ser candidato ao governo do Ceará.
  • Transportes - Renan Filho deve ser candidato ao governo de Alagoas.
  • Esporte - André Fufuca avalia concorrer ao Senado ou ao governo do Maranhão.
  • Portos e Aeroportos - Silvio Costa Filho planeja ser candidato ao Senado por Pernambuco.
  • Integração Nacional - Waldez Goés é cotado para ser candidato a senador pelo Amapá.
  • Planejamento - Simone Tebet é cotada a disputar uma vaga ao Senado por São Paulo.
  • Meio Ambiente - Marina Silva é cotada para disputar uma vaga ao Senado.
  • Cidades - Jader Filho deve ser candidato a deputado federal pelo Pará.
  • Agricultura - Carlos Fávaro será candidato à reeleição para o Senado por Mato Grosso.
  • Pesca - André de Paula será candidato a deputado federal por Pernambuco.
  • Igualdade Racial - Anielle Franco avalia ser candidata à deputada federal pelo Rio de Janeiro.
  • Desenvolvimento Agrário - Paulo Teixeira será candidato à reeleição como deputado por São Paulo.
  • Empreendedorismo - Márcio França avalia se candidatar ao governo ou a outro cargo por São Paulo.
  • Minas e Energia - Alexandre Silveira planeja ser candidato ao Senado por Minas Gerais.
  • Direitos Humanos - Macaé Evaristo deve ser candidata à deputada estadual em Minas Gerais.
  • Povos Indígenas - Sônia Guajajara deve ser candidata à reeleição como deputada federal por São Paulo.
  • Cultura - Planalto avalia candidatura de Margareth Menezes à deputada federal pela Bahia, mas ela ainda resiste.
  • Desenvolvimento, Indústria E Comércio - Geraldo Alckmin deve ser candidato à reeleição como vice-presidente ou disputar um cargo por São Paulo.
  • Previdência Social - Wolney Queiroz deve ser candidato a deputado federal por Pernambuco.