Cade libera operação da United na Azul (AZUL4) e destrava saída do Chapter 11

Com a operação, a participação da United na Azul subirá de 2,02% para cerca de 8%, reforçando apoio ao plano de reestruturação financeira.

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Publicado em 11/02/2026 às 15:42h - Atualizado 2 minutos atrás Publicado em 11/02/2026 às 15:42h Atualizado 2 minutos atrás por Matheus Silva
Com a aprovação, a Azul se aproxima de concluir um ciclo iniciado em maio de 2025 (Imagem: Shutterstock)
Com a aprovação, a Azul se aproxima de concluir um ciclo iniciado em maio de 2025 (Imagem: Shutterstock)
🚨 O plenário do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, por unanimidade, o aumento da participação da United Airlines na Azul (AZUL4), no âmbito da reorganização judicial da companhia nos Estados Unidos, conduzida sob o Chapter 11.
Com a operação, a fatia da United no capital social da Azul passará de 2,02% para aproximadamente 8%, consolidando o apoio da aérea norte-americana ao plano de reestruturação financeira da empresa brasileira.
A aprovação ocorre após a Superintendência-Geral do Cade já ter dado sinal verde ao negócio em dezembro, em rito sumário e sem restrições. 
O processo, porém, sofreu atraso após recurso apresentado pelo Instituto de Pesquisas e Estudos da Sociedade e Consumo (IPSConsumo), que levantou preocupações concorrenciais envolvendo a estrutura societária do setor aéreo na América Latina.
Ao manter a decisão inicial, o relator Diogo Thomson avaliou que as salvaguardas previstas no novo Estatuto Social da Azul, especialmente relacionadas a governança e restrição ao acesso a informações sensíveis, são suficientes, neste momento, para mitigar riscos concorrenciais.

Debate concorrencial e ressalvas do órgão

O IPSConsumo argumentou que a operação deveria ser analisada em conjunto com um eventual movimento envolvendo a American Airlines, ainda não submetido ao Cade, além de apontar possível risco de coordenação indireta entre companhias com participações cruzadas na região.
O relator, no entanto, destacou que eventual entrada futura da American Airlines será objeto de análise própria e mais aprofundada, caso se concretize. Segundo ele, o cenário concorrencial poderá mudar de forma substancial se houver alteração estrutural adicional na composição acionária da Azul.
Ainda que tenha apresentado ressalvas relacionadas a compromissos de governança e compliance, o Cade entendeu que, nas condições atuais, não há impedimentos concorrenciais que justifiquem barrar a operação.

Passo decisivo para saída do Chapter 11

Para a Azul, a aprovação representa mais do que um aval regulatório, é uma etapa crítica para concluir a recuperação judicial nos Estados Unidos.
O plano aprovado no âmbito do Chapter 11 estabelece como condição precedente à saída do processo a captação de, no mínimo, US$ 850 milhões. Desse total, US$ 750 milhões serão aportados por um grupo de credores e US$ 100 milhões pela própria United Airlines, via oferta pública de ações.
A companhia vinha alertando que eventuais atrasos poderiam elevar custos mensais associados ao processo de reestruturação e gerar riscos adicionais à sua estabilidade financeira e operacional. 
O encerramento célere do Chapter 11 é visto como essencial para restaurar a normalidade operacional e reduzir despesas extraordinárias ligadas ao processo judicial.

Reestruturação e posicionamento competitivo

Com a aprovação, a Azul se aproxima de concluir um ciclo iniciado em maio de 2025, marcado por renegociação de dívidas, fortalecimento de capital e reorganização societária.
A empresa sustenta que, ao sair do Chapter 11, estará em posição mais sólida para retomar expansão de capacidade, ampliar rotas e competir de forma mais agressiva tanto no mercado doméstico quanto internacional.
Do ponto de vista estratégico, o reforço da participação da United também consolida uma aliança relevante, ampliando a integração comercial entre as companhias e reforçando a posição da Azul em rotas internacionais.
📊 Para o investidor, o movimento reduz uma das principais incertezas regulatórias do processo e aumenta a visibilidade sobre a conclusão da reestruturação, embora o desempenho operacional e a disciplina financeira após a saída do Chapter 11 continuem sendo os verdadeiros testes para a tese de recuperação da companhia.

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