Americanas (AMER3) deixa o Shopping Iguatemi após mais de 40 anos na Faria Lima

Instalada no shopping desde 1981, a loja ocupava um espaço de mais de 1.500 metros quadrados na entrada principal do empreendimento.

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Publicado em 20/02/2026 às 17:41h - Atualizado 11 horas atrás Publicado em 20/02/2026 às 17:41h Atualizado 11 horas atrás por Matheus Silva
A saída foi noticiada pela colunista Mônica Bergamo e confirmada pela companhia (Imagem: Shutterstock)
A saída foi noticiada pela colunista Mônica Bergamo e confirmada pela companhia (Imagem: Shutterstock)
🚨 A Americanas (AMER3) encerrou, em dezembro de 2025, as atividades de sua tradicional loja no Shopping Iguatemi Sao Paulo, localizado na Avenida Faria Lima, um dos endereços mais valorizados da capital paulista. 
A saída foi noticiada pela colunista Mônica Bergamo e confirmada pela companhia.
Instalada no shopping desde 1981, a loja ocupava um espaço de mais de 1.500 metros quadrados na entrada principal do empreendimento. 
Ao longo das décadas, tornou-se uma presença curiosa no corredor que reúne marcas como Chanel, Gucci, Prada e Bvlgari — contraste simbólico entre o varejo popular e o luxo internacional.
Quando firmou contrato, a Faria Lima ainda não era o atual centro financeiro do país. Naquele período, a Americanas vivia fase de expansão e fortalecimento, impulsionada pela aquisição pela 3G Capital, de Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira. 
No Iguatemi, a varejista adotou até mesmo um logotipo preto, fugindo do tradicional vermelho da marca, em uma tentativa de se adequar ao ambiente mais sofisticado.
Com o passar dos anos, porém, os caminhos se distanciaram. Enquanto o Iguatemi consolidou seu posicionamento voltado à alta renda, a Americanas manteve foco no varejo de grande escala e preços acessíveis.

Saída ocorre após tensão judicial

A relação entre shopping e varejista ficou mais delicada após a crise desencadeada pela revelação da fraude contábil bilionária em 2023. 
Em 2024, o Iguatemi ingressou na Justiça com pedido de despejo, alegando desabastecimento das lojas, o que configuraria quebra contratual.
A Americanas, por sua vez, afirma que a saída ocorreu de comum acordo, com extinção do processo e sem inadimplência nos pagamentos. 
A empresa destacou que, por estar em recuperação judicial, precisa manter obrigações correntes em dia.
Segundo a varejista, o encerramento faz parte do plano de transformação da companhia, que prevê ajustes no portfólio de lojas conforme o perfil de consumo e o modelo de negócio atual. 
O aluguel do espaço girava em torno de R$ 250 mil mensais, e a tentativa de renovação por R$ 180 mil não teria sido aceita pelo shopping, conforme reportagens.
Há também interesse de marcas internacionais dispostas a pagar valores superiores pelo ponto, o que teria pesado na decisão do Iguatemi.

Reestruturação ainda em curso

A saída do Iguatemi simboliza mais um capítulo da reestruturação da Americanas após a descoberta de fraude contábil de R$ 25,2 bilhões e o pedido de recuperação judicial. 
Desde então, a companhia reduziu sua dívida para cerca de R$ 2 bilhões e promoveu uma ampla revisão de sua rede física.
Cerca de 22% das lojas foram fechadas. Das 1.880 unidades que operavam, 193 foram encerradas apenas em 2025. 
A empresa afirma que a abertura e o fechamento de lojas fazem parte do curso normal do varejo, intensificado pelo plano de transformação.
Apesar do histórico recente turbulento, as ações da Americanas acumulam alta de aproximadamente 12% no ano, negociadas ao redor de R$ 5,62. 
📊 O desafio agora é consolidar o reposicionamento e reconstruir credibilidade junto ao mercado e aos consumidores.

AMER3

Americanas
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