2025 é o ano do ouro caro e do dólar barato; saiba o pódio dos investimentos
Metal precioso se valoriza quase +30% no ano, ao passo que o dólar tem a maior queda anual desde 2016.
A semana começou com o mercado em alerta sobre o futuro do Fed (Federal Reserve) e, consequentemente, dos juros americanos.
⚠️ Isso porque o Departamento de Justiça dos Estados Unidos ameaçou abrir uma investigação criminal contra o presidente do Fed, Jerome Powell, que classificou o processo como uma "ameaça" do governo de Donald Trump.
O presidente dos Estados Unidos já fez diversas críticas ao atual comandante do Fed, pois gostaria de ver os juros americanos caindo a um ritmo mais acelerado. Mas o desentendimento não para por aí.
Em julho, Trump fez uma visita incomum à sede do Federal Reserve e aproveitou a ocasião para criticar os custos de renovação do edifício.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos decidiu, então, investigar essa questão, para saber se Powell apresentou informações falsas sobre a reforma ao prestar um depoimento sobre o assunto ao Senado em junho.
O presidente do Fed, no entanto, disse que "essa ação sem precedentes deve ser vista no contexto mais amplo das ameaças e da pressão contínua do governo".
Em um depoimento divulgado no domingo (11), Powell disse que "o Fed, por meio de depoimentos e outras divulgações públicas, fez todos os esforços para manter o Congresso informado sobre o projeto de reforma".
Por isso, declarou que a ameaça judicial na verdade não se referia ao seu depoimento, nem à reforma, mas aos juros americanos.
🗣️ "Esses são pretextos. A ameaça de acusações criminais é uma consequência do fato de o Federal Reserve definir as taxas de juros com base em nossa melhor avaliação do que será melhor para o público, em vez de seguir as preferências do Presidente", disparou Powell.
E seguiu: "A questão central é se o Fed conseguirá continuar a definir as taxas de juros com base em evidências e nas condições econômicas, ou se, em vez disso, a política monetária será dirigida por pressão política ou intimidação".
Powell disse ainda que continuará sua função "com integridade e compromisso em servir ao povo americano", dizendo que "o serviço público às vezes exige firmeza diante de ameaças".
"Servi no Federal Reserve sob quatro administrações, tanto republicanas quanto democratas. Em todos os casos, desempenhei minhas funções sem medo ou favorecimento político, focado exclusivamente em nosso mandato de estabilidade de preços e pleno emprego", concluiu.
Trump negou estar envolvido nas investigações do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, em entrevista à "NBC News" no domingo (11). Contudo, aproveitou a ocasião para reforçar as críticas a Powell.
"Não sei nada sobre isso, mas ele certamente não é muito bom no Fed e não é muito bom em construir edifícios", afirmou.
E seguiu: "O que deve pressioná-lo é o fato de as taxas de juros estarem muito altas. Essa é a única pressão que ele sofre".
Antes disso, Trump já havia dito que vai trocar o presidente do Fed quando o mandato de Powell acabar, em maio deste ano. O nome já foi até escolhido e deve ser anunciado em breve, segundo o republicano.
Diante desse embate, os mercados americanos abriram a semana em clima de cautela.
💲 O dólar recua frente a outras moedas fortes, como o euro, na manhã desta segunda-feira (12). Já o ouro e a prata dispararam e atingiram novos recordes. E as bolsas abriram em queda.
O movimento indica que os analistas estão vendendo ativos americanos e buscando proteção nos metais preciosos, diante das incertezas sobre a independência do Fed e dos juros americanos.
O Fed reduziu os juros americanos nas suas últimas três reuniões, em setembro, outubro e dezembro de 2025. Contudo, no último encontro, indicou que vê apenas um corte de juros em 2026.
Diante disso, o mercado acredita que a taxa será mantida no intervalo entre 3,50% e 3,75% nas próximas reuniões do Banco Central dos Estados Unidos. Segundo a ferramenta FedWatch, um novo corte dos juros americanos só é esperado para junho de 2026.
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