Cuba enfrenta colapso energético e corta combustível para aviação

Turismo e transporte aéreo estão entre os mais impactados; Rússia fala em ‘asfixia' dos EUA.

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Publicado em 09/02/2026 às 12:52h - Atualizado Agora Publicado em 09/02/2026 às 12:52h Atualizado Agora por Wesley Santana
Aviação cubana é a companhia aérea estatal (Imagem: Shutterstock)
Aviação cubana é a companhia aérea estatal (Imagem: Shutterstock)

O governo de Cuba deve suspender o fornecimento de combustível para aviões ainda nesta semana. Cuba enfrenta uma das piores crises energéticas de sua história, motivo pelo qual o corte será conduzido. 

O presidente não divulgou nenhum comunicado oficial, mas as companhias aéreas teriam sido avisadas. A suspensão deve afetar as companhias aéreas nacionais e estrangeiras que operam no país. 

"A aviação civil cubana notificou todas as companhias aéreas de que não haverá mais abastecimento de JetFuel, o combustível de aviação, a partir de terça-feira, 10 de fevereiro, às 00h00, horário local", disse um funcionário de uma companhia aérea europeia, falando sob condição de anonimato à imprensa.

Cuba enfrenta uma série de embargos comerciais dos Estados Unidos, que fazem com que diversos produtos não cheguem à ilha. Sem capacidade para produzir indústria, o país de menos de 10 milhões de habitantes depende de aliados políticos para coisas básicas. 

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A situação sempre foi um problema da ilha, mas piorou desde o começo deste ano, depois que os Estados Unidos entraram na Venezuela e capturaram Nicolás Maduro. O país sul-americano era um dos únicos apoiadores do regime cubano na região, sendo uma das fontes de petróleo. 

Além do combustível, Havana e outras cidades têm passado por apagões sucessivos. Com petróleo estocado para menos de um mês, há priorização de setores para consumo do combustível.

O presidente cubano Miguel Díaz-Canel disse que o país tem tentado driblar o embargo com uso de energia de outras fontes. No entanto, não deu muitos detalhes sobre qual é a estratégia da ilha caribenha neste momento. 

“A forma como um conjunto de medidas coercitivas do governo dos Estados Unidos (…) tem sido direcionado ao bloqueio energético do país nos reafirma a importância de manter essa prioridade na transição energética do país em direção às fontes renováveis de energia”, destacou. 

Rússia acusa EUA de asfixia

Nesta segunda, o governo se manifestou sobre a situação em Cuba e acusou os EUA de asfixiar a ilha caribenha. O porta-voz do Kremlin classificou a crise cubana como “realmente crítica” em entrevista na manhã desta segunda.

“As medidas asfixiantes impostas pelos Estados Unidos estão causando muitas dificuldades ao país. Estamos estudando possíveis soluções com nossos amigos cubanos, ao menos para fornecer a assistência que pudermos”, disse Dmitri Peskov em atualização de imprensa diária. 

No início deste mês, o governo norte-americano aprovou o envio de US$ 6 milhões como ajuda humanitária para Cuba, como forma de reduzir os prejuízos provocados por um furacão. No entanto, o porta-voz do governo avaliou a medida como “hipócrita”. 

“É bastante hipócrita aplicar medidas coercitivas draconianas, negando condições econômicas básicas a milhões de pessoas, e depois anunciar sopa e comida enlatada para poucos”, escreveu de Cossio nas redes sociais.

Histórico de crises

Cuba é uma pequena ilha no Mar do Caribe, com cerca de 9,3 milhões de pessoas, situada a menos de 150 km da costa dos EUA. O PIB (Produto Interno Bruto) gira em torno de US$ 100 bilhões anuais, equivalente ao índice de alguns estados brasileiros. 

Na sua história recente, o país se acostumou a enfrentar diversas crises, sejam elas políticas, econômicas ou energéticas. No entanto, desta vez, a situação parece ser ainda pior. 

Além de impor mais sanções à ilha, os EUA trabalham para garantir que outras nações da região não vendam petróleo ao governo cubano. O México, por exemplo, que em dado momento do ano passado chegou a enviar 12 mil barris por dia, agora deve deixar de vender o óleo para fugir de eventuais tarifas que o governo Trump imponha. 

A escassez pressiona diversos setores da economia, como o Turismo, que caiu ao menor patamar da história. No ano passado, apenas 2 milhões de estrangeiros desembarcaram na ilha, o menor número em mais de 20 anos. 

O presidente diz que, desta vez, não é apenas uma crise. “É um acúmulo de distorções, adversidades, dificuldades e nossos próprios erros, exacerbados por um embargo externo extremamente agressivo”.