Efeito Trump: Por que os balanços do 4T25 são 'notícia velha' para os bancos nos EUA

O foco sai dos lucros do 4T25 e entra na saúde do consumidor americano e nos riscos da proposta de Donald Trump.

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Publicado em 12/01/2026 às 15:05h - Atualizado Agora Publicado em 12/01/2026 às 15:05h Atualizado Agora por Matheus Silva
Bancos de Wall Street iniciam temporada de balanços sob a lupa do mercado (Imagem: Shutterstock)
Bancos de Wall Street iniciam temporada de balanços sob a lupa do mercado (Imagem: Shutterstock)

🚨 As luzes de Manhattan se voltam para as divulgações do setor bancário com uma mistura de euforia e cautela.

O combustível que impulsionou o rali de 29% do Índice KBW Bank no ano passado, pautado por ganhos de produtividade via Inteligência Artificial e um ressurgimento das fusões e aquisições, agora é considerado "notícia velha".

O que os investidores buscam nos balanços de JPMorgan (JPMC34), Citigroup (CTGP34), Wells Fargo (WFCO34) e Bank of America (BOAC34) é a visibilidade sobre o custo do crédito e a inadimplência em um cenário macroeconômico que muitos esperam ser de crescimento, mas que ainda carece de dados oficiais sólidos devido a interrupções governamentais.

A grande preocupação reside na resiliência do consumidor doméstico. Embora os americanos de renda mais alta tenham sustentado os gastos em 2025, começam a surgir sinais de estresse nos segmentos de renda média e baixa.

Analistas da Keefe Bruyette & Woods (KBW) observam que empresas de pagamento já citam fraqueza em restaurantes e pequenos negócios, sugerindo que o cenário para 2026 pode ser mais desafiador do que os preços atuais das ações sugerem.

O foco absoluto será o comportamento do crédito, desde as provisões para perdas até a velocidade com que os americanos estão utilizando e quitando seus cartões de crédito.

O ‘efeito Trump’

Um fator importante para os bancos entrou em pauta na última semana. A determinação de Donald Trump para que emissores de cartões de crédito limitem as taxas de juros a 10% por um ano.

Para analistas do setor, como Brian Foran, do Truist, a medida tem o potencial de tornar o negócio de cartões subprime simplesmente não lucrativo, atingindo primeiro as emissoras de cartões de loja e, em seguida, os grandes bancos comerciais.

Essa possibilidade de intervenção direta nas taxas de juros cria um ruído regulatório que pode comprimir as margens líquidas de juros, justamente quando a curva de rendimentos começava a se inclinar de forma favorável à rentabilidade bancária.

Por outro lado, o otimismo estrutural é alimentado pela perspectiva de desregulamentação em outras áreas e por um ambiente de crescimento do PIB

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Executivos como Mike Mayo, do Wells Fargo, defendem que qualquer correção nos preços das ações após a divulgação dos resultados deve ser interpretada como uma oportunidade estratégica de compra.

Na visão desses veteranos, os bancos americanos estão vivendo um paralelo com a década de 90, impulsionados por uma combinação de fortalecimento econômico, mudanças regulatórias e aumentos drásticos de produtividade liderados pela tecnologia.

Comprar ou vender?

O consenso entre as grandes casas de análise está longe de ser unânime. Enquanto analistas da Morgan Stanley esperam que as orientações futuras confirmem a recuperação sustentável do mercado de capitais, casas como Baird e Wolfe Research adotaram uma postura mais defensiva.

O rebaixamento de recomendações de nomes como JPMorgan e Bank of America para "neutro" ou "abaixo da média" reflete a percepção de que os ativos já estão operando em valor justo ou acima dele.

Para Steven Chubak, da Wolfe Research, o mercado pode estar subestimando os custos operacionais que essas instituições enfrentarão em 2026.

Em resumo, a primeira semana de resultados de 2026 será o palco de um debate sobre a sustentabilidade do crescimento americano.

📊 Se os CEOs de Wall Street confirmarem que o consumidor está saudável e que a receita de trading e fusões veio para ficar, o setor bancário pode consolidar sua maior sequência de vitórias sobre o S&P 500 desde o estouro da bolha das ‘pontocom’.

JPMC34

JPMorgan
Cotação

R$ 172,85

Variação (12M)

17,83 % Logo JPMorgan

Margem Líquida

32,34 %

DY

1,53 %

P/L

15,60

P/VP

2,51