Como lucrar 16% ao ano na renda fixa, mesmo com Selic caindo em 2026, segundo o BTG

Estrategista-chefe do banco diz que chegou a hora de aproveitar os juros reais enquanto é tempo.

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Publicado em 19/02/2026 às 18:15h - Atualizado Agora Publicado em 19/02/2026 às 18:15h Atualizado Agora por Lucas Simões
Especialista recomenda os títulos Tesouro IPCA+ 2035, 2040, 2045 e 2050 (Imagem: Shutterstock)
Especialista recomenda os títulos Tesouro IPCA+ 2035, 2040, 2045 e 2050 (Imagem: Shutterstock)
Muitos investidores não se ligaram que a renda fixa não é tão fixa assim e, mesmo com a taxa Selic encolhendo dos atuais 15% ao ano nos próximos meses, ainda é possível, em 2026, ter lucros na faixa de 16% ao ano no Tesouro Direto sem esquentar muito a cabeça, como aponta Álvaro Frasson, estrategista-chefe do BTG Pactual (BPAC11).
Em relatório publicado nesta quinta-feira (19), o especialista do mercado financeiro explica que chegou a hora de se posicionar nos vencimentos mais longos da NTN-B. Traduzindo o jargão da Faria Lima, a oportunidade na mesa está presente nos juros reais acima de 7% ao ano presentes nos títulos públicos do tipo Tesouro IPCA+.
"Ao regredir o spread de juros reais de longo prazo pelos seus respectivos riscos de crédito soberano, vemos que a renda fixa brasileira apresenta um importante descolamento em comparação a uma cesta de economias emergentes. Dado o atual nível de CDS (Credit Default Swap), o juro real de longo prazo do Brasil poderia ser significativamente menor", avalia Frasson.
Afinal de contas, o título público brasileiro de referência, o Tesouro IPCA+ 2035, oferece juro real de 7,44% ao ano, enquanto nosso CDS é de 219 pontos (contrato derivativo que funciona como seguro contra o calote da dívida pública).
Mesmo que o CDS da nossa vizinha Colômbia seja de 315 pontos, ou seja, com investidores globais pagando muito mais caro por uma proteção financeira ao emprestar dinheiro ao governo colombiano, os juros reais dos títulos soberanos com vencimento em 2035 por lá só rendem 7,04% ao ano. 
Em resumo, o que o BTG Pactual chama a atenção dos investidores brasileiros é que o nosso Tesouro Direto negocia com um risco de calote bem inferior a outros países emergentes, mas ainda oferece juros reais altíssimos. Vale citar que o nosso juro real neutro é de 5% ao ano.
Portanto, em pouco tempo, tais juros reais brasileiros, pagando até 7,50% ao ano, devem cair consideravelmente, destravando lucros na marcação a mercado na faixa de 16% ao ano. Quando taxas caem na renda fixa, o preço unitário dos títulos se valoriza, com efeito mais intenso em vencimentos longos.

Onde investir no Tesouro Direto em 2026?

O enfraquecimento do dólar americano perante o real brasileiro nos últimos meses abriu uma janela favorável para quem aplica dinheiro em Tesouro IPCA+ de longo prazo, dado que o nosso Banco Central tem mais chances de reancorar as expectativas de inflação junto ao mercado financeiro, contribuindo para a redução dos prêmios de riscos de longo prazo.
"Ainda que a relação esteja invertida, ou seja, onde títulos de renda fixa mais longos (os mais voláteis) estão pagando taxas de juros reais menores que os vencimentos mais curtos, entendemos que aplicar em vértices longos, sobretudo antes do ciclo de corte da Selic e de um ambiente político que demandará narrativas fiscais prospectivas mais responsáveis, pode trazer retornos expressivos via ganhos de marcação a mercado com o fechamento dos prêmios mais longos", argumenta Frasson.
Por isso, o especialista recomenda o investimento nos seguintes títulos públicos indexados à inflação, pensando na estratégia de ganhos expressivos com marcação a mercado:
O BTG Pactual projeta uma Selic média de 13,50% ao ano nos próximos 12 meses e, se o investidor carregasse o Tesouro IPCA+ 2045 em carteira sob as atuais condições de inflação anual projetada de 4% e juro real de 7,50% ao ano, o rendimento embolsado pelo poupador seria de apenas 11,7% ao ano, ou seja, menos do que simplesmente segurar o Tesouro Selic.
Todavia, se o juro real do Tesouro IPCA+ 2045 caísse dos atuais 7,50% ao ano para 7% ao ano (redução de apenas 50 pontos-base), mantidas todas as demais condições, esse investimento de renda fixa se valorizaria 16,30% ao ano, bem melhor que CDBs pagando até 110% do CDI.

Juros reais e CDS em países emergentes

  • Brasil: Juro real de 7,44% ao ano até 2035 / CDS de 219 pontos / Spread de 564 pontos-base sobre os EUA
  • Colômbia: Juro real de 7,04% ao ano até 2035 / CDS de 315 pontos / Spread de 524 pontos-base sobre os EUA
  • México: Juro real de 4,14% ao ano até 2035 / CDS de 156 pontos / Spread de 244 pontos-base sobre os EUA
  • África do Sul: Juro real de 3,86% ao ano até 2035 / CDS de 235 pontos / Spread de 206 pontos-base sobre os EUA
  • Indonésia: Juro real de 2,79% ao ano até 2035 / CDS de 132 pontos / Spread de 99 pontos-base sobre os EUA

BPAC11

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