Carnaval na Bolsa: Quais setores da B3 podem ganhar com o feriado?

Neste ano, a festa acontece nos dias 16, 17 e 18 de fevereiro.

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Publicado em 08/02/2026 às 09:00h - Atualizado 4 minutos atrás Publicado em 08/02/2026 às 09:00h Atualizado 4 minutos atrás por Elanny Vlaxio
O cenário de 2026 traz um ingrediente extra de atenção (Imagem: Shutterstock)
O cenário de 2026 traz um ingrediente extra de atenção (Imagem: Shutterstock)
🎉 A proximidade do Carnaval costuma colocar alguns setores da B3 no radar dos investidores, não por mudanças estruturais nas empresas, mas pelos efeitos pontuais que o feriado provoca no comportamento do mercado. 
Consumo, turismo e mobilidade aparecem entre os principais beneficiados, enquanto segmentos industriais tendem a enfrentar maior cautela no curto prazo. 

Consumo e viagens puxam o interesse do mercado

Para Fernando Benavenuto, planejador financeiro CFP® e sócio da Anvex Capital, o impacto do feriado está diretamente ligado à previsibilidade dos comportamentos econômicos. 
“O mercado antecipa comportamentos previsíveis de consumo, mobilidade e paralisação produtiva e precifica esses efeitos antes do feriado, não depois”, afirma. 
🍻 Nesse contexto, o setor de bebidas costuma ser o principal destaque, impulsionado pelo aumento recorrente do consumo em blocos de rua, festas e bares lotados, o que favorece o giro de estoques e atrai movimentos positivos nos papéis do segmento.
Além das bebidas, companhias ligadas a turismo, transporte e mobilidade também entram no radar no período pré-Carnaval. Aeroportos cheios, estradas congestionadas e hotéis com alta ocupação fazem parte de um roteiro já conhecido pelo mercado e estimulam a montagem de posições táticas. 
No sentido oposto, setores industriais tendem a ser penalizados, já que a redução dos dias produtivos e atrasos em embarques geram ruídos na leitura dos volumes do trimestre, levando investidores a adiar posições até a divulgação de dados consolidados.

Liquidez some, volatilidade aparece

O cenário de 2026 traz um ingrediente extra de atenção. Segundo Rhuan Palma, especialista em investimentos e MBA em Finanças pela FBNF, o Carnaval coincide com o Ano Novo Chinês, período em que os principais mercados asiáticos permanecem fechados. 
“Com essa sobreposição cria um blackout de liquidez global que pode amplificar movimentos de preço e aumentar o risco de execução para investidores”, destaca.
Com menos participantes ativos, oscilações que normalmente levariam horas podem ocorrer em minutos, não por novas informações, mas pela falta de contraparte.
🤔 Nesse ambiente, a ausência da China também afeta a precificação de commodities como minério, petróleo e soja, deixando a Bolsa brasileira temporariamente sem referência. 
Palma ressalta que, embora setores ligados ao consumo de Carnaval se beneficiem de picos de demanda, o mercado costuma antecipar esses movimentos semanas antes. 
“Muitas vezes, o risco não está no evento em si, mas na expectativa que se criou em torno dele”, afirma. Para o especialista, empresas com baixa liquidez, especialmente small caps, ficam mais vulneráveis, enquanto papéis já amplamente posicionados podem enfrentar realização de lucros se os resultados apenas confirmarem o que já estava precificado.