Caso Master: ex-chefe da Rioprevidência é preso ao voltar dos EUA

Investigação apura investimentos de quase R$ 1 bilhão em Letras Financeiras.

Author
Publicado em 03/02/2026 às 16:59h - Atualizado Agora Publicado em 03/02/2026 às 16:59h Atualizado Agora por Wesley Santana
Rioprevidencia é uma autarquia vinculada ao governo do estado do Rio de Janeiro (Imagem: Divulgação)
Rioprevidencia é uma autarquia vinculada ao governo do estado do Rio de Janeiro (Imagem: Divulgação)

Nesta terça-feira (3), o ex-presidente da Rioprevidência foi preso pela Polícia Rodoviária Federal. Deivis Marcon Antunes foi detido na cidade de Itatiaia, no Sul do Rio de Janeiro, enquanto dirigia em direção à capital carioca.

Antunes tinha um mandado de prisão em aberto desde o mês passado, mas estava viajando aos Estados Unidos. Ele retornou ao Brasil na manhã de terça, quando foi parado pelos agentes da Polícia Federal no Aeroporto de Guarulhos, que retiveram os seus dois celulares.

Ele foi autorizado, no entanto, a seguir viagem e teria alugado um carro no terminal aéreo para seguir ao RJ. Durante o percurso, foi abordado por agentes da PRF que o prenderam e levaram para a delegacia de Volta Redonda.

Leia mais: BRB (BSLI4) é alvo de inquérito da PF, por suspeita de gestão fraudulenta

Deivis é investigado no âmbito da operação que apura fraude bancária no Banco Master. Ele era o principal executivo do regime de previdência pública do governo do Rio quando a entidade investiu quase R$ 1 bilhão em Letras Financeiras emitidas pela instituição que foi liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central.

“A investigação, iniciada em novembro, visa apurar um conjunto de nove operações financeiras, realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2024, que resultaram na aplicação de aproximadamente R$ 970 milhões de recursos pertencentes à autarquia em Letras Financeiras emitidas por banco privado”, disse a PF.

A Rioprevidência é responsável por pagar pensões e aposentadorias de mais de 230 mil servidores públicos do estado. O fundo foi um dos maiores prejudicados com a liquidação do Master, já que as compras em questão não atingem os requisitos para obter ressarcimento do FGC (Fundo Garantidor de Crédito).

O prejuízo se soma a um rombo bilionário que o regime estatal já registra, que pode chegar a R$ 20 bilhões, conforme informações públicas.

Deivis é formado em Direito e é especializado em direito previdenciário. Além do fundo de pensões do Rio, ele já atuou na Caixa de Previdência do Banco do Brasil anteriormente, onde permaneceu por cerca de 15 anos.

Embora afastado do cargo pela Justiça, a Rioprevidência destacou que ele estava em “período de férias, previamente programadas desde novembro de 2025”, conforme nota divulgada ao mercado. Ele assumiu o principal cargo do fundo fluminense em julho de 2023.