Fundo ligado à Reag tem valorização de 140.000% e entra na mira das autoridades

Cota do Hans 95 saiu de R$ 1 mil para R$ 1,4 bilhão em seis anos.

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Publicado em 23/01/2026 às 07:00h - Atualizado 10 dias atrás Publicado em 23/01/2026 às 07:00h Atualizado 10 dias atrás por Wesley Santana
Fundos de investimentos podem passar a ser fiscalizados pelo BC (Imagem: Shutterstock)
Fundos de investimentos podem passar a ser fiscalizados pelo BC (Imagem: Shutterstock)

Quando um investidor aplica seu dinheiro em ativos financeiros, seu principal objetivo é ver lucros importantes na carteira. No entanto, há casos em que nem a ficção consegue explicar.

É o caso do fundo de investimentos Hans 95, que viu o valor de suas cotas se valorizar em mais de 140.000% no intervalo de seis anos. Em janeiro de 2019, cada cota era adquirida por R$ 1 mil, mas, no começo de 2025, já representava R$ 1,4 bilhão, conforme dados da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

Só no primeiro ano de operação, o fundo apurou uma valorização de 7.000%, já que as cotas chegaram a valer R$ 70 milhões cada uma. Desde então, o preço só foi aumentando até chegar ao valor atual apurado.

Segundo documentos públicos, o Hans 95 tem hoje cerca de R$ 3 bilhões em patrimônio líquido, sendo que 86% disso está alocado em fundos multimercados. Esse fato acende o alerta do mercado, dado que o ganho está muito acima da média do mercado, que quase nunca chega a esse patamar de valorização.

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O Índice Hedge Funds, por exemplo, obteve uma valorização de 495% no intervalo entre 2009 e 2026. Isso representa uma rentabilidade média de 29% ao ano, porcentagem mais explicável para produtos que unem ativos de renda fixa e variável.

O fundo em questão é um dos que estão na lista de investigados pela Operação Carbono Neutro, apontada nas investigações de fraudes financeiras e lavagem de dinheiro. Ele estava sob custódia da Reag Investimentos, gestora de investimentos que foi liquidada pelo Banco Central na semana passada.

Em 2021, auditores independentes contratados para olhar os números do fundo disseram que não eram capazes de emitir opinião sobre os relatórios. Na época, eles pontuaram que não havia provas que respaldassem as informações publicadas pela gestão do ativo financeiro.

A Reag foi procurada pela imprensa para comentar sobre o rendimento do fundo e sobre a conclusão dos consultores. No entanto, a empresa não respondeu até o fechamento desta reportagem.

Fiscalização de fundos pode ir para o Bacen

Esse e outros problemas envolvendo fundos de investimentos fazem com que o governo federal avalie uma mudança na fiscalização. Diversos interlocutores defendem que isso passe a ser responsabilidade do Banco Central, e não mais da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), como acontece hoje.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, por exemplo, diz que apresentou uma proposta para essa troca. “Existe hoje uma intersecção muito grande entre fundos e finanças e isso tem impacto até sobre a contabilidade pública, por exemplo. O fato de que os fundos estão fora do perímetro regulatório do BC deveria ser superado com uma nova regulação”, disse o ministro.